Saturday, July 30, 2016

who is afraid of Sylvia Plath? (& e. e. cummings)



Wesley Duke Lee
Caríssimo Wesselmann (1964)
Manabu Mabe
Composição Abstrata (1979)
Manabu Mabe
Sem Título (1997)
Manabu Mabe
Viver (1986)
Tomie Ohtake
Gravura em metal (1998)

From e. e. cummings, 100 selected poems (New York: Grove Press, 1954).
From Sylvia Plath, Ariel: the restored edition (New York: Harper, 2004).
(Portraits taken from the Internet)
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"A Secret
A secret! A secret!
How superior.
You are blue and huge, a traffic policeman,
Holding up one palm—
[...]
An illegitimate baby—
That big blue head!"

"The Jailor
[...]
I have been drugged and raped.
Seven hours knocked out of my right mind
Into a black sack
Where I relax, foetus or cat,
Lever of his wet dreams.

Something is gone.
My sleeping capsule, my read and blue zeppelin
Drops me from a terrible altitude.
Carapace smashed,
I spread to the beaks of birds.
[...]

All day, gluing my church of burnt matchsticks,
I dream of someone else entirely.
[...]."

"Elm
[...]
Is it the sea you hear in me,
Its dissatisfactions?
Or the voice of nothing, that was your madness?
Love is a shadow.
How you lie and cry after it
Listen: these are its hooves: it has gone off, like a horse.
[...]
I have suffered the atrocity of sunsets.
[...]
Now I break up in pieces that fly about like clubs.
A wind of such violence
Will tolerate no bystanding: I must shriek.
[...]"

"Lesbos
[...]
The baby smiles, fat snail,
From the polished lozenges of orange linoleum.
[...]"

"Medusa
... kicking lovers.
Cobra light..."
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Contre-effectuation
e. e. cummings:
"luminous tendril of celestial wish


(whying diminutive bright deathlessness
to these my not themselves believing eyes
adventuring, enormous nowhere from)

querying affirmation; virginal

immediacy of precision: more
and perfectly more most ethereal
silence through twilight's mystery made flesh—

dreamslender exquisite white firstful flame

—new moon! as (by the miracle of your
sweet innocence refuted) clumsy some
dull cowardice called a world vanishes,

teach disappearing also me the keen
illimitable secret of begin"

See also: 
- pan doron &/ou la boîte vidée dehors;
- Joyce in a Toadstool & the Southern Lapwing;
- God Save the Queen (Blake's Palace of Wisdom);

Monday, July 25, 2016

Darkwaves beyond the 80's (toujours under construction)










Alfredo Andersen
Brincando no Jardim
Alfredo Andersen
Retrato de Dirceu Andersen (1930)
Almeida Júnior
Estudo de nú masculino (1873)
Candido Portinari
Menino de Brodowski (1946)
Tomie Ohtake
Sem título (1965)
Geraldo de Barros
Unilabor Chair (1954)
Ademar Manarini
Pavor (1951)
German Lorca
Cavalo Bravo (1970)

Depeche Mode's Enjoy the Silence;
New Order's Sub-Culture;
The Cure's Lullaby;
The Cure's The Forest;
Depeche Mode's Martyr (Paul van Dyk Remix);
Depeche Mode's Only When I lose Myself (Lexicon Avenue Remix);
Anton Corbijn, Control (2007);

