Monday, September 13, 2021

Iberê, self-taught painter: "Aprendi num só dia com Guignard mais do que em 4 anos na Escola de Belas-Artes" & PLUS






montage by AZ (for more see here) with original images from Vera Beatriz Siqueira, Iberê Camargo: Origem e Destino (Cosac Naify 2009); 
5 drawing studies by AZ (graphite, pencil and pen on paper; for more see here) on Cândido Portinari's Menino de Brodowski (1956);

"Chegou mesmo a falar, ainda no início de sua carreira, que se pudesse alugaria um ateliê novo só para deixar para trás os quadros já realizados, que virava para a parede como se estivessem de castigo. 'Eles me penetram com tanta itnensidade que quase sinto ter que repartir com eles o ar que meio respiro nesse quadrado povoado de imagens."
"Diante da crise do suporte, afirma-se como 'um dinossauro, o último dos pintores.'"
"'Uma luminescência fosfórica — lembrança de luz — banha o espaço, sem deixar sombra alguma. Amanhecer ou anoitecer, início ou fim, vida ou morte?'" [Paulo Venâncio Filho, sobre Solidão].
"... Percebeu na paisagem austera do Sul uma série de sugestões metafísicas, além da melancolia e da solidão essenciais à sua poética."
"... O agitado mar de Torres é símbolo do drama humano, da resistência à ordenação... Nas palavras de Ronaldo Brito... 'A planta acaba assim dividida entre uma área de ordenação simétrica e um convulso espaço barroco.'"
"A impetuosidade e a rapidez das pinceladas... falam da energia criativa do artista tanto quanto da fúria da natureza... Para Wilson Coutinho, 'a cor é pensada como matéria pura' e o pintor 'já está a caminho d e questionar a superfície da tela.'"
"... Solidão que se tornava ainda maior na cidade de Porto Alegre, que o próprio Iberê percebeu como provinciana e conservadora."
"'Aprendi num só dia com Guignard mais do que em 4 anos na Escola de Belas-Artes.'"
"Para encontrar o seu próprio mundo, precisava de outras referências. A mais consistente delas, ainda nesse  período, é  certamente  a obra do gravador expresssionista Oswaldo Goeldi."
"Desde  os anos 1920, a obra de Girogio de Chirico dialogava diretamente com a tradição clássica italiana. Essa combinação de aprumo técnico e contato com a tradição parece interessar especificamente Iberê, ainda que possamos também perceber afinidades com as qualidades emocionais e misteriosas de sua Pintura Metafísica."
"A matéria grossa que impregna o pequeno quadro deseja soltar da tela, solicita que a  natureza desapareça aos golpes escultóricos de tinta" [Wilson Coutinho, sobre Dentro do Mato].
"A pintura de naturezas-mortas e, mais especificamente, de carretéis é identificada, para a grande maioria dos estudiosos da obra de Iberê Camargo, como o momento em que ele passa a contribuir de forma pessoal e original como artista moderno. Há nessa afirmação uma verdade incontestável. A adoção dos carretéis, inicialmente como objeto de suas naturezas-mortas e, posteriormente, como elemento autônomo, foi decisiva na definição dos contornos daquilo que hoje entendemos como sua obra."
"... A luz é fria, azulada. Essa concisão cromática e temática dá um aspecto original a suas obras. Paulo Venâncio Filho chama a nova estrutura de 'medieval', enquanto Ronaldo Brito lembra o aspecto 'um tanto gótico' de seus carretéis."
"Iberê encontra no carretel um motivo que, por suas próprias caraterísticas físicas e pelo vínculo imediato com a memória da infância, oferece oportunidade de experimentar uma nova conjugação de forma e signo. E a maneira essa forma-signo se identifica com a própria materialidade da pintura, surgindo das camadas de tinta que o artista aplica e retira, aponta para a questão da espiritualização da matéria — outro tema caro da arte medieval — como fato central de sua poética."
"Muito já se falou sobre o fato de o carretel ter sido seu brinquedo de infância. O próprio Iberê se encarrega de repetir isso em inúmeras entrevistas, mostrando o quanto a associação a memória e o passado era relevante."
"Com o tempo, some a mesa que apoiava os carretéis e a relação que eles estabelecem entre si se converte em pura 'estrutura dinâmica', como atesta o título de algumas obras de então: Estrutura dinâmica (1961) ou Estrutura em movimento I (1962)."
"'... não esperava tornar-me abstrato, não tinha essa intenção. Eu estava pintando aquele carretel que estava sobre a mesa, que era para mim carretel muito importante porque tinha sido o brinquedo da minha infância. Ele era muito carregado de reminiscências e vivências minhas... E assim, depois, esses carretéis se transformaram em núcleos, até esses núcleos explodirem.'"
"Termos como figurativo e abstrato tornam-se francamente inapropriados. Tampouco podemso decidir por um dos lados da tradicional oposição entre expressão e geometria... Podemos [em certo sentido] pensar em aproximações singulares com o neoconcretismo... Hélio Oiticica, Lygia Pape e Lygia Clark procuravam inserir acontecimentos poéticos no interior de estruturas geométricas."
"Iberê concilia a resposta às demandas de seu tempo com a defesa arraigada da tradição e com um caminho solitário e dissonante dentro da arte brasileira e internacional."
"Essa compreensão da história da arte como matéria da obra, com a qual precisa dialogar de maneira direta e singular, aproxima0se do sentido mais geral do seu empenho com relação aos materiais e técnicas artísticas: trata-se, a rigor, da identificação com a materialidade da arte, enquanto tradição e experiência do absoluto."
"... muito do espanto causado pela obra abstrata de Iberê, realizada entre os anos de 1950 e 1980, diz respeito a essa fatura peculiar e à textura alcançada pelas massas de tinta que ora se acumulam, ora são retiradas a ponto de deixar à vista o tecido da tela."
"Iberê voltava-se de costas para a tela e, com o auxílio de um espelho, começava de outro ângulo a interrogá-la novamente."
"Talvez fosse mais eficaz uma comparação com a arte europeia, especialmente com a abstração expressiva do grupo CoBrA ou de Jean Dubuffet, com suas poéticas da matéria, ainda que a estrutura e a densidade dos trabalhos de Iberê sejam radicalmente diferentes do aspecto desconstruído das obras dos artistas europeus."
"O fato de o pintor ter ficado várias de suas obras — formando a coleção que hoje pertence à Fundação Iberê Camargo — mostra, igualmente, como não cedeu às tentações do mercado. Parece sentir que, mais relevante em termos culturais, seria atuar como colecionador de si mesmo..."
"'Hoje me interessa a fantasmagoria dos homens e suas imagens interiores...'"
"'Toda pintura e abstrata, porque resulta da depuração da forma e da linha...'"
"Nenhum drama, tampouco, vem do ambiente que cerca suas figuras, cuja desolação tanto pode remeter à austeridade da paisagem sulista de sua infância quanto ao fim dos tempos, 'o primeiro dia depois do fim do mundo.' Como Van Gogh — um dos mestres que escolhe para si —, sabe que precisa tirar mais 'da pintura do que da própria realidade.'  O drama existe na luz fria, pesada e azulada..." 
***everything from: Vera Beatriz  Siqueira, Iberê Camargo: Origem e Destino (Cosac Naify, 2009); 

"A matéria também sonha. Procuro a alma das coisas" [Gaveta dos Guardados, Porto Alegre 1993-94].
"O escuro aumenta a solidão e torna o espaço infinito" [Hiroshima, 1993].
"Deve ser um homem primitivo, que ainda conserva intacta a sabedoria da  natureza, esse conhecimento  ainda não corrompido pela presunçosa ciência" [Hiroshima, 1993].
"... rumores  familiares que não se identificam, que ora lembram passos, ora pancadas, ora correntes que as almas do outro mundo arrastam para assustar..." [Hiroshima, 1993].
"... filho de  um velho  amigo... Assim eu o encontrei, já quase esquecido do dia em que me aterrorizou a infância, com sua arma de  caça apontada persistentemente para mim, acompanhando meus passos como se eu fosse um alvo móvel. Nunca trocamos palavras" [Há gente caminhando dentro de mim, 1994].
"Crianças não se dizem adeus. Tua imagem vai comigo junto com essas lembranças" [Ígea, 1992].
"Tenho então o coração tranquilo" [Ígea, 1992]. 
"Mário Quintana disse: 'A imaginação é a memória que enlouqueceu.' O poeta sempre intui a verdade" [Os carretéis, Rio de Janeiro 1974].
"Descobri, então, um defeito: duas pinceladas rompiam a tecedura da matéria. Eram como fios soltos de uma trama. Com golpes de espátula, procurei incorporá-las. Sucederam-se várias tentativas e os insucessos... Raspei a  tela: a tinta, então, caía no chão  e e u  a espalhava com meus passos de sonâmbulo.  Pisava  carne que fora vida" [Ângela Maria].
"A força expressiva de Goeldi está em permanecer autêntico, fiel a si mesmo, indiferente à crítica que largo tempo o relegou. Considero sua obra da máxima importância" [Oswaldo Goeldi, Porto Alegre 1961].
"O progresso é uma ação de despejo em execução" [O Riacho, 1993].
"Este cenário, que me  repercute dentro, multiplica-se ao infinito nas facetas de um prisma que imagino. Serão imagens coloridas, serão quadros: a mesma face repetida" [Correio].
"Solitário, devo conviver  comigo mesmo. Não há mais esquecimento, nem sono" [O tormento de Deus, 1992].
"Talvez a eternidade também seja o tormento de Deus" [O tormento de Deus, 1992].
"...  o doutor Valentim, negro retinto e pachola, permanentemente bêbado, a enticar na hora do trem com a  negra Egalantina, empregada de minha mãe, com este estribilho: 'No céu não luzem estrelas pretas'. Ainda, o buraco fundo com seus ninhos de caturritas..." [Um esboço autobiográfico].
"... Porto Alegre era uma cidade provinciana, conservadora... O Instituto de Belas Artes, fechado ao modernismo, intolerante, congregava a maioria dos pintores que exerciam o magistério..."  [Um esboço autobiográfico].
"Minha contestação é feita de renúncia, de não participação, de não conivência, de não alinhamento com o que não considero ético e justo" [Um esboço autobiográfico].
"A fatura de meus  quadros é densa, pastosa, por uma necessidade de expressão, por uma necessidade quase tátil e sensual no emprego da matéria" [Um esboço autobiográfico].
"Jamais pedi atestado de ideologia aos meus amigos" [Um esboço autobiográfico].
***everything from Iberê Camargo, Gaveta dos Guardados (org. Augusto Massi, Cosac Naify, 2009);

See  also:
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Le philosophe, le sage, le scientiste, l'artiste — qu'est-ce que c'est? (Gilles Deleuze & Félix Guattari)


"Mais il n'y aurait pas seulement différence de degré, comme sur une échelle, entre le philosophe et le sage: le vieux sage venu d'Orient pense peut-être par Figure, tandis que le philosophe invente et pense le concept."
"La rivalité culmine avec celle du philosophe et du sophiste, qui s' arrachent les dépouilles du vieux sage, mais comment distinguer le faux ami du vrai, et le concept du simulacre?... c'est tout un théâtre platonicien qui fait proliférer les personnages..."
"... autrui n'est personne, ni sujet ni objet. Il y a plusieurs sujets parce qu'il y a autrui, non pas l'inverse... Les concepts vont donc à l'infini et, étant créés, ne sont jamais créé de rien... Le concept se  définit par l'inséparabilité d'un nombre fini de composantes hétérogènes parcourues par un point en survol absolu, à vitesse infinie... la philosophie n'est pas une formation discursive, parce qu'elle n'enchaîne pas des propositions."
"... des phrases ou d'un équivalent, la philosophie tire des concepts (qui ne se confondent pas ave des idées générales ou abstraites), tandis que la science tire des prospects (propositions qui ne se confondent pas avec des jugements), et l'art tire des percepts et affects (qui ne se confondent pas davantage avec des perceptions ou sentiments)..."
"L'image de la pensée implique une sévère répartition du fait et du droit: ce qui revint à la pensée comme telle doit être séparé des accients qui renvoient au cerveau, ou aux opinions historiques."
"Ce qui est en mouvement, c'est l'horizon même: l'horizon relatif  s'éloigne quand le sujet avance, mais l'horizon absolu,  nous y sommes toujours  et déjà, sur le plan d'immanence."
"Si la philosophie commence avec la création des concepts, le plan d'immanence doit être considéré comme pré-philosophique. Il est présupposé, non pas à la manière dont un concept peut renvoyer à d'autres mais dont les concepts renvoient eux-mêmes à une compréhension non-conceptuelle."
"Ce qui caractérise le chaos, en effet, c'est moins l'absence de déterminations que la vitesse infinie à laquelle elles s'ébauchent et s'évanouissent: ce n'est pas un mouvement de l'une à l'autre, mais au contraire l'impossibilité d'un rapport entre deux déterminations, puisque l'une n'apparaît pas sans que l'autre ait déjà disparu, et que l'une apparaît comme évanouissante quand l' autre disparaît comme ébauche."
"C'est quand l' immanence n'est plus immanente à autre chose que soi qu'on peut parler d'un plan d'immanence... Celui qui savait pleinement que l'immanence n'était qu'à soi-même, et ainsi qu'elle était un plan parcouru par les mouvements de l'infini, rempli par les ordonnées intensives, c' est Spinoza."
"Dans le cas des figures, au contraire, le pré-philosophique montre que le plan d'immanence lui-même  n'avait pas pour destination inévitable une création de concept ou une formation philosophique, mais pouvait se déployer dans des sagesses et des religions suivant une bifurcation qui conjurait d'avance la philosophie du point de vue de sa possibilité même."
"Gardant l'infini, la philosophie donne une consistance au virtuel par concepts; renonçant à l'infini, la science donne au virtuel une référence qui l'actualise, par fonctions."
"De telles limites ne valent pas par la valeur empirique qu'elles prennent seulement dans des systèmes de coordonnées, elles agissent d'abord comme la condition de ralentissement primordial qui s'étend par rapport à l'infini sur toute l'échelle des vitesses correspondantes, sur leurs accélérations ou ralentissements conditionnés. Et ce n'est pas seulement la diversité de ces limites qui autorise à douter de la vocation unitaire de la science; c'est chacune en effet qui engendre pour son compte des systèmes de coordonnées hétérogènes irréductibles, et impose des seuils de discontinuité..."
"Ce qui fait la théorie des ensembles, c'est inscrire la limite dans l'infini lui-même, sans quoi il n'y  aurait jamais de limite: dans sa  sévère hiérarchisation, elle instaure un ralentissement, ou plutôt, comme dit Cantor lui-même, un arrêt, un 'principe d'arrêt' d'après lequel on ne crée un nouveau nombre entier que 'si le rassemblement de tous les nombres précédents a la puissance d'une classe de nombres définie, déjà donné dans toute son extension.'" 
"Et les Stoïciens porteront au plus haut point la distinction fondamentale entre les états de choses ou  mélanges de corps dans lesquels s'actualise l'événement, et les événements incorporels, qui s'élèvent comme  une fumée des états de choses eux-mêmes."
"Les interpretations subjectivistes de la thermodynamique, de la relativité, de la physique quantique témoignent des mêmes insuffisances. Le perspectivisme ou relativisme scientifique n' est jamais relatif à un sujet:  il ne constitue pas une relativité du vrai, mais au contraire une vérité du relatif..."
"Les observateurs partiels sont des forces, mais la force n'est pas ce qui agit, c'est, comme le savaient Leibniz et Nietzsche, ce qui perçoit et éprouve." 
"... c'est Husserl qui va jusqu'au bout en découvrant, dans les multiplicités non-numériques ou les ensembles fusionnels immanents perceptivo-affectifs, la triple racine des actes de transcendance (pensé) par lesquels le sujet constitue d' abord un monde sensible peuplé d'objets, puis un monde intersubjectif peuplé d'autrui, enfin un monde idéel commun que peupleront les formations scientifiques, mathématiques et logique."
"Il n'a pas de nombre, entier ni fractionnaire, pour compter les choses qui en présentent les propriétés, mais un chiffre qui en condense, en accumule les composantes parcourues et survolées. Le concept est une forme ou une force, jamais une fonction en aucun sens possible."
"Goethe construit un grandiose concept de couleur, avec les variations inséparables de lumière et d'ombre, les zones d'indiscernabilité, les processus d'intensification qui montrent à quel point en philosophie aussi il y a  des expérimentations, tandis que Newton avait construit la fonction de variables indépendantes ou la fréquence."
"Même si le matériau [de l'oeuvre d'art] ne durait que quelques secondes, il donnerait à la sensation le pouvoir d'exister et de se conserver en soi, dans l'éternité qui coexiste avec cette courte durée."
"N'est-ce pas la définition du percept en personne:  rendre sensibles les forces insensibles qui peuplent le monde, et qui nous affectent, nous font devenir?...  Du fond des âges nous vient ce qui Worringer appelait la ligne septentrionale, abstraite et infinie, ligne d'univers qui forme des rubans et de lanières, des roues et des turbines, toute une 'géométrie vivante' 'élevant à l'intuition les forces mécaniques', constituant une puissante vie non-organique."
"... la philosophie veut sauver l'infini en lui donnant de la consistance: elle trace un plan d'immanence, qui porte à l'infini des événements ou concepts consistants, sous l'action de personnages conceptuels. La science au contraire renonce à l'infinie pour gagner la référence: elle trace un plan de coordonnées seulement indéfinies, qui définit chaque fois des états de choses, des fonctions ou propositions référentielles, sous l'action d'observateurs partiels. L'art veut créer du fini qui redonne l'infini: il trace un plan de composition, qui porte à son tour des monuments ou sensations composées, sous l'action de figures esthétiques."
**everthing from Deleuze & Guattari, Qu'est-ce que la philosophie? (Paris: Les Éditions de Minuit 1991/2005);

"... ce qui occupe systématiquement le reste du tableau, ce sont de grands aplats de couleur vive, uniforme  et  immobile. Minces et durs, ils ont une fonction structurante, spatialisante. Mais ils ne sont pas sous la Figure, derrière elle ou au-delà. Ils sont strictement à coté, ou plutôt tout autour, et sont saisis par et dans une vue proche, tactile ou 'haptique', autant que la Figure elle-même."
"On ne peut pas dire que le sentiment religieux soutenait la figuration dans la peinture ancienne: au contraire il rendait possible une libération des Figures, un surgissement des Figures hors de toute figuration [about El Greco and others]."
"S'il y  a effort, et effort intense, ce n'est  pas du tout un effort extraordinaire, comme s'il s'agissait  d'une entreprise au-dessus des forces  du corps et portant sur une objet distinct. Le corps s'efforce précisément, ou  attend précisément de s'échapper. Ce n' est  pas moi qui tente d'échapper à mon corps, c'est le corps  qui tente  de s'échapper lui-même par... Bref un  spasme: le corps  comme plexus, et son effort ou son attente d'un spasme." 
"Ce qui fait de la déformation un destin, c'est que le corps a un rapport nécessaire avec la structure matérielle: non seulement celle-ci s'enroule autour de lui, mais il doit la rejoindre et s'y dissiper, et poru cela passer par ou dans ces instruments-prothèses, qui constituent des passages et des états réels, physiques, effectifs, des sensations et pas du tout des imaginations."
"Ao lieu de correspondances formelles, ce que la peinture de Bacon constitue, c'est une zone d'indiscernabilité, d'indécidabilité, entre l'homme et l'animal."
"Ce n'est pas un arrangement de l'homme et de la bête, ce n'est pas une ressemblance, c'est une identité de fond, c'est une zone d'indiscernabilité plus profonde que toute identification sentimentale: l'homme qui souffre e st une bête, la bête qui souffre est une homme."
"... le devenir animal n'est qu'une étape vers un devenir imperceptible plus profond où la Figure disparaît."
"L'armature ou la structure matérielle, la Figure en position, le contour comme limite des deux, ne cesseront pas de constituer le système de la plus  haute précision; et c'est dans ce système que se produisent les opérations de brouillage, les phénomènes de flou, les effets d'éloignement ou d'évanouissement, d'autant plus forts qu'ils constituent un mouvement lui-même précis dans cet ensemble."
**everthing from Gilles Deleuze, Francis Bacon: Logique de la sensation (Paris: Seuil, 2002);

See  also:  

Sunday, February 14, 2021

Stop Leveling Down Life's Multiple Diversity: The Smallest Bit of Life is Worthier than the Whole Lunacy of United Megalomaniac Billionaires

















#ActForTheAmazon
#ExtinctionRebellion
#InstinctualRebellion
#FuckTheAlagorithm

Léviathan stéthocephale** & Bill Gates + Late Classic Maya Clown; 
Haroldo de Campos + Samuel Beckett + Arara-canindé (montage A/Z);
Dr. Strangelove/Stanley Kubrick, Peter Sellers: "An astonishingly good idea" (Youtube);
Vandana Shiva on India's Farmer's Protests(Going Underground, 13/02/2021);
La croissance est-elle infinie ou insoutenable? (Philippe Bihouix, AuCoffre/Youtube, 2021);
Chaos économique, blanchiment bancaire? (Gaël Giraud/Thinkerview 2020);  
Choc économique: Perspectives alternatives? (Isabelle Delannoy/Thinkerview 2020); 
EarthDance 2020 - Vandana Shiva and Reclaiming the Commons (Sinergetic Press 2020); 
Vandana Shiva: Corona Crisis (Cusanus Hochschule für Gesellschaftsgestaltung 2020);
Vandana Shiva and Pragya Tiwari on Slow Living (Roli Books 2020); 
International Womxn’s Day Lecture: Dr. Vandana Shiva (Harvard GSD 2020); 
Mary Robinson & Vandana Shiva: The Injustice of Climate Change (Oxford Climate Society); 
'Bill Gates is continuing the work of Monsanto': Vandana Shiva tells France 24 (2019); 
Conversation entre Vandana Shiva et Gaël Giraud (Centre Sèvres/Facultés Jésuites 2019);
Apprenons à partager les ressources pour sauver le vivant: Gaël Giraud (Tedx 2018):
Vincent Mignerot: Anticiper l'effondrement? (Thinkerview/Youtube 2017);
Vandana Shiva Calls War On Bill Gates: Valhalla Movement Network (2015);
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"Les grands seigneurs sont presque les seules gens de qui on apprenne autant que des paysans: leur conversation s'orne de tout ce qui concerne la terre, les demeures telles qu'elles étaient habitées autrefois, les anciens usages, tout ce que le monde de l'argent ignore profondément."
Marcel Proust (le narrateur, Le Côté des Guermantes)
"Er is durchaus keine Krone der Schöpfung: jedes Wesen ist, neben ihm, auf einer gleichen Stufe der Vollkommenheit..."
Nietzsche (Der Antichrist)
"... they miss four out of the five kingdoms of life. Animals are only one of these kingdoms. They miss bacteria, protoctista, fungi, and plants. They take a small and interesting chapter in the book of evolution and extrapolate it into the entire encyclopedia of life. Skewed and limited in their perspective, they are not wrong so much as grossly uninformed."
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Climatologist Michael E. Mann interviewed by Jonathan Watts/The Guardian: 


"Another development in the “climate war” is the entry of new participants. Bill Gates is perhaps the most prominent. His new book, How to Prevent a Climate Disaster, offers a systems analyst approach to the problem, a kind of operating system upgrade for the planet. What do you make of his take?
I want to thank him for using his platform to raise awareness of the climate crisis. That said, I disagree with him quite sharply on the prescription. His view is overly technocratic and premised on an underestimate of the role that renewable energy can play in decarbonising our civilisation. If you understate that potential, you are forced to make other risky choices, such as geoengineering and carbon capture and sequestration. Investment in those unproven options would crowd out investment in better solutions.
Gates writes that he doesn’t know the political solution to climate change. But the politics are the problem buddy. If you don’t have a prescription of how to solve that, then you don’t have a solution and perhaps your solution might be taking us down the wrong path" (see the whole here: "Climatologist Michael E. Mann"/The Guardian, 27/02/2021); 

Other News:

"... billionaire class assertions that they are philosopher kings and climate-conscious investors who know better than the original caretakers are little more than ruses for what amounts to a 21st century land grab – with big payouts in a for-profit economy seeking “green” solutions. Our era is dominated by the ultra-rich, the climate crisis and a burgeoning green capitalism. And Bill Gates’ new book How to Avoid a Climate Disaster positions himself as a thought leader in how to stop putting greenhouse gases into the atmosphere and how to fund what he has called elsewhere a “global green revolution” to help poor farmers mitigate climate change. What expertise in climate science or agriculture Gates possesses beyond being filthy rich is anyone’s guess."
"Like wealth, land ownership is becoming concentrated into fewer and fewer hands, resulting in a greater push for monocultures and more intensive industrial farming techniques to generate greater returns. One per cent of the world’s farms control 70% of the world’s farmlands, one report found. The biggest shift in recent years from small to big farms was in the US."
"The land we all live on should not be the sole property of a few. The extensive tax avoidance by these titans of industry will always far exceed their supposed charitable donations to the public. The “billionaire knows best” mentality detracts from the deep-seated realities of colonialism and white supremacy, and it ignores those who actually know best how to use and live with the land. These billionaires have nothing to offer us in terms of saving the planet – unless it’s our land back."

"Together, the three men [Elon Musk, Jeff Bezos & Bill Gates] have an estimated wealth of $466bn and some of the biggest personal carbon footprints on the planet. They are also emblematic of a Davos-centric worldview that sees free markets and technological advancements as the answer to an existential emergency already upending the lives of millions of people."
"Once one of the world's most ruthless businessmen, Gates has spent the last 20 years using his fortune to tackle big issues including poverty, disease and climate change... Among those investments is a plan to convert seawater into microscopic particles to be sprayed into clouds, increasing their whiteness and therefore their ability to reflect more sunlight back into space, reducing global warming. The geo-engineering scheme could fundamentally change the planet, whitening skies and changing weather patterns and ocean currents. He also has investments in new nuclear power plants and more traditional “green” tech like solar and wind."
"Gates has many, many ideas and is a tireless advocate for the net zero cause. But his big ideas may not pan out – or prove politically acceptable. Even someone of Gates’s wealth and influence may struggle to change the global political landscape. And, again, his advocacy of the free markets that did so much to create the crisis we now face undermines his legitimacy."

"Elon Musk, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg and six other tech titans made more than $360 billion during the pandemic, which may finally shatter the myth of the benevolent billionaire."
"... the staggering rise in their gains contrasts with the economic devastation of millions of Americans, amid soaring unemployment and evictions, drawing attention to issues of inequality and distribution of wealth. In fact, the $360 billion increase in top billionaire wealth approaches the $410 billion the U.S. government is spending on the latest round of $1,400 stimulus checks, passed with the $1.9 trillion pandemic relief package this week."
"The scrutiny of tech billionaires’ wealth is also driven by the role their companies played during the pandemic. Social media including Facebook appeared to make the situation worse because it was used to spread disinformation about covid-19 and the vaccines, undermining efforts to control the virus. Musk railed against stay-at-home mandates and reopened Tesla’s factory in defiance of local orders, arguing that Tesla should be allowed to continue building cars during California’s shutdown."
"In Bezos’s case, profits were possible in part because Amazon hired more than 500,000 workers to stow, sort, pick and pack goods in 2020, even as warehouse workers sounded alarms about safety and nearly 20,000 Amazon employees in the United States tested positive for the coronavirus by October."
"Tech billionaires invested comparatively little of that increased wealth back into the public sphere for the pandemic. Bezos donated $150 million, or roughly 0.26 percent of the profits he accrued during the pandemic, to covid-related causes, “while also having his workers work in Dickensian conditions,” said Tompkins-Stange, the University of Michigan professor. Musk reportedly gave $5 million, or 0.004 percent of his newfound gains, to covid-19 research, in addition to donating ventilators built to help patients with sleep apnea."
"Bill Gates, a co-founder of Microsoft, was the most influential philanthropist on the global response to the pandemic. He shifted much of the focus of the foundation he runs with his wife, Melinda, to address the pandemic, donating $1.75 billion in pandemic-related philanthropy, or 7.3 percent of the $24 billion he added to his net worth... Gates had warned about the potential for a pathogen-spread pandemic since 2015, in a TED Talk, lectures and medical journal articles. Since the coronavirus emerged, Gates has appeared on news programs, late-night talk shows and a global charity event to push for science-based solutions."

"Artificially cooling the planet carries potential threats — and so does allowing tech billionaires to monopolize the research efforts."
"There’s conflicting research on whether the most common proposal to geoengineer the planet ― spraying reflective sulfur aerosols into the stratosphere ― might inflict worse droughts and storms in different hemispheres, potentially exacerbating inequities between rich northern countries and poorer nations south of the equator. Then there are fears of how climate controls could be weaponized for war."
"... skeptics who question the wisdom of even studying geoengineering say the proposal takes broad leaps beyond what the National Academies first outlined in its initial report in 2015, and that it endangers hope of crafting international agreements to guard against rogue deployments by sketching out a national program. Some argued that simply carrying out the research has jeopardized long-overdue efforts to eliminate climate-changing emissions in the first place ― efforts that are finally taking shape in the United States, Europe and China."
"A 2013 study in the journal Nature Climate Change found that spraying aerosols in the Northern Hemisphere, such as over the United States or Japan, would likely reduce rainfall in areas closer to the equator, including the drought-parched Sahel, the semi-arid African region that includes Algeria, Mali and Sudan. A 2017 study in the journal Nature Communications determined that solar geoengineering in the north would shift the position of the tropical jet stream south, and vice versa, potentially unleashing powerful cyclones and hurricanes on whichever region misses out."
"A 2019 study in JGR Atmospheres showed that solar geoengineering risks disrupting rainfall in South Asia and much of Africa, which would threaten the only irrigation system on which billions of poor farmers rely. A 2020 paper in Geophysical Research Letters backed up the idea that geoengineering in any form would throw jet streams out of whack, possibly adding novel changes to the climate in tropic regions where half the world’s population lives."
"Absent an international agreement, policies overseeing geoengineering could become Balkanized. But another risk could be that the research remains in the control of the unaccountable private actors who are currently backing most research."

See also:Amat Escalante (& Werner Herzog): Basilisk's Cinema;
And also:

Monday, January 11, 2021

Cartografia de Água Viva (Objeto Gritante)*** &/ou lista de velhas figuras alquímicas (under construction)












A/Z montage (original photography + Guan Tong, Li Long-mien, Baltrusaitis), for more see here;
Seminário Aberto Filosofia e Literatura/Clarice Lispector, 100 anos de existência, 10/12/2020 (Universidade do Porto); 
Entrevista de Clarice com Julio Lerner (1977); 
Lygia Clark and her "Abandonment" in MoMA (Luis Pérez-Orama);
Ilé Aiyé: The House of Life (documentary about Salvador/Bahia's Candomblé by David Byrne, 1989); 
Documentário su August Strindberg (1849-1912) (Fondazione Teatro Due) [this is an excellent material that ended being censured on Youtube, so I took it from here because the preview wouldn't show]; 
'Strindberg: A Life' Author Sue Prideaux Interviewed by Yale Books;
Nerval, La folie d'écrire (Stéphane Ginet, Jacques Bony/Canal du Savoir, 1996); 
Heidegger & Holderlin (par Jean Amrouche et Jean Wahl/RTF, 1956);
Friedrich Hölderlin : Folie et génie par Pierre Jean Jouve (1951/France Culture);
Alchimie & représentations du monde (1991/France Culture);
Paracelse: une vie une oeuvre (1985/France Culture); 
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Vestibule


"Jung contrappone, è noto, a uno strato superficiale dell'inconscio (personale) uno strato piú profondo, innato e collettivo che ha contenuti e comportamenti che (cum grano salis) sono gli stessi dappertutto e per tutti gli individui. I contenuti dell'inconscio collettivo sono i cosiddetti archetipi. Tipi arcaici, immagini universali presenti sin dai tempi remoti, répresentations collectives (Lévi-Bruhl) ovvero figure simboliche delle primitive visione del mondo... I principi basilari dell'inconscio, le archai, nonostante siano riconoscibili, sono, per la loro ricchezza di riferimenti, indescrivibili. Nessuna formulazione univoca é possibile: essi sono contraddittori e paradossali, come lo spirito è, per gli alchimisti, simul senex et iuvenis..."
Umberto Eco, Semiótica e Filosofia del linguaggio
"... die Geschichte des Christentums—und zwar vom Tode am Kreuze an—ist die Geschichte des schrittweise immer gröberen Missverstehns eines ursprünglichen Symbolismus."
"Heute noch ist ein solches Leben möglich, für gewisse Menschen sogar notwendig: das echte, das ursprüngliche Christentum wird zu allen Zeiten möglich sein... Nicht ein Glauben, sodern ein Tun, ein Vieles-nicht-tun vor allem, ein andres Sein... Bewusstseins-Zustände, irgendein Glauben, ein Für-wahr-halten zum Beispiel, jedes Psycholog weiss das, sind ja vollkommen gleichgültig und fünften Ranges gegen den Wert der Instinkte: strenger geredet, der ganze Begriff geistiger Ursächlichkeit ist falsch. Das Christ-sein, die Christlichkeit auf ein Für-wahr-halten, auf eine blosse Bewusstseins-Phänomenalität reduzieren, heisst die Christlichkeit negieren."
Nietzsche (Der Antichrist)

"Mais il n'y aurait pas seulement différence de degré, comme sur une échelle, entre le philosophe et le sage: le vieux sage venu d'Orient pense peut-être par Figure, tandis que le philosophe invente et pense le concept."
"Dans le cas des figures, au contraire, le pré-philosophique montre que le plan d'immanence lui-même  n'avait pas pour destination inévitable une création de concept ou une formation philosophique, mais pouvait se déployer dans des sagesses et des religions suivant une bifurcation qui conjurait d'avance la philosophie du point de vue de sa possibilité même."
Deleuze & Guattari (Qu'est-ce que la philosophie?)

"Mit demselben Instinkte, mit dem die Unterworfnen ihren Gott zum 'Gutten an sich' herunterbringen, streichen sie aus dem Gotte ihrer Überwinder die guten Eigenschaften aus; sie nehmen Rache an ihren  Herren, dadurch dass sie deren Gott verteufeln."
"... hier wird der Affekt gegen einen Mächtigen, 'Gott' genannt, beständig aufrechterhalten (durch Gebet)... ein versteckter heimlicher Wettbewerb..."
"Psychologisch nachgerechnet, ist das jüdische Volk ein Volk der zähesten Lebenskraft, welches, unter unmögliche Bedingungen versetzt, freiwillig, aus der tiefsten Klugheit der Selbsterhaltung, die Partei aller décadence-Instinkte nimmt—nicht als von ihnen beherrscht, sondern weil es in ihnen eine Macht erriet, mit der man sich gegen 'die Welt' durchsetzen kann."
"Das Christentum als Formel, um die unterirdischen Kulte aller Art, die des Osiris, der grossen Mutter, des Mithras zum Beispiel, zu überbieten—un zu summieren: in dieser Einsicht besteht das Genie des Paulus."
Nietzsche (Der Antichrist)
"Von allem Wunderbaren — so erzählte mir Paracelsus — was ich je sah und hörte, ist Eins das Erstaunlichste, und ich muß nicht nur ein muthiges Herz wie ein Löwe, sondern auch die unschuldige Geduld eines Lammes dazu haben, es gerade so zu berichten, wie es sich zugetragen hat. Denn gesetzt, es wäre das Blendwerk eines mir übel wollenden Geistes gewesen, so gab es nie für mich eine ärgere Versuchung: und sprach das, was mir erschien, die Wahrheit..."
Nietzsche (Nachgelassene Fragmente, 1881)

"Soweit die Kunst auf das Schöne ausgeht und es, wenn auch noch so schlicht, 'wiedergibt', holt holt sie es (wie Faust die Helena) aus der Tiefe der Zeit herauf... Dem Blick wohnt aber die Erwartung inne, von dem erwidert zu werden, dem er sich schenkt. Wo diese Erwartung erwidert wird (die ebensowohl, im Denken, an einen intentionalen Blick der Aufmerksamkeit sich heften kann wie an einen Blick im schlichten Wortsinn), da fällt ihm die Erfahrung der Aura in ihrer Fülle zu. 'Die Wahrnehmbarkeit', so urteilt Novalis, ist 'eine Aufmerksamkeit'. Die Wahrnehmbarkeit, von welcher er derart spricht, ist keine andere als die der Aura. Die Erfahrung der Aura beruht also auf der übertragung einer in der menschlichen Gesellschaft geläufigen Reaktionsform auf das Verhältnis des Unbelebten oder der Natur zum Menschen. Der Angesehene oder angesehen sich Glaubende schlägt den Blick auf. Die Aura einer Erscheinung erfahren, heißt, sie mit dem Vermögen belehnen, den Blick aufzuschlagen. Die Funde der memoire involontaire entsprechen dem. (Sie sind übrigens einmalig: der Erinnerung, die sie sich einzuverleiben sucht, entfallen sie. Damit stützen sie einen Begriff der Aura, der die 'einmalige Erscheinung einer Ferne' in ihr begreift. Diese Bestimmung hat für sich, den kultischen Charakter des Phänomens transparent zu machen. Das wesentlich Ferne ist das Unnahbare: in der Tat ist Unnahbarkeit eine Hauptqualität des Kultbildes.) Wie sehr Proust im Problem der Aura bewandert war, bedarf nicht der Unterstreichung. Immerhin ist es bemerkenswert, daß er es bei Gelegenheit in Begriffen streift, die deren Theorie in sich schließen: 'Einige, die Geheimnisse lieben, schmeicheln sich, daß den Dingen etwas von den Blicken bleibt, welche jemals auf ihnen ruhten'...  Verwandt... ist Valerys Bestimmung der Wahrnehmung im Traume als einer auratischen. 'Wenn ich sage: ich sehe das da, so ist damit nicht eine Gleichung zwischen mir und der Sache niedergelegt... Im Traume dagegen liegt eine Gleichung vor. Die Dinge, die ich sehe, sehen mich ebensowohl wie ich sie sehe.' Eben der Traumwahrnehmung ist die Natur der Tempel, von dem es heißt 'L'homme y passe à travers des forêts de symboles/Qui l'obervent avec des regards familiers' [Baudelaire]. Je besser Baudelaire darum gewußt hat, desto untrüglicher hat der Verfall der Aura seinem lyrischen Werk sich einbeschrieben."
Walter Benjamin (Über einige Motive bei Baudelaire)

"Il arrive quelquefois que la personnalité disparaît et que l'objectivité, qui est le propre des poëtes panthéistes, se développe en vous si anormalement, que la contemplation des objets extérieurs vous fait oublier votre propre existence, et que vous vous confondez bientôt avec eux..."
"Car les proportions du temps et de l'être sont complètement dérangées par la multitude et l'intensité des sensations et des idées."
"Je me considérais comme enfermée pour longtemps, pour des milliers d'années peut-être, dans cette cage somptueuse, au milieu de ces paysages féeriques, entre ces horizons merveilleux. Je rêvais de Belle au bois dormant, d'expiation à subir, de future délivrance. Au-dessus de ma tête voltigeaient des oiseaux brillants des tropiques..."
"... bientôt à ces rêves de terrasses, de tours, de remparts, montant à des hauteurs inconnues et s'enfonçant dans d'imenses profondeurs, succédèrent des lacs et des vastes étendues d'eau... Il ne peut pas les congédier; car la volonté n'a plus de force et ne gouverne plus de facultés. La mémoire poétique, jadis source infinie de jouissances, est devenue un arsenal inépuisable d'instruments de supplices... Le Malais était devenu l'Asie elle-même; l'Asie antique, solennelle, monstrueuse et compliquée comme ses temples et ses religions; où tout, depuis les aspects les plus ordinaires de la vie jusqu'aux souvenirs classiques et grandioses qu'elle comporte, est fait pour confondre et stupéfier l'esprit d'un Européen... et puis la Chine et l'Inde formaient bientôt avec l'Égypte une triade menaçante, un cauchemar complexe, aux angoisses variées..."
"Sous les deux conditions connexes de chaleur tropicale et de lumière verticale, je ramassais toutes les créatures, oiseaux, bêtes, reptiles, arbres et plantes, usages et spectacles, que l'on trouve communément dans toute la région des tropiques, et je les jetais pêle-mêle en Chine ou dans l'Indoustan. Par un sentiment analogue,  je m' emparais de l'Égypte et de tous ses dieux, et les faisais entrer sous la même loi... J'étais l'idole; j'étais le prêtre; j'étais adoré; j'étais sacrifié. Je fuyais la colère de Brahma à travers toutes. les forêts de l'Asie; Vishnû me haïssait; Siva me tendait une embûche. Je tombais soudainement chez Isis et Osiris; j'avais fait quelque chose, disait-on, j'avais commis un crime qui faisait frémir l'ibis et le crocodile... tôt ou tard se produisait un reflux de sentiments où l'étonnement à son tour était englouti, et qui me livrait non pas tant à la terreur qu'à une sorte de haine et d'abomination pour tout ce que je voyais...  Le crocodile maudit devint pour moi l'objet de plus d'horreur que presque tous les autres. J'étais forcé de vivre avec lui, hélas! pendant de siècles... des autres monstres et inexprimables avortons..."
"Ses regards étaient tranquilles, mais doués d'une singulière solennité d'expression, et je la contemplais alors avec une espèce de crainte. Tout à coup, sa physionomie s'obscurcit; me tournant du côté des montagnes, j'aperçus des vapeurs qui roulaient entre nous deux..."
Baudelaire/De Quincey (Les Paradis artificiels) 
"... on peut rêver en écrivant? Et si la scène du rêve est toujours une scène d'écriture?"
Jacques Derrida (De la grammatologie)

"Le perroquet demandait à déjeuner comme en ses plus beaux jours, et me regarda de cet oeil rond, bordé d'une peau chargée de rides, qui fait penser au regard expérimenté des vieillards."
"... la tour de Gabrielle se reflète de loin sur les eaux d'un lac factice étoilé de fleurs éphémères; l'écume bouillonne, l'insecte bruit... Il faut échapper à l'air perfide qui s'exhale en gagnant les grès poudreux du désert et les landes où la bruyère rose relève le vert des fougères."
"Père Dodu, vous savez trop bien que l'homme se corrompt partout."
"La lettre était si empreinte de mysticisme germanique, que je n'en devais pas attendre un grand succès..."
"J'ai passé par tous les cercles de ces lieux d'épreuves qu'on appelle théâtres."
"Puis un rayon divin a lui dans mon enfer; entouré de monstres contre lesquels je luttais obscurément, j'ai saisi le fil d'Ariane, et dès lors toutes mes visions sont devenues célestes."
"Mon cher Liszt... Il y a bien longtemps que je ne vous ai écrit... J'ai souffert d'une maladie nerveuse dont la convalescence a été longue et qui a commence à la suite d'un excès de travail occasionné par une pièce de théâtre..."
"Apulée, l'initié du culte d'Isis, l'illuminé païen, à moitié sceptique, à moitié crédule, cherchant sous les débris des mylhologies qui s'écroulent les traces de superstitions antérieures ou persistantes, expliquant la fable par le symbole, et le prodige par une vague définition des forces occultes de la nature..."
Gérard de Nerval

"Dans ses Leçons sur l'histoire de la philosophie, après avoir rappelé que pour Boehme la négativité travaille et constitue la source, qu'au principe « Dieu est aussi le Diable, les deux pour soi », etc., Hegel écrit ceci, que je renonce à traduire: « Ein Hauptbegriff ist die Qualität. Böhme fängt in der Aurora (Morgenröte im Aufgang) von den Qualitäten an. Die erste Bestimmung Böhmes, die der Qualität, ist Inqualieren, Qual, Quelle. In der Aurora sagt er: « Qualität ist die Beweglichkeit, Quallen (Quellen) oder Treiben eines Dinges »... » (Troisième Partie, Première Section, B. Jakob Böhme)."
Jacques Derrida (Qual Quelle)
"Qu'en Grèce une femme incarnant une compagne de Dionysos soit figurée comme possédée par une panthère ou qu'au Dahomey ce soit une divinité des eaux qui incarne passagèrement l'esprit du fauve, l'un et l'autre ne font que montrer, une fois de plus, d'une part que la thématique de la possession est universelle et que la fureur des bêtes sauvages est un de ses aspects favoris, de l'autre, et c'est ce qui nous intéresse surtout présentement que la possession s'accompagne partout d'un grand mouvement d'échange et de va-et-vient des âmes..."
Gilbert Rouget
"And he stared hard at the object of discourse, as one might do at a strange repulsive animal: a centipede from the Indies..."
Nelly (Wuthering Heights)
"Os jagunços investiam sobre os canhões, punham a mão em cima e diziam: viram canaias! o que é ter coragem?"
Euclides da Cunha (Caderneta de Campo)

"En 1896 un millar de rebaños correrían de la playa hacia el sertón y el mar se volvería sertón y el sertón se volvería mar... que había visto la zarza ardiente en el desierto, igual que Moisés..."
"... y por un trago de cachaça y un plato de charqui y farofa contaban las historias de Oliveros, de la princesa Magalona, de Carlomagno y los Doce Pares de Francia..."
"El Anticristo podía mandar soldados a Canudos: de qué le serviría? Se pudrirían, desaparecerían. Los creyentes podían morir, pero, tres meses y un día después, estarían de vuelta, completos de cuerpo y purificados de alma..."
"... esos códigos de conducta tan puntillosos, cómo explicárselos en este fin del mundo?"
"... aunque distorcionada, era una leyenda medieval que había leído de niño y visto de joven transformada en vodevil romántico: Roberto el Diablo."
"De nuevo tuvo una sensación de absurdo e irrealidad."
"Eran los colgajos de los árboles lo que el Enano miraba hechizado..."
"... lo dan la impresión de no ser de carne y hueso sino de cuento o pesadilla."
"... prosiguió León de Natuba, sin amargura, con esa aquiescencia tranquila que el periodista miope había visto a las gentes de aquí enfrentar al mundo, como se las desgracias fueran, igual que  las lluvias, los crepúsculos, las mareas, fenómenos naturales contra los que sería estúpido rebelarse."
Mario Vargas Llosa (La guerra del fin del mundo) 

"...  l'habitude d'avoir toujours du whisky dans ma valise dans le cas d'insomnies ou de désespoirs subits. Pendant cette période-là j'ai eu des amants."
"Les hommes ne le supportent pas: une femme qui écrit. C'est cruel pour l'homme. C'est difficile pour tous. Sauf pour Robert A."
"Personne ne peut la connaître, Lol V. Stein, ni vous ni moi. Et même ce que Lacan en a dit, je ne l'ai jamais tout à fait compris."
"Quand je me couchais, je me cachais le visage. J'avais peur de moi. Je ne sais pas comment je ne sais pas pourquoi. Et c'est pour ça que je buvais de l'alcool avant de dormir."
"Ça rend sauvage l'écriture. On rejoint une sauvagerie d'avant la vie. Et on la reconnaît toujours, c'est celle des forêts, celle ancienne comme le temps. Celle de la peur de tout, distincte e inséparable de la vie même. On est acharné."
"Écrire c'est hurler sans bruit."
"J'entends par là la recherche de la bonne forme, de la forme la plus courante, la plus claire et la plus inoffensive. Il y a encore des générations mortes qui font des livres pudibonds."
"... la mouche savait déjà... C'était ça le plus effrayant. Le plus inattendu. Elle savait. Et elle acceptait."
"... la mouche, elle, elle écrit, sur les murs, elle a beaucoup écrit dans la lumière de la grande salle, réfractée par l'étang."
"Tu es mon lecteur, Paulo.  Puisque je te le dis,  je te l'écris, c'est vrai."
"Son visage, ce trou, au bout du corps sans yeux."
"J'ai vu le ciel avec le soleil à travers les arbres eux aussi tués dans le champs, mutilés, les arbres noirs."
"... ils étaient des lieux de passage obligés vers l'inconnu des sentiers et des sources et des bords de mer ou si on voulait se protéger des loups."
"Et elle, la sorcière des forêts de Michelet, elle a dû être étripée, brûlée vive. Violée. Assassinée." 
Marguerite Duras (Écrire)

"Il se présente aussi souvent comme le disciple moderne de Rousseau, il le lit comme l'instituteur et non seulement comme le prophète de l'ethnologie moderne. On pourrait citer cent textes à la gloire de Rousseau. Rappelons néanmoins, à la fin du Totémisme aujourd'hui, ce chapitre sur 'Le totémisme du dedans': 'ferveur militante' 'envers l'ethnographie', 'clairvoyance étonnante' de Rousseau qui, 'mieux avisé que Bergson' et 'avant même la découverte du totémisme' a 'pénétré dans ce qui ouvre la possibilité du totémisme en général', à savoir : La pitié, cette affection fondamentale, aussi primitive que l'amour de soi, et qui nous unit naturellement à autrui : à l'homme, certes, mais aussi à tout être vivant."
"... la présence est à la fois promise et refusée. La parole que Rousseau a élevée au-dessus de l'écriture, c'est la parole telle qu'elle devrait être ou plutôt telle qu'elle aurait dû être. Et nous devrons être attentif à ce mode, à ce temps qui nous rapporte à la présence dans la collocution vivante. En fait, Rousseau avait éprouvé le dérobement dans la parole même, dans le mirage de son immédiateté..."
Jacques Derrida (De la grammatologie)
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Main Hall: 


Fundo: 
- "instantes-já" (da "quarta dimensão"), "átomos do tempo", "substrato último", "vibração última", "energia", "estilhaços de X" (9, 11, 80), (cf. "como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?", A Hora da Estrela, Rocco, 1998: 9); 
- "o it", "transcendência dentro de mim" ("pensamento que uma ostra tem"), "o it vivo" ("é o Deus"), "elemento puro", "material do instante do tempo", "Eu é", "ribombo oco do tempo", "aquilo", "X" ("tenho medo do seu diapasão") (30, 34, 37, 79), (cf. "eu era uma menina muito curiosa e, para minha palidez, eu vi; eriçada, prestes a vomitar, embora até hoje não saiba ao certo o que vi; mas sei que vi; vi tão fundo quanto numa boca, de chofre eu via o abismo do mundo... como se um fígado ou um pé tentassem sorrir", Os Desastres de Sofia) ("é que olhei demais para dentro de...", A Quinta História), ("Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram", Amor), ("o explorador tentou sorrir-lhe de volta, sem saber exatamente a que abismo seu sorriso respondia", A Menor Mulher do Mundo), ("uma coisa branca espalhara-se dentro dela, branca como papel, fraca como papel, intensa como uma brancura", O Búfalo);
- "aura do corpo em plenilúnio" (74); 
- espelho, água (77-80); 

Meio: 
- "entrelinha", "signos", "gesto", "pintar", "mergulho na matéria da palavra", "onomatopéia", "convulsão da linguagem", "atrás do pensamento", "parar de raciocinar", "verdade latente", "incompreensão", "vida liberta do entendimento", "o fundo da existência", "ao escrever lido com o impossível", "se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha, tenho que falar porque salva" (21, 24, 27, 33, 40, 53, 66, 72, 85), (cf. "esta história será feita de palavras que se agrupam em frases e destas se evola um sentido secreto que ultrapassa palavras e frases", A Hora da Estrela, Rocco, 1998: 15), ("tesouro que se disfarça, que está onde menos se espera", "numa solidão sem dor, não menor que a das árvores, eu recuperava inteira, a ignorância e a sua verdade incompreensível", Os Desastres de Sofia), ("o que eu não sei do ovo é o que realmente importa", "as pessoas que chamam o ovo de branco, essas pessoas morrem para a vida", O Ovo e a Galinha);
- "sânscrito", "língua anterior ao sânscrito" (43, 45); 
- "parambólica", "não existe a palavra espelho" ("um único espelho é uma infinidade de espelhos"), "cada um de nós é um símbolo que lida com símbolos" (74, 77, 80);
 
Noite: 
- "caverna de terror e das maravilhas" ("lugar de almas aflitas"), "gruta" ("com seu miasma"), "mal", "missa negra", "vida latejante infernal", "perigo de morte de alma", "noite" ("entorpecimento, azinhavre e visgo", "mais longa que a vida"), "marca de Satã" ("a mão verde e os seios de ouro"), "escuridão feérica" ("caldo de cultura"), "cercam-me criaturas elementares, anões, gnomos, duendes e gênios, sacrifico animais para colher-lhes o sangue de que preciso para minhas cerimônias de sortilégio", "a planta maldita que está próxima de se entregar ao Deus, quanto mais maldita mais até o Deus", "as inscrições cuneiformes quase ininteligíveis falam de como conceber e dão fórmulas sobre como se alimentar da força das trevas, falam das fêmeas nuas rastejantes", "intensidade do crepúsculo" (16, 20, 25, 26, 28, 38, 41, 42, 76), (cf. "a vida come a vida", A Hora da Estrela, Rocco, 1998: 85), ("no tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha; a crueza do mundo era tranquila", "com uma maldade de amante, parecia aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago", Amor);
- "existo de um modo febril", "trabalho enquanto durmo", "convalescença macia" ("de algo que poderia ter sido absolutamente terrível"), "mina faiscante e sonambúlica", "bola de cristal", "campo de meditação", "sono criador" ("que se espreguiça através das veias") (22, 66, 69, 80), (cf. "a prece mais profunda é a que não pede mais", Os Desastres de Sofia), ("um cego mascando chicles mergulhava o mundo em escura sofreguidão", Amor); 
- "rainha dos medas e dos persas", "Diana caçadora" (24, 26);
- "dama da noite" ("perfume de lua cheia", "fantasmagórica", "da esquina deserta e em trevas e dos jardins de casas de luzes apagadas", "assobio no escuro", "o que ninguém aguenta") (44, 46, 59);

Vida Sobrenatural:
- "mítico, fantástico", "sobrenatural" ("sou assombrada pelos meus fantasmas"), "os bichos me fantasticam" ("são o tempo que não se conta"), "os seres vivos (que não o homem) são um escândalo de maravilhamento", "mistério doido" (perfume da rosa), "taja" (planta que fala da Amazônia, "uma vez entrou tarde da noite em casa e quando estava passando pelo corredor ouviu a palavra 'João'"), "estou transfigurando a realidade", "eu não disse que um dia ia me acontecer alguma coisa?", "e a parte divina das borboletas é mesmo de dar terror", "as flores são assombradamente delicadas como um suspiro de alguém no escuro" (29, 40, 48, 56, 60, 65, 67, 92), (cf. "existir é coisa de doido, caso de loucura, porque parece, existir não é lógico", A Hora da Estrela, Rocco, 1998: 20), ("... não só chegou a essa conclusão, como esta transformou sua vida em mais alargada e perplexa, em mais rica, e até supersticiosa; cada coisa parecia o sinal de outra coisa, tudo era simbólico, e mesmo um pouco espírita dentro do que o catolicismo permitiria", Os Obedientes) ("fora atingida pelo demônio da fé", Amor); 
- "tigre" ("lambo o meu focinho depois de ter devorado o veado"), "negra pantera lustrosa" ("andava macio, lento e perigoso"), "gata parindo" ("comi minha própria placenta"), "planta carnívora" ("que lamenta tempos imemoriais"), "pantera negra enjaulada" ("uma vez olhei bem nos olhos, ela me olhou bem nos olhos, transmutamo-nos"), "tigre" ("lambo uma das patas"), "tigre" ("com flecha imortal cravada na carne") (25, 28, 34, 41, 80);
- "morcegos" ("ratos com asas em forma de cruz"), "insetos, sapos, piolhos, moscas, pulgas e percevejos", "corrupta germinação malsã de larvas", "seres putrefatos em decomposição", "ouço o canto doido de um passarinho e esmago borboletas entre os dedos, sou uma fruta roída por um verme", "chusma dissonante de insetos", "salamandra", "anjo aleijado" (15, 41, 67, 70, 73); 
- "gosto é das paisagens de terra esturricada e seca, com árvores contorcidas e montanhas feitas de rocha e com uma luz alvar e suspensa", "oh, vento siroco" (39, 52); 
- formiga, abelha e rosas ("são elas") (57, 61, 73);

Morte Impossível: 
- "a morte apaga os traços de espuma do mar na praia", "sou minha própria morte" ("ninguém vai mais longe"), "quero morrer com vida", "há uma prece profunda em mim que vai nascer não sei quando", "éclater", "alguma coisa minha que no entanto fica inteiramente fora de mim", "eu mesmo estátua a ser vista de noite", " quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama", "a morte é o impossível e o intangível" (29, 39, 46, 67, 72, 84), (cf. "... não falei e nem falarei em morte e sim apenas um atropelamento", "que não significa sequer desastre", "encontro consigo", "tempo de morangos" A Hora da Estrela, Rocco, 1998: 80, 84, 86), ("morrer é ininterrupto", Os Desastres de Sofia), ("e tinha muito passarinho que voava do abismo para a estrada", Viagem a Petrópolis), ("antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia", Amor);

Ordenamento: 
- "a ausência de Deus é um ato de religião" (estou precisando de Deus "mais do que a força humana"), "Ordem", "Deus é no passado que se soube, é algo que já se sabe", "duas assimetrias encontrar-se-ão na simetria", "o material criado é religioso", "síntese", "simetria utópica", "um pedaço mínimo de espelho é sempre o espelho todo", "mecanicismo" ("objeto que grita") (55, 64-65, 73, 76-77, 86); 
- "o oblíquo da vida", "nós somos de soslaio", "eu falo bem baixo para que os ouvidos sejam obrigados a ficar atentos" (68, 70), (cf. "apareceu portanto um homem magro de paletó puído tocando violino na esquina", A Hora da Estrela, Rocco, 1998: 82), (cf. "ser matéria de Deus era a minha única bondade", Os Desastres de Sofia);

***Everything from Clarice Lispector, Água Viva (Rio de Janeiro: Rocco, 1973);

See also: 
- Clarice Lispector e a Tradição do Romance de Vanguarda: Contrapontos;