O Amuleto de Ogum (Nelson Pereira dos Santos, 1974); Setença de Deus (Ivan Cardoso, 1972); Night of the Living Dead (George A. Romero, 1968/Youtube);
"... blackness is also attributed to the sun, according to a certain long-hidden tradition. One of the shocks for candidates in the "Mysteries" was the revelation 'Osiris is a blackgod'."
Aleister Crowley, The Book of Thoth
"... However, I also felt that adding voodoo to our experimental repertoire would be socio-politically explosive. So we didn't try it again. One can push the envelope only so far in a university setting without causing administrators to faint. I've met a few who were tough and capable of withstanding the heat generated by controversy. But others? Well, let's just say that they tend to spook easily..."
Dean Radin, Real Magic (Harmony/Penguin 2018)
"Quando me falaram que meu orixá era Oxosse e que tinha que ir na floresta arriar um trabalho pra ele, senti o maior prazer. Já fiz trabalhos pra todas as entidades, e achava lindo colocar comida, de noite, no alto de uma mangueira. Não sei nem se as entidades precisam de comida, mas, para mim, constituía um ato simbólico e muito bonito: eu preparava as comidas e levava no lugar correspondente a cada uma. No dia do último trabalho, exatamente para Oxosse, fui ao Alto da Boa Vista com a mãe-de-santo, e, na hora em que estava colocando o trabalho numa mangueira enorme, ouvi um monte de galhos estalando ao redor, como se fosse muita gente caminhando. Só que não havia mais ninguém, e a mãe-de-santo começou a conversar com as entidades. Na hora, fiquei muito assustado."
Ney Matogrosso (Denise Pires Vaz/ Um cara meio estranho)
"...Nelson pensa ser necessário e possível captar e colocar na tela os valores populares... sem julgá-los, sem criticá-los. É o que faz O amuleto de Ogum, que assume como positivos valores religiosos umbandistas."
Jean-Claude Bernadet, Cinema Brasileiro: propostas para uma história
"O amuleto de Ogum não é um filme policial nem um filme de gangue. O que Nelson tenta é se dirigir ao público fazendo uma proposta dramática e estética original. Nesse sentido, O amuleto de Ogum é um filme experimental."
Irma Alvarez, Sérgio Sanz e Reginaldo Faria in Porto das Caixas (1962);
Norma Bengel, Carlos Kroeber e Augusto Rodrigues Lourenço em A Casa Assassinada (1971);
"Paulo César é um cineasta que muito admiro. Tanto no Bandido como na Pistoleira há coisas que observei nos filmes dele e que procurei desenvolver. Eu quis passar o heroísmo do plano masculino para o plano feminino, inclusive por achar que, neste momento, os homens estão se atrasando em relação às mulheres: a meu ver, elas estão adquirindo consciência mais rapidamente que nós."
Rogério Sganzerla (Jornal do Brasil, 1969)
"... o caso de Porto das Caixas no cine Metro em São Paulo: entre a sala, seu público e o filme, nada se estabeleceu. Os frequentadores dessa sala deviam procurar outro tipo de divertimento que não um filme lento, discreto, em preto e branco. O filme entrou nessa sala com a exclusiva finalidade de satisfazer a lei. E, talvez, com outra secreta finalidade: ao programar um filme totalmente inadequado para seu público e deixar a sala às moscas, o exibidor pretende provar que cinema brasileiro não é rentável."
Jean-Claude Bernadet, (Cinema Brasileiro: propostas para uma história)
Elza Gomes in Guerra Conjugal (Joaquim Pedro de Andrade, 1975);
Aleijadinho (Joaquim Pedro de Andrade, 1978);
O Padre e a Moça (Paulo José & Helena Ignez) (Joaquim Pedro de Andrde, 1966);
"La alucinación del Aleijadinho parecía querer llenar la ciudad. Ouro Preto está ceñido por sus desapariciones y apariciones en su mulo de relámpagos nocturnos... en el crepúsculo de espeso follaje sombrío, llega con su mulo, que aviva con nuevas chispas la piedra hispánica con la plata americana, llega como el espíritu del mal, que conducido por el ángel, obra en la gracia" (José Lezama Lima, La Expresión Americana).