Aleister Crowley's The Book of Thoth:
- 18/The Moon [Pisces, the last of the signs, the last stage of the winter, gateway to resurrection, midnight, the sacred Egyptian beetle (which "bears the sun in his silence through the darkness of the night, and the bitterness of the winter"), "sinister and forbidden landscape," waning moon, moon of witchcraft, "the poisoned darkness which is the condition of the rebirth of light," "prejudice, superstition, ancestral loathing," "the howling of wild beasts," the threshold, "the dreadful madness of pernicious drugs," the dark night of the soul ("an horror of great darkness came upon me," said Abraham)];
- 9/The Hermit [the Hand ("tool or instrument par excellence"), the letter Yod (which is "the foundation of all the other letters of the Hebrew alphabet, merely combinations of it in various ways, and also "the first letter of the name Tetragrammaton," symbolizing the Father, "the highest form of Mercury, and the Logos, the Creator of all worlds," "the spermatozoon"), the sign of Virgo, corn, wheat, Persephone (queen of underworld) (concealed within Mercury is a light which pervades all parts of the Universe equally... one of his titles is Psychopompos, the guide of the soul through the lower regions") ("these symbols are indicated by his Serpent Wand, which is actually growing out of the Abyss, and is the spermatozoon developed as a poison, and manifesting the foetus... following him is Cerberus... this trump is shewn the entire mystery of Life in its most secret workings... the method")];

See also:
Bellocchio &/or Eye of (Dreadful) Beauty;
Brazil in the 80's;
- Spooky Blue;

Pour une littérature mineur: Mário Quintana as I see him



Almeida Júnior
Recado Difícil (1895)
Lasar Segall
Retrato de Lucy I (1935)
Candido Portinari
Retrato de João Candido com Cavalo (1941)
Samico
Retrato de Criança (1956)
Manabu Mabe
Abstracionismo (1967)

Mário Quintana, Antologia Poética (Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015), com um ensaio de Eucanaã Ferraz.
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"A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas...)
[...]
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo dos teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito..."

"— em meio aos ruídos da rua
alheio aos risos da rua —
todas as jubas do Sol
por uma trança da Lua!"

"Os luares extáticos...
A noite parada..."

"Havia um corredor que fazia cotovelo:
Um mistério encanado com outro mistério, no escuro...
[...]
Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu.
[...]
Onde andará agora o pince-nez da tia Tula?"

"Até o grande relógio de pêndulo parou.
O tempo está morto de pé dentro dele como um chefe asteca.
[...]
Os felinos farejam-me.
Antes eu estivesse morte e não sentiria nada...
Mas
A primeira coisa que um morto faz depois de enterrado
É abrir novamente os olhos...
Como é que eu sei disso, meu Deus?!
Tão fácil acender a luz... Estendo a mão
Para a lâmpada de cabeceira e toco
Uma parede fria
Úmida
Musgosa..."

"O meu Anjo da Guarda é dentuço,
Tem uma asa mais baixa que a outra.
[...]
Poeta, está na hora em que os galos móveis dos para-raios
Bicam a rosa dos ventos..."

"Que o digam as nuvens, esses lerdos e desmesurados cágados das alturas...
E então para disfarçar a gente faz literatura... e diz aos amigos que foi apenas uma folha morta que se desprendeu... ou que um pneu estourou, longe... na estrela Aldebaran..."

"Ai esquinas esquecidas...
Ai lampiões de fins de linha...
Quem me abana das antigas
Janelas de guilhotina?"

"E as vovozinhas de saia-balão
Como paraquedistas às avessas que subissem do fundo do tempo.
O relógio marcava a hora
[...]
Em cima do telhado...
Como um catavento que perdeu as asas!"

"Os grilos são poetas mortos."

"— Seu Mário, o senhor ainda não leu o CRUEL AMOR?"

"Desaparecido na batalha do Itororó!"

"...cachorrinho Victor."

"Nossas Almas? Seil lá!"

"Deve haver tanta coisa desabada...
Deve haver tanta coisa desabada
Lá dentro... Mas não sei... É bom ficar
Aqui, bebendo um chope no meu bar...
E tu, deixa-me em paz, Alma Penada!
Não quero ouvir essa interior balada...
Saudade... amor... cantigas de ninar...
Sei que lá dentro apenas sopra um ar
De morte... Não, não sei! não sei mais nada!
Manchas de sangue inda por lá ficaram,
Em cada sala em que assassinaram...
Pra que lembrar essa medonha história?
Eis-me aqui, recomposto, sem um ai.
Sou o meu próprio Frankenstein — olhai!
O belo monstro ingênuo e sem memória..."

