Saturday, July 30, 2016

who is afraid of Sylvia Plath?

"A Secret

A secret! A secret!
How superior.
You are blue and huge, a traffic policeman,
Holding up one palm—

[...]
An illegitimate baby—
That big blue head!"


"The Jailor

[...]
I have been drugged and raped.
Seven hours knocked out of my right mind
Into a black sack
Where I relax, foetus or cat,
Lever of his wet dreams.

Something is gone.
My sleeping capsule, my read and blue zeppelin
Drops me from a terrible altitude.
Carapace smashed,
I spread to the beaks of birds.

[...]
All day, gluing my church of burnt matchsticks,
I dream of someone else entirely.

[...]."


"Elm

[...]
Is it the sea you hear in me,
Its dissatisfactions?
Or the voice of nothing, that was your madness?

Love is a shadow.
How you lie and cry after it
Listen: these are its hooves: it has gone off, like a horse.

[...]
I have suffered the atrocity of sunsets.

[...]
Now I break up in pieces that fly about like clubs.
A wind of such violence
Will tolerate no bystanding: I must shriek.

[...]"


"Lesbos

[...]
The baby smiles, fat snail,
From the polished lozenges of orange linoleum.

[...]"


"Medusa

... kicking lovers.
Cobra light..."
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From Sylvia Plath, Ariel: the restored edition (New York: Harper, 2004).

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(Portrait taken 
from the Internet)













Wesley Duke Lee
Caríssimo Wesselmann (1964)






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Contre-effectuation


e. e. cummings:

"luminous tendril of celestial wish

(whying diminutive bright deathlessness
to these my not themselves believing eyes
adventuring, enormous nowhere from)

querying affirmation; virginal

immediacy of precision: more
and perfectly more most ethereal
silence through twilight's mystery made flesh—

dreamslender exquisite white firstful flame

—new moon! as (by the miracle of your
sweet innocence refuted) clumsy some
dull cowardice called a world vanishes,

teach disappearing also me the keen
illimitable secret of begin"




















From e. e. cummings, 100 selected poems (New York: Grove Press, 1954).

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(Portraits taken from the Internet)

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Manabu Mabe
Composição Abstrata (1979)













Manabu Mabe
Sem Título (1997)










Manabu Mabe
Viver (1986)


















Tomie Ohtake
Gravura em metal (1998)

Monday, July 25, 2016

Darkwaves beyond the 80's!! (toujours under construction)

Depeche Mode's Enjoy the Silence:


New Order's Sub-Culture:


The Cure's Lullaby:


The Cure's The Forest:


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More Depeche:

Martyr (Paul van Dyk Remix):

Only When I lose Myself (Lexicon Avenue Remix)

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Alfredo Andersen
Brincando no Jardim








Alfredo Andersen
Retrato de Dirceu Andersen (1930)










Almeida Júnior
Estudo de nú masculino (1873)











Candido Portinari
Menino de Brodowski (1946)










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Tomie Ohtake
Sem título (1965)

















Geraldo de Barros
Unilabor Chair (1954)















Ademar Manarini
Pavor (1951)



















German Lorca
Cavalo Bravo (1970)







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Anton Corbijn, Control (2007):




Pour une littérature mineur: Mário Quintana as I see him

"A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas...)
[...]
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo dos teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito..."

"— em meio aos ruídos da rua
alheio aos risos da rua —
todas as jubas do Sol
por uma trança da Lua!"

"Os luares extáticos...
A noite parada..."

"Havia um corredor que fazia cotovelo:
Um mistério encanado com outro mistério, no escuro...
[...]
Nós éramos quatro, uma prima, dois negrinhos e eu.
[...]
Onde andará agora o pince-nez da tia Tula?"

"Até o grande relógio de pêndulo parou.
O tempo está morto de pé dentro dele como um chefe asteca.
[...]
Os felinos farejam-me.
Antes eu estivesse morte e não sentiria nada...
Mas
A primeira coisa que um morto faz depois de enterrado
É abrir novamente os olhos...
Como é que eu sei disso, meu Deus?!
Tão fácil acender a luz... Estendo a mão
Para a lâmpada de cabeceira e toco
Uma parede fria
Úmida
Musgosa..."

"O meu Anjo da Guarda é dentuço,
Tem uma asa mais baixa que a outra.
[...]
Poeta, está na hora em que os galos móveis dos para-raios
Bicam a rosa dos ventos..."