"High Renaissance figures are, as a rule, built up around a central axis which serves as a pivot for a free, yet balanced movement of the head, shoulders, pelvis, and extremities. Their freedom is, however, disciplined according to what Adolf Hildebrand has called the principle of Reliefanschauung which he mistook for a general law of art while it is merely a special rule applying to classical and classicizing styles: the volume is cleansed of its torturing quality so that the beholder, even when confronted with a statue worked in the round, might be spared the feeling of being driven around a three-dimensional object... (approximate symmetry; preference for moderate angles as opposed to rigid horizontals, verticals and diagonals; and emphasis of undulating contours)... a picture free from excessive foreshortenings, obstructive overlappings... The Manneristic figura serpentinata, on the contrary, not only does not avoid but actually revels in what Hildebrand has called das Qualende des Kubischen (the torturing quality of the three-dimensional)... a Mannerist statue... seems gradually to turn round so as to display, not one view but a hundred more... multi-view... revolving-view... The Baroque abandons the Manneristic taste not in favour of classic discipline and equilibrium, but in favour of seemingly unlimited freedom in arrangement, lighting and expression... Baroque statues are fused with the surrounding space... Its aspect is comparable to that of the stage of a theatre... Michelangelo [idiosincraticaly] tortures the beholder not by driving him around teh figure, but by arresting him in front of volumes which seem to be chained to a wall, or half imprisoned in a shallow niche, and whose forms express a mute and deadly struggle of forces forever interlocked with each other... each of his figures is subjected to a volumetric system of almost Egyptian rigidity. But the fact that this volumetric system has been forced upon organisms of entirely un-Egyptian vitality, creates the impression of an interminable interior conflict... their unhappiness is essential... Inexorably shackled, they cannot escape from a bondage both invisible and inescapable. Their revolt increases as the conflict sharpens; at times a breaking point is reached, so that their vital energies collapse... attitudes of repose do not connote peaceful tranquility but absolute exhaustion, deadly torpor, or fitful drowsiness... figures are conceived not in relation to an organic axis but in relation to the surfaces of a rectangular block... They are modelled by the characteristic cross-hatching, which even in drawing look like chisel-marks" (Panofsky).
Glauber Rocha & Hélio Oiticica em À Meia Noite com Glauber (Ivan Cardoso, 1997);
Terra em Transe most beautiful (accomplished) scene;
Danuza Leão in A Idade da Terra (The Age of the Earth);
+ Idade da Terra (the most beautiful scenes);
Idade da Terra (most intelligent scenes);
Claro (1975);
"... the people who are very talented, but whose talents are hard to define and almost impossible to market. That was the 'staff' of Andy Warhol Enterprises... I didn't expect the movies we were doing to be commercial. It was enough that the art had gone into the stream of commerce, out into the real world."
Andy Warhol
"More and more I have the feeling that we are getting nowhere. Slowly, as the talk goes on, we are getting nowhere and that is a pleasure. It is not irritating to be where one is. It is only irritating to think one would like to be somewhere else."
John Cage (Lecture on Nothing)
"... art is a sort of experimental station in which one tries out living; one doesn't stop living when one is occupied making the art, and when one is living, that is, for example, now reading a lecture on something and nothing, one doesn't stop being occupied making the art..."
"... the movement with the wind of the Orient and the movement against the wind of the Occident meet in America and produce a movement upwards into the air..."
John Cage (Lecture on Something)
"The figures in the ISCM and the League were not powerful aesthetically, but powerful only politically."
John Cage (History of Experimental Music in the United States)
"J'emmerde l'Art."
Satie/Cage
"É difícil definir o cinema novo, sem dúvida. É uma igrejinha, mas também um movimento coletivo, talvez o mais importante da cultura brasileira nestes últimos vinte anos."
Rogério Sganzerla (Tribuna de Imprensa, 1968)
"Falaram tanto em democracia nas telas, mas são diametralmente o oposto na prática. Acabaram criando uma burocracia que eu definiria como asnocracia."
"... o mercado é tão inferior, tão pouco revelador da realidade, que na medida que os filmes são marginalizados, mais eles farão presença na história."
Rogério Sganzerla (Tribuna da Imprensa, 1987)
"O que é lamentável é dizer, com derisão, que hoje ninguém está mais influenciado, que ninguém mais vive sob a sombra de Glauber Rocha. É uma pena, porque ele é um grande autor, um grande cineasta. Mas não deixou seguidores — e não os deixou, sobretudo, entre aqueles que o cercavam."
Rogério Sganzerla (Folha de São Paulo, 1995)
"... l'agitation ne découle plus d'une prise de conscience, mais consiste à tout mettre en transe, le peuple et ses maîtres, et la caméra même, tout pousser à l'aberration, pour faire communiquer les violences autant que pour faire passer l'affaire privée dans le politique, et l'affaire politique dans le privé..."
"Sa critique interne allait d'abord dégager sous le mythe un actuel vécu qui serait comme l'intolérable, l'inviable, l'impossibilité de vivre maintenant dans 'cette' société... il s'agissait ensuit d'arracher à l'invivable un acte de parole qu'on ne pourrait pas faire taire, un acte de fabulation qui ne serait pas un retour au mythe mais une production d'énoncés collectifs capable d'élever la misère à une étrange positivité, l'invention d'une peuple"
Gilles Deleuze (L'Image Temps)
"Encontramos nas cidades a mesma hierarquia do campo; é uma herança do tempo do latifúndio, de uma mentalidade da Idade Média com, certamente, influências da civilização moderna. Em Terra em Transe a maior ambição que eu tinha era denunciar essas estruturas e paralelamente mostrar uma estrutura dramática em vias de se destruir. É por isso que que Terra em transe tem relação com Deus e o diabo. Trata-se da destruição de um discurso que já foi iniciado em Deus e o diabo..."
"Lembro-me de que dizia ao montador: estou enojado porque não acho que haja um único plano bonito neste filme. Todos os planos são feios, porque se trata de pessoas prejudiciais, de uma paisagem podre, de um falso barroco. O roteiro me impedia de chegar à espécie de fascinação plástica que se encontra em Deus e o diabo."
Glauber Rocha interview with Michel Cement.
"Apesar de fazer cinema voltado para a realidade social, nunca admiti nenhuma forma de demagogia estética em face de uma arte política; porque o que acontece é que existem intelectuais, escritores, artistas e cineastas que justificam uma péssima qualidade da obra artística em nome de intenão poítica progressista."
Glauber Rocha ("O Transe da América Latina")
"A imagem desfocada, a não ser que se trate de experiência estética, não funciona."
Glauber Rocha interview with Federico de Cárdenas e René Capriles.
"... muitas pessoas disseram tratar-se de uma inveção surrealista quando o filme era um documentário... ainda que o estilo seja bastante desigual, nota-se que, em planos muito diferentes, a câmera tem uma psoição documental."
Glauber Rocha (Cahiers du Cinema)
"... a luta pela democracia é uma luta que estrutura todas as estórias. A partir daí, eu trato sempre do mesmo tema, ou seja, a luta de classe. Sou um cineasta que tem um esquema muito aberto do jogo..."
Glauber Rocha ("A Campanha contra a Embrafilme")
"... a única coisa que Terra em Transe tem a dizer ao 'povo' é nós estamos do lado de cá e vocês do lado de lá; nós não nos sentimos bem com isso; e vejam como nós, de tão atrapalhados, não conseguimos liderar vocês."
Jean-Claude Bernadet ("Mas o público não entende...")
"...o Cinema Novo tem no conflito autor-espectador uma de suas características básicas e necessárias... não era mera atitude de oposição, foi estímulo criador..."
Jean-Claude Bernadet ("Um autor do cinema brasileiro...")