"A lua de Babilônia
Numa esquina do Labirinto
às vezes
avista-se a Lua."

"Não! como é possível uma lua subterrânea?
(Mas cada um diz baixinho:
Deus te abençoe, visão...)"

"Terceira canção de muito longe
Da última vez que atravessei aquele corredor escuro
Ele estava cheio de passarinhos mortos..."

"Traduzido de Raymond Queneau
Meus Deus, que vontade me deu de escrever um poeminho
Olha, agora mesmo vai passando um!
Pst pst pst
Vem para cá para que te enfie
Na fieira dos meus outros poemas
Vem cá para que eu te entube
Nos comprimidos de minhas obras completas
Vem cá para que eu te empoete
Para que eu te enrime
Para que eu te enritme
Para que eu te enlire
Para que eu te empégase
Para que eu te enverse
Para que eu te emprose
Vem cá...
Vaca!
Escafedeu-se."

See also:
- Icons of Romanticism (Brazil);
- Mario de Andrade, tel que je l'imagine (bricolage & fragments);
- Noite Morta (Manuel Bandeira, 1921);
- Favorite Drummond (with translation);
- Two invisible phanopoeias & a silence (by Arnaldo Antunes) + Alice Ruiz;
- Podem ficar com a realidade (Leminski);
- Poème du retour: Paulo Leminski et l'éternel moustache de Nietzsche;

Sunday, July 24, 2016

Brazil on a High &/or the Halcyon Days of Arnaldo Jabor



Paulo Sacks, Darlene Glória and Paulo Porto in Toda Nudez Será Castigada (1973).
More Nelson Rodrigues in cinema: Fernanda Montenegro and Ivan Cândido, in Leon Hirszman's A Falecida (1965);
The 1976's film for which Beethoven composed the 2nd Movement of his 7th Symphony;

"I was sort of involved in a charity to cheer up monsters..."
Andy Warhol
"Foi provavelmente uma das experiências mais bem-aventuradas que já tive."
Gerald Thomas, Entre Duas Fileiras
"... they are lyricists who plunge themselves into the abyss of laughter and then let its volcanic might cast them onto the stage..."
Constantine Constantius (translation M. G. Piety)

"Jabor filmou as vísceras de Nélson... O Casamento seria montado sobre o cadáver de Adriana Prieto... eternidade da musa, sempre Adriana." [Jabor filmed the guts of Nelson Rodrigues. The Wedding would be edited over Adriana Prieto's corpse... eternity of the muse, Adriana always] Glauber Rocha, Revolução do Cinema Novo (Cosac Naify, 2004, p. 449).

See also:
- Meteorango Kid &/ou O Cabelo de André Luiz Oliveira;
- B4 Cidade de Deus & Tropa de Elite: O Amuleto de Ogum/ Nelson Pereira dos Santos (1974);
- Júlio Bressane &/or the most imaginative Brazilian film maker after Glauber Rocha;
- Porto das Caixas (Paulo César Saraceni, 1962)/ Cinema Novo's Precious Gem;
- Elza Gomes in Joaquim Pedro de Andrade's Guerra Conjugal (1976);
- Cinema Novo's Judgment Day &/or why it came to last;

Saturday, July 23, 2016

Pau Brasil (Oswald de Andrade)



Antonio Parreiras
Residência da Família Parreira Horta, circa 1898
Cecília Meireles
Menino com cesto à cabeça
Candido Portinari
O Flautista (1942)
Pierre Verger
Jesuíno do Monte Carmelo
Detalhe do forro da Igreja da Ordem Terceira do Carmo Itu
São Francisco das Chagas
Capela da Nossa Senhora dos Aflitos, São Paulo
(Percival Tirapeli, Arte Sacra Colonial)
Aleijadinho
Nosso Senhor da Paciência
(Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, 
Antônio Francisco de Lisboa, o "Aleijadinho": 
o que vemos e o que sabemos)
Wesley Duke Lee
O Tríptico (update figuras do Guardião & Guardiã, adptado às circustâncias) ["Essa parte foi considerada chocante e, para remediar a situação, a Eminência Parda colou a parte móvel com Araldite, numa atitude espantosa de autoritarismo e desrespeito ao artista, que nesse momento se encontrava no exterior... Wesley retorna e transforma o retrato num tríptico, pintando uma tarja negra sobre os olhos da mulher retratada e colocando a cada lado do retrato os guardiões... acopla à tela um retrato do Chefe, com sua moldura dourada, típica do ecletismo... a Eminência Parda é representada de óculos escuros..." Cacilda Teixeira da Costa, Wesley Duke Lee, Edusp 2005, p. 117-18]

Aside by Ezra Pound (Salutation, Commission); 
Mário de Andrade (O Capoeira, Relicário, Bonde, Contrabando, Passionária, Procissão de Enterro, Simbologia, Sábado de Aleluia, Ressurreição); 
Mário Quintana (A Cozinheira); 

This was (still is) written against "the new rich artists, literary officials, pompous academicians, provincial geniuses, and the poets of parliamentary report" &/or members of "the Freemasonry of Cronyism" [novos-ricos da arte, empregados públicos da literatura, acadêmicos de fardão, gênios das províncias, poetas do Diário Oficial... Maçonaria da Camaradagem] (Paulo Prado, "Poesia Pau Brasil").

Brazil: society of "derelict savants" [náufragos eruditos] and encyclopedic congestion [rebentaram de enciclopedismo] (Oswald de Andrade, "Falação").

"... certain emotions as vital to me... faced with the infinite and ineffable imbecility of the British Empire, as they were to Propertius some centuries earlier, when faced with the infinite and ineffable imbecility of the Roman Empire..." (Pound about his "Homage to Sextus Propertius"; New Selected Poems and Translations, edited by Richard Sieburth, New Directions, 2010, p. 298).

An Aside by Mário de Andrade (sem tradução, que preguiça!):
"Quanto a algum escândalo possível que o trabalho possa causar, sem sacudir a poeira das sandálias, que não uso sandálias dessas, sempre tive uma paciência (muito) piedosa com a imbecilidade pra que o tempo do meu corpo não cadenciasse meus dias de luta com noites cheias de calma..." (1st Preface to Macunaíma).

"o violeiro
Vi a saída da lua
Tive um gosto singulá
Em frente da casa tua
São vortas que o mundo dá"

"ditirambo
Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade"

"guararapes
[...]
Mas que sujeito loiro!"

"II
Bestão querido
Estou sofrendo
Sabia que ia sofrer
Que tristeza esse apartamento de hotel
[...]
Que distância!
Não choro
Porque meus olhos ficam feios"

"pronominais
[...]
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro!"

See also:
- Icons of Romanticism (Brazil);
- Pour une littérature mineur: Mário Quintana as I see him;
- Mario de Andrade, tel que je l'imagine (bricolage & fragments);
- Noite Morta (Manuel Bandeira, 1921);
- Favorite Drummond (with translation);
- Podem ficar com a realidade (Leminski);
- Poème du retour: Paulo Leminski et l'éternel moustache de Nietzsche;
- Two invisible phanopoeias & a silence (by Arnaldo Antunes) + Alice Ruiz;

Friday, July 15, 2016

Mario de Andrade, tel que je l'imagine (bricolage & fragments)




*****Fragmentos e imagens tirados de Mário de Andrade, Tatiana Longo Figueiredo e Telê Ancona Lopez, Poesia Completa, vols. 1 e 2 (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013).

Wesley Duke Lee
O Um (1977)

Francisco Mignone/ Valsa de Esquina #2;
Lundu Anonimo (video not available);

"São de uma violência brutal os poemas imputados, reconheço... derivavam todos (basta ver as datas) de circunstâncias especiais e íntimas de minha vida, quando me visitou o Demônio do Meio-Dia..."
(Carta a Oneyda Alvarenga, Rio de Janeiro, 29 de Outubro, 1940)
"Eu não me contentei em desejar a felicidade, me fiz feliz."
(Segundo prefácio ao Macunaíma)

See also:
- Icons of Romanticism (Brazil);
- Pour une littérature mineur: Mário Quintana as I see him;
- Pau Brasil (Oswald de Andrade);
- Noite Morta (Manuel Bandeira, 1921);
- Favorite Drummond (with translation);
- Podem ficar com a realidade (Leminski);
- Poème du retour: Paulo Leminski et l'éternel moustache de Nietzsche;
- Two invisible phanopoeias & a silence (by Arnaldo Antunes) + Alice Ruiz;

Wednesday, July 13, 2016

XV Fashion Shows

















Arnaldo Antunes (Futil, Moondo);
Marcel Duchamp, Notes;
Gucci;
Comme des Garçons;
Dior;
Margaret Howell;
Issey Miyake (video not available);
Y-3;
Vivienne Westwood;
Neil Barrett;
Maison Margiela;
Prada;
Rick Owens;
Givenchy;
Lou Dalton;
Craig Green SS16;
Thom Browne;
See also:
- "Podem ficar com a realidade" (Leminski) &/ou je prefere l'ivresse;
List of writers and "philosophers" et fashion designers...

Monday, July 11, 2016

Noite Morta (Manuel Bandeira) (1921) & Outros



Alfredo Andersen, Brincando no Jardim
Alfredo Andersen, Retrato de Dirceu Andersen (1930)
Lasar Segall, Floresta de Troncos Espaçados (1955)
Joaquín Torres García, Forma anímica en una estructura (1929)
Candido Portinari, Espantalho (1940)
Tarsila do Amaral, O Sapo (1928)
Lourenço Mutarelli (Quando meu pai se encontrou com o ET fazia um dia quente, 2011)
Almeida Júnior, Derrubador Brasileiro (1879)
Lasar Segall, Bananal (1927)
Samico, A Traição (1964)
Ascensão (2004)
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Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.

Ninguém passa na estrada,
Nem um bêbado.

No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.

O córrego chora.
A voz da noite...

(Não desta noite, mas de outra maior.)
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Intermezzo Mario Quintana:
Noturno
Tudo ficou mais leve no escuro da casa.
As escadas pararam de repente no ar...
Mas os anjos sonâmbulos continuam subindo os degraus truncados.
Atravessando os espelhos como se entrassem numa outra sala.
O sonho vai devorando os sapatos
Os pés da cama
O tempo.
Vovô resmunga qualquer coisa no fim do século passado.
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Outro M.B.:
O Anjo da Guarda
Quando minha irmã morreu,
(Devia ter sido assim)
Um anjo moreno, violento e bom,
— brasileiro
Veio ficar ao pé de mim.
O meu anjo da guarda sorriu
E voltou para junto do Senhor.
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Um Mário de Andrade:
Poemas da Amiga, I
A tarde se deitava nos meus olhos
E a fuga da hora me entregava abril,
Um sabor familiar de até-logo criava
Um ar, e, não sei porque, te percebi.

Voltei-me em flor. Mas era apenas tua lembrança.
Estavas longe, doce amiga; e só vi no perfil da cidade
O arcanjo forte do arranha-céu cor-de-rosa
Mexendo asas azuis dentro da tarde.
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See also:
- Amat Escalante;
- Icons of Romanticism (Brazil);
- Pour une littérature mineur: Mário Quintana as I see him;
- Pau Brasil (Oswald de Andrade);
- Mario de Andrade, tel que je l'imagine (bricolage & fragments);
- Jaguahém;
- Favorite Drummond (with translation);
- Podem ficar com a realidade (Leminski);
- Poème du retour: Paulo Leminski et l'éternel moustache de Nietzsche;
- Two invisible phanopoeias & a silence (by Arnaldo Antunes) + Alice Ruiz;

Thursday, July 07, 2016

Jaguanhém** (Jaguar Speech/ Homage to Juma***)






Picture taken by A/Z in December 2014, Museo de Arte Isaac Fernandez
(Grandes Maestros del Arte Popular) (for more see here);
Mestre Vitalino, Onças Atacando (década de 60)
(Museu da Casa do Pontal & M. A. dos Santos Mascelani,
O mundo da arte popular brasileira, 2009);
Samico, Luzia entre Feras (1968);
Francisco Brennand, Diana Caçadora (1980);
Nelson Leirner, Sem Título (da série “Assim é... se lhe parece” 5), 2003;
Nelson Leirner, Bala Perdida (São Sebastião) (2002);
Eli Heil, O sonho animal (1993);
From Ezra Pound's Canto XCIII;
Rafucko, Olympic Anti-Souvenirs;

"... te he visto entrar de noche en el Monte Barreto, sin zapatos y con los pies llenos de hormigas, como si estuvieses adormecido, y acariciar a los gatos salvajes como si tuvieses para ellos una contraseña..."
Lezama Lima, Paradiso

"If pets have unseen connections with people, what about connections between people and wild animals, taken for granted in shamanic traditions for milenia?"
Rupert Sheldrake, Seven Experiments

***Juma is the name of the jaguar shamefully sot during disastrous Olympic torch ceremony in Amazonia.

"'Meu Tio, o Iauaretê'... represents the most advanced stage" of Guimarães Rosa’s experiment with prose (a Joycean heritage): "not the story yelding to language, but language itself coming to the fore and giving shape to character and action—unloading the story” [não é a história que cede o primeiro plano à palavra, mas a palavra que, ao irromper em primeiro plano, configura a personagem e a ação, devolvendo a história] (Haroldo de Campos, "A Linguagem do Iauaretê," Metalinguagem e outras Metas, p. 58-59).
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Manuel Bandeira (Libertinagem)
Lenda Brasileira
A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o
que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado
no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde.
— Deus me perdoe!
Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do
caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.
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See also: 

Tuesday, July 05, 2016

Favorite Drummond (with translation) & Detail from Mutarelli's Quando meu Pai...



Mais Drummond;
Oswald de Andrade/ Serafim;
Manuel Bandeira/ Libertinagem;
Mario Quintana (O Ovo);
Tarsila do Amaral/ Urutu;
Francisco Brennand, O Grito (1981);
Lourenço Mutarelli, Quando meu pai se 
encontrou com o ET fazia um dia quente (
São Paulo: Companhia das Letras, 2011).


SCIENCE FICTION***
O marciano encontrou-me na rua
e teve medo de minha impossibilidade humana.
Como pode existir, pensou consigo, um ser
que no existir põe tamanha anulação de existência?

Afastou-se o marciano, e persegui-o.
Precisava dele como de um testemunho.
Mas, recusando o colóquio, desintegrou-se
no ar constelado de problemas.

E fiquei só em mim, de mim ausente.
***Carlos Drummond de Andrade,
Lição de Coisas (São Paulo: Companhia
das Letras, 2012, p. 70).


SCIENCE FICTION****
While stumbling on me in the street,
frightened by my human impossibility,
the Martian thought to himself:
"How can exist such a creature
whose existence pitifully overturns its being?"

He ran away, but I pursued him:
"Will you be my witness?"
But he then cagily disintegrated
in the airy constellation of problems.

And I kept to my own absence.
****Free translation (A/Z).

See also:
- Icons of Romanticism (Brazil);
Pour une littérature mineur: Mário Quintana as I see him;
Pau Brasil (Oswald de Andrade);
- Mario de Andrade, tel que je l'imagine (bricolage & fragments);
- Noite Morta (Manuel Bandeira, 1921);
- Podem ficar com a realidade (Leminski);
- Poème du retour: Paulo Leminski et l'éternel moustache de Nietzsche;
- Two invisible phanopoeias & a silence (by Arnaldo Antunes) + Alice Ruiz;