"Que o digam as nuvens, esses lerdos e desmesurados cágados das alturas...
E então para disfarçar a gente faz literatura... e diz aos amigos que foi apenas uma folha morta que se desprendeu... ou que um pneu estourou, longe... na estrela Aldebaran..."

"Ai esquinas esquecidas...
Ai lampiões de fins de linha...
Quem me abana das antigas
Janelas de guilhotina?"

"E as vovozinhas de saia-balão
Como paraquedistas às avessas que subissem do fundo do tempo.

O relógio marcava a hora
[...]
Em cima do telhado...
Como um catavento que perdeu as asas!"

"Os grilos são poetas mortos."

"— Seu Mário, o senhor ainda não leu o CRUEL AMOR?"

"Desaparecido na batalha do Itororó!"

"...cachorrinho Victor"

"Nossas Almas? Seil lá!"



"Deve haver tanta coisa desabada...

Deve haver tanta coisa desabada
Lá dentro... Mas não sei... É bom ficar
Aqui, bebendo um chope no meu bar...
E tu, deixa-me em paz, Alma Penada!

Não quero ouvir essa interior balada...
Saudade... amor... cantigas de ninar...
Sei que lá dentro apenas sopra um ar
De morte... Não, não sei! não sei mais nada!

Manchas de sangue inda por lá ficaram,
Em cada sala em que assassinaram...
Pra que lembrar essa medonha história?

Eis-me aqui, recomposto, sem um ai.
Sou o meu próprio Frankenstein — olhai!
O belo monstro ingênuo e sem memória..."



"A lua de Babilônia

Numa esquina do Labirinto
às vezes
avista-se a Lua.
"Não! como é possível uma lua subterrânea?

(Mas cada um diz baixinho:
Deus te abençoe, visão...)"



"Terceira canção de muito longe

Da última vez que atravessei aquele corredor escuro
Ele estava cheio de passarinhos mortos..."



"Traduzido de Raymond Queneau

Meus Deus, que vontade me deu de escrever um poeminho
Olha, agora mesmo vai passando um!
Pst pst pst
Vem para cá para que te enfie
Na fieira dos meus outros poemas
Vem cá para que eu te entube
Nos comprimidos de minhas obras completas
Vem cá para que eu te empoete
Para que eu te enrime
Para que eu te enritme
Para que eu te enlire
Para que eu te empégase
Para que eu te enverse
Para que eu te emprose
Vem cá...
Vaca!
Escafedeu-se."



"Canção da noite alta

Menina está dormindo.
Coração bolindo.
Mãe, por que não fechas a janela?
É tarde, agora:
Pé ante pé
Vem vindo
O Cavaleiro do Luar.
Na sua fronte de prata
A lua se retrata.
No seu peito
Bate um coração perfeito.
No seu coração
Dorme um leão,
Dorme um leão com uma rosa na boca.
E o príncipe ergue o punhal no ar:
... um grito
aflito ...
            Louca!"



"A menina

Ao longo dos muros da morte
Corre a menina com o arco.
O vento agita-lhe a saia florida
E a terra negra nem lhe imprime o rastro..."














****Mário Quintana, Antologia Poética (Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015), com um ensaio de Eucanaã Ferraz.
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Almeida Júnior
Recado Difícil (1895)











Lasar Segall
Retrato de Lucy I (1935)







Candido Portinari
Retrato de João Candido com Cavalo (1941)











Samico
Retrato de Criança (1956)





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Manabu Mabe
Abstracionismo (1967)

Sunday, July 24, 2016

Brazil on a High &/or the Halcyon Days of Arnaldo Jabor





Foi provavelmente uma das experiências mais bem-aventuradas que já tive.
Gerald Thomas, Entre Duas Fileiras

... they are lyricists who plunge themselves into the abyss of laughter and then let
its volcanic might cast them onto the stage...
Constantine Constantius (translation M. G. Piety)










Paulo Sacks, Darlene Glória
and Paulo Porto in
Toda Nudez Será Castigada (1973)








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And here is the 1976's film for which Beethoven composed the 2nd Movement of his 7th Symphony:



"Jabor filmou as vísceras de Nélson... O Casamento seria montado sobre o cadáver de Adriana Prieto... eternidade da musa, sempre Adriana." [Jabor filmed the guts of Nelson Rodrigues. The Wedding would be edited over Adriana Prieto's corpse... eternity of the muse, Adriana always] Glauber Rocha, Revolução do Cinema Novo (Cosac Naify, 2004, p. 449).

