Monday, January 18, 2016

Brazil in the 80's





























Cazuza (pictures taken from the Internet);
Roger Moreira (picture taken from Dapieve's BRock);
Gang 90 & Absurdettes: Telefone;
Metrô: Tudo pode mudar;
Lobão & Os Ronaldos: Decadence avec Elegance;
Camisa de Vênus: Só o Fim; 
Ultraje a Rigor: Mim Quer Tocar;
Ultraje a Rigor: Eu Me Amo;
Ultraje a Rigor: Rebelde Sem Causa;
Titãs: Cabeça Dinossauro;
Marina Lima: 
Fullgás;
Grávida; 
Virgem;
Rita Lee  (& Roberto de Carvalho):
Corre Corre;
Chega Mais;
Banho de Espuma;
Pega Rapaz;
Mania de Você;
Baila Comigo;
Lança Perfume;
Caso Sério;
Nem Luxo nem Lixo;
Saúde;
Barata Tonta;
On the Rocks;
Desculpe o Auê;
Raio X;
Mutante;

"Solto entre elas, como um bicho que tivessem adotado escondido, Reeta Li ensaiava os primeiros dos celebres knockouts que tornaram possíveis as operações por tentáculos-pensamento e o fizeram famoso" (A/Z Pleif mapa cap. 12).
"But when alighting at the somber zone, instead of following the chiming buzz of the clausineos (Sesdentinceps clupeoide), Reeta Li, fumbled and befuddled, let himself to be bedraggled by the lava of Barbario’s crack, botching everything. Reeta Li, the envoy," (A/Z Pleif cap. 13).

"De repetente um carro freou atrás dele, o rádio gritando 'se Deus quiser, um dia acabo voando'. Na cabeça dele soaram cinco tiros."
Caio Fernando Abreu

"Assisti Jimi Hendrix tascando fogo na guitarra no Marquee e depois, no festival na ilha Wight, dormi aos pés de Stonehenge em plena lua cheia e aprendi a tocar flauta transversal viajando de mescalina numa floresta mágica do País de Hales com um garoto inglês lindinho chamado Ritchie (que sequestrei para o Brasil)."
"Levantei, encaixei o violão na barriga e, em cinco minutos, 'Baila comigo' estava feita. Meu ego não interferiu em nada, o santo fez tudo sozinho... 'Nem luxo nem lixo' também veio prontinha do santo."
"Se naquele tempo tivesse internet, certamente eu não sairia dos trending topics. #PloftCaiu."
"Gosto muito de 'Saúde', um beat-disco com letra despretensiosa e alto-astral."
Rita Lee

"'E como é você de diretor'", perguntei um dia, lembrando das suas elogiadas atuações como diretor do RPM e do Cazuza. 'Deixa também correr solto, dando apenas dicas e sugestões?' 'Não, eu ponho coleira mesmo, encho o saco. Não querem que eu faça? Então têm de me aguentar.' 'Mas isso não é incoerente com o seu comportamento ao ser dirigido, não aceitando imposição alguma?' 'Mas eu me viro no palco, eu tenho uma noção do palco que essas pessoas normalmente não têm. O RPM, por exemplo, era uma coisa toda pequenininha, que eu queria ampliar, soltar. Por timidez, eles não liberavam nada, e aí eu exigia mesmo, até conseguir colocá-los para fora. Parece que botei para fora demais, né (comenta, rindo). Eu sacava que o Paulo Ricardo tinha sex-appeal, mas faltava coragem para mostrar; ele era uma estrelona e não queria arcar com isso. Foi só dar trela. Falei pra cantarem sem camisa. Quase morreram. O Paulo Ricardo achava que tinha um corpo feio, e eu insistia no fato de que as pessoas gostam de ver quem é bonito. Funciona. Relutaram muito, mas ele e o guitarrista acabaram aceitando; o outro não tirou a camisa de jeito nenhum e continuou vestido até as orelhas. E as mulheres enlouqueciam com os dois. No final, os ombros do Paulo Ricardo eram elogiadíssimos. Já com o Cazuza meu trabalho foi o oposto. Ele fazia barbárie no palco, como enfiar cotonete no ouvido e botar o pau pra fora, e eu precisei convencê-lo de que o seu pensamento (o que ele cantava) é que era importante. Não sua ação. Ele não precisava ficar preocupado em correr para todo lado, para encher o palco, e podia se restringir a cantar, que eu ia cuidar do resto. E o show funcionou perfeitamente bem com ele mais contido. Pedi pra ele fazer uma roupa de seda branca, e aí eu utilizava minhas malandragens com a luz pra preencher os espaços. Em certos momentos, jogava uma luz rosa em cima dele, e sua roupa ficava totalmente transparente'" (Denise Pires Vaz & Ney Matogrosso, Um cara meio estranho. Rio de Janeiro, Rio Fundo, 1992).
************************************************************

"Novelty might dwell either in dissonant harmonic sequences or in the continuous repetition of a single chord... Some do songs, others do sounds, and a few do noise... The value of a song must be connected with the ways it affects the body. Touch is in the channels of the ear..." [A novidade pode habitar tanto sequências harmônicas dissonantes quanto a repetição insistente do mesmo acorde... Uns fazem canções, outros fazem som, alguns fazem barulho... O valor de uma canção deve estar associado a suas propriedades físicas sobre o corpo. O tato se liga diretamente aos canais dos ouvidos...] (Arnaldo Antunes, 40 Escritos. São Paulo: Iluminuras, 2000, p. 17-18).   

"Na noite de 6 de julho de 1984, aos 30 anos, Júlio Barroso [Gang 90 & as Absurdettes] caiu (nesse caso, um acesso de vômito causado pelo processo de desintoxicação o teria levado direto da cama rente à janela para o vazio) ou pulou (nesse caso, jamais se saberá exatamente o porquê, nunca se sabe) de seu apartamento no 11o andar de um edifício na Rua Conselheiro Brotero, no bairro paulistano de Santa Cecília" (Arthur Dapieve, BRock. São Paulo: Editora 34, 2015 p. 27-28).
"João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão... filho de um mecânico holandês, 1,88 metro de altura, epilético, tocava bateria desde os 5 anos, um pouco como terapia contra sua disritmia... Mesmo assim, por influência do virtuosismo do amigo guitarrista Luís Augusto Barros... se sentiu atraído pelo violão clássico, por Guerra Peixe e por Heitor Villa-Lobos, deixando a bateria de lado por dois anos" (Dapieve, p. 39).
"Na madrugada de 13 de novembro de 1985, Tony Bellotto foi preso com 30 miligramas da droga quando o táxi que o transportava foi parado por uma viatura da PM na Avenida Paulista... Levado para o 4o Distrito, o guitarrista confessou ter recebido o papelote de Arnaldo Antunes. Este foi preso pouco depois em seu apartamento na Paulista, com 128 miligramas de heroína" (Dapieve, p. 97-98).
"Ulysses Guimarães se encarregou de divulgar o trabalho do grupo [Ultraje a Rigor]. Irritado com declarações do porta-voz do general-presidente João Figueiredo... de que o comício pelas diretas em Curitiba só serviria para desestabilizar o processo sucessório, Ulysses prometeu mandar-lhe o compatcto com 'Inútil' de presente. 'Ele que repita isso, que toque o disco e fique ouvindo', declarou o político em 13 de janeiro de 1984" (Dapieve, p. 109).

"Rita trocava o rock pesado pelo posto de artesã pop, ainda que não abrisse mão de arestas cortantes... como bem notou Ezequiel Neves no Jornal da Tarde, 'Babilônia é um disco irretocável, o melhor LP de música elétrica produzido entre nós... Desafiando a MPB inteira, Rita Lee se tornou, por merecimento e justiça, uma das mais importantes cantoras/compositoras/letristas deste país" (Ricardo Alexandre, Dias de Luta: O Rock e  o Brasil dos Aos 80. Porto Alegre, Arquipélago Editorial, 2002).  
"Até Salvador, terra com jeito que nenhuma terra tem, abrigou sua banda punk, formada em 1980 pelo DJ Marcelo Nova... O Camisa de Vênus era uma banda de rock, na realidade, mas era punk porque se esmerava em ser polêmico, incômodo... 'Me fascinava no punk a possibilidade de que alguém como eu, sem experiência pregressa, sem carreira assinada, fizesse sua parte. Quanto a dogmas, quanto ao punk unido jamais será vencido, ao coturno e ao casaco de couro, nunca me identifiquei. Movimento? O único movimento em que acredito é o das marés, que enche e vaza" (Ricardo Alexandre, p. 77).
"'Não conseguia me identificar com o mar, o barquinho, o arco-íris e outras imagens paradisíacas da música baiana', recorda Marcelo Nova. 'Eu jogava bola no paralelepípedo. Detestava o calor, tive uma desidratação horrível em 1980. Odiava a celebração, não cantava parabéns nem em meu aniversário'" (Ricardo Alexandre, p. 78). 
"No meio disso tudo, Júlio Barroso já havia se pirulitado para Nova York, após rápida estada na República Dominicana, e descoberto a new wave... Em mais um de seus planos infalíveis, tramou com seu cunhado, o jornalista Okky de Souza, uma banda que transportasse todos aqueles elementos para a realidade tupi. Afinal, sabia tudo sobre antropofagia e modernismo, ele mesmo havia escrito, nas páginas de Somtrês, a clássica frase 'não há nada de novo, há tudo sendo feito de maneira nova'... batizou seu grupo com um nome composto, Gang 90 & Absurdettes, sendo 'gang 90' uma referência à gíria 'pedra 90', do arco da velha, bem ao estilo retrofuturista da new wave" (Ricardo Alexandre, p. 86-88).
"Cazuza e seus novos amigos conseguiam, instintivamente, encontrar um elo perdido entre o blues americano e as canções de dor de cotovelo de Dolores Duran, entre os gritos hippies de Janis Joplin e o resmungo tosco dos punks" (Ricardo Alexandre, p. 115).
"'A TV tocava 'Coração de Estudante', de Milton Nascimento, 'como o hino da campanha das diretas', lembra Roger, desconfiado. 'Mas, na prágica, era Inútil. Só que Inútil incomodava, porque ia fundo na ferida" (Ricardo Alexandre, p. 184).
"... o núcleo dos Titãs era o mitológico Colégio Equipe, onde 'tinha uma espécie de clima que favorecia aos alunos experimentar as áreas nas quais eles pudessem, eventualmente, ter algum talento', recorda Nando Reis. 'Pô, a gente estudava em um colégio com um teatro onde rolavam shows históricos, de Clementina de Jesus e Cateano Celoso a Gilberto Gil e Novos Baianos' [Marcelo Fromer]... 'ao mesmo tempo em que rolava essa coisa de 'vamos ser os bregas' e 'vamos tocar no programa do Chacrinha', também havia um parâmetro cultural da MPB, das avaliações dos irmãos Campos [Tony Bellotto]" (Ricardo Alexandre, p. 185).
"Júlio Barroso foi velado no dia seguinte a sua morte, no Cemitério do Caju, Rio de Janeiro. Lobão afirma que, durante a noite, ele e Cazuza esticaram uma fileira de cocaína sobre o caixão, como se  estivessem dividindo a droga com o amigo, pela última vez" (p. 191).
"Segundo Nando Reis, o esquema era o seguinte: 'Leleco Barbosa (diretor do programa), comandava uma máfia enorme, entre os clubes da Baixada Fluminense. Clubes grandes, até num prenúncio dessa coisa dos bailes funk, onde os artistas que apareciam no Chacrinha se apresentavam, sempre fazendo playback.' 'Era muito conveniente para as companhias esse esquema porque eles faziam caridade com o chapéu dos artistas. Com isso, ganhavam pontos na TV para gastar com gente como Fábio Jr. ou o grupo Dominó' [Ritchie]" (p. 209).
"O quarteto do Ultraje ficou hospedado no Hotel Sol Copacabana. Quando descobriram que o grupo Metrô estava dividindo quartos vizinhos, desceram até a rua, compraram vários tubos de Super Bonder e, candidamente, colaram as portas, mantendo seus colegas presos por um bom tempo" (p. 250).
"De certa forma, a direção tomada por Cazuza o conduzia para próximo da estética da cantora Marina (outra contratada da Polygram, por onde lançou Todas, em que tentava conciliar seu currículo pop-MPB com o rock brasileiro da época) e de Dulce Quental (a ex-vocalista do Sempre Livre que abraçou a sofisticação no album Délica)" (p. 263).
"'Subitamente, vimos todas as portas se fechando', lembra Nando Reis. 'Não fizemos mais nenhum programa de televisão