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***More Nelson Rodrigues in cinema:





















Fernanda Montenegro and Ivan Cândido,
in Leon Hirszman's A Falecida (1965);

Saturday, July 23, 2016

Pau Brasil (Oswald de Andrade)

This was (still is) written against "the new rich artists, literary officials, pompous academicians, provincial geniuses, and the poets of parliamentary report" &/or members of "the Freemasonry of Cronyism" [novos-ricos da arte, empregados públicos da literatura, acadêmicos de fardão, gênios das províncias, poetas do Diário Oficial... Maçonaria da Camaradagem] (Paulo Prado, "Poesia Pau Brasil").

Brazil: society of "derelict savants" [náufragos eruditos] and encyclopedic congestion [rebentaram de enciclopedismo] (Oswald de Andrade, "Falação").
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An Aside by Ezra Pound:

"Salutation the second

You were praised, my books
[...]

Here are your bells and confetti.
Go! rejuvenate things!
Rejuvenate even 'The Spectator.'
               Go! and make cat calls!
Dance and make people blush,
Dance the dance of the phallus
               and tell anecdotes of Cybele!
Speak of the indecorous conduct of the Gods!

Ruffle the skirts of prudes,
                speak of their knees and ankles.
But, above all, go to practical people —
                go! jangle their door-bells!
Say that you do not work
                and that you will live forever."
























"... certain emotions as vital to me... faced with the infinite and ineffable imbecility of the British Empire, as they were to Propertius some centuries earlier, when faced with the infinite and ineffable imbecility of the Roman Empire..." (Pound about his "Homage to Sextus Propertius"; New Selected Poems and Translations, edited by Richard Sieburth, New Directions, 2010, p. 298).


An Aside by Mário de Andrade (sem tradução, que preguiça!):
"Quanto a algum escândalo possível que o trabalho possa causar, sem sacudir a poeira das sandálias, que não uso sandálias dessas, sempre tive uma paciência (muito) piedosa com a imbecilidade pra que o tempo do meu corpo não cadenciasse meus dias de luta com noites cheias de calma..." (1st Preface to Macunaíma).
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"fazenda antiga

O Narciso marcineiro
Que sabia fazer moinhos e mesas
E mais o Casimiro da cozinha 
Que aprendera no Rio
E o Ambrósio que atacou Seu Juca de faca
E suicidou-se
As dezenove pretinhas grávidas"






Antonio Parreiras
Residência da Família Parreira Horta 
circa 1898





"caso

A mulatinha morreu
E apareceu
Berrando no moinho
Socando pilão"


"o medroso

A assombração apagou a candeia
Depois no escuro veiu com a mão
Pertinho dele
Ver se o coração ainda batia"


"medo da senhora

A escrava pegou a filhinha nascida 
Nas costas
E se atirou no Paraíba
Para que a criança não fosse judiada"


"levante

Contam que houve uma porção de enforcados
E as caveiras espetadas nos postes
Da fazenda desabitada
Uivam de noite
No vento do mato"


"pae negro

Cheio de rótulas
Na cara nas muletas
Pedindo duas vezes a mesma esmola
Porque só enxerga uma núvem de mosquitos"


"assombração

6 horas
O Domingos Papudo
E a besta preta
Nadando no vento"
















Cecília Meireles
Menino com cesto à cabeça










Candido Portinari
O Flautista (1942)






Pierre Verger
(Fundação Pierre Verger, Mar da Bahia)










Pierre Verger
(Fundação Pierre Verger, Mar da Bahia)






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Intermezzo Mário Quintana:













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"o violeiro

Vi a saída da lua
Tive um gosto singulá
Em frente da casa tua
São vortas que o mundo dá"


"ditirambo

Meu amor me ensinou a ser simples
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade"


"guararapes

[...]
Mas que sujeito loiro!"


"II

Bestão querido
Estou sofrendo
Sabia que ia sofrer
Que tristeza esse apartamento de hotel
[...]

Que distância!
Não choro
Porque meus olhos ficam feios"


"pronominais

[...]
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro!"
















































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"procissão de enterro

A Verônica estende os braços
E canta
O pálio parou
Todos escutam
A voz na noite
Cheia das ladeiras acesas"


"simbologia

[...]
O soldado romano
É zangadíssimo
E tem cabelo na cara

O padre saiu para a rua
De dentro de um quadro antigo"


"sábado de aleluia

[...]
Judas balança caído numa árvore
Do céu doirado e altíssimo

Jardins
Palmeiras
Negros"


"ressurreição

Um atropelo de sinos processionais
No silêncio
Lá fora tudo volta
À espetaculosa tranquilidade de Minas"






Jesuíno do Monte Carmelo
Detalhe do forro da Igreja da Ordem Terceira do Carmo Itu
(Percival Tirapeli, Arte Sacra Colonial)






São Francisco das Chagas
Capela da Nossa Senhora dos Aflitos, São Paulo
(Percival Tirapeli, Arte Sacra Colonial)








Aleijadinho
Nosso Senhor da Paciência
(Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, 
Antônio Francisco de Lisboa, o "Aleijadinho": 
o que vemos e o que sabemos)


Friday, July 15, 2016

Mario de Andrade, tel que je l'imagine (bricolage & fragments)

"São de uma violência brutal os poemas imputados, reconheço... derivavam todos (basta ver as datas) de circunstâncias especiais e íntimas de minha vida, quando me visitou o Demônio do Meio-Dia..."
(Carta a Oneyda Alvarenga, Rio de Janeiro, 29 de Outubro, 1940)

"Eu não me contentei em desejar a felicidade, me fiz feliz."
(Segundo prefácio ao Macunaíma)


"Boca hitlerista,
Vossa boca é mesmo que um gato"
- (Os Gatos, A Costela do Grã Cão)


"Movimento

O vento corta os seres pelo meio, 
Só um desejo de nitidez ampara o mundo...
Faz sol. Fez chuva. E a ventania
Esparrama os trombones das nuvens no azul.

Ninguém chega a ser um nesta cidade, 
As pombas se agarram nos arranha-céus, faz chuva. 
Faz frio. E faz angústia... É este vento violento
Que arrebenta dos grotões da terra humana
Exigindo céu, paz e alguma primavera." 
- (A Costela do Grã Cão)
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"Noturno N. 3

... Estrelas competindo em alegria com os grilos.

O pijama sobre a pele cansada.
Tactilismo balsâmico...
                                       silêncio...
                                       sio...
                                       sio...

No charco próximo
Pelos ouvidos atentos das venezianas
Barítono
Monótono, binário
Duma melancolia deslumbrada...
SAPO."

"Noturno N. 4

Com este calor quem dormirá!...
A escuridão acumulou-se em minha rua
E encapuça a cabeça alemã dos lampiões...

Eu preciso de alguém...
Meus olhos varrem a escuridão.
Mas somente o calor a se mexer
Sob a vigilância implacável das estrelas.
Dir-se-ia que os burgueses dormem...
                          Casais suados
                          Virgens vazias
                          Crianças descobertas...
O que mais me comove é pensar nos solteirões.
Os solteirões mastigam o silêncio..."

- (Enviados a Anita Malfati, 13 de janeiro 1924)
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"Nem saudade, nem prazer.
Inebriei-me de manhãs e de imprevistos.
               Minhas bebedeiras sentimentais!
               Meu vício original!

Recordamos esquerdas-volver e meias-voltas...
               Volta e meia vamos dar."

"Dor.
Lassitude.
Qualquer coisa como ter perdido o trem...
[...]
A própria dor é uma felicidade"

- (versões de poemas de Losango cáqui enviadas a Manuel Bandeira)
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"Eu quisera ser soldado!
Mas não para batalhar!
Para andar todo fardado
e a gente na rua olhar"

- (Canção de Soldado, Poesias inéditas e esparsas)
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"Uva

Baga oval de esmeralda transitória
Que destróis do presente a desventura
Gota de luz vaguíssima e ilusória
Cheia de esquecimento e de loucura..."

- (escrito no verso de uma partitura)
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"... Um cais
           E torres de cidades estrangeiras
              Grandes, quadrados armazéns
                  O famoso Jardim Zoológico
                          Auf Wiedersehen!..."

"               ... cabelos fogaréu...
          O sol me enlaça..."

- (de manuscritos de Losango cáqui)
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"... Prazer que mais se deseja
Quanto mais custoso e incerto,
Espuma branca que alveja
Mais de longe que de perto!"

- (de poema musicado por Marcelo Tupinambá)

























*****fragmentos e imagens tirados de Mário de Andrade, Tatiana Longo Figueiredo e Telê Ancona Lopez, Poesia Completa, vols. 1 e 2 (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013).
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Wesley Duke Lee
O Um (1977)







Anonymous Lundu: 



Francisco Mignone/ Valsa de Esquina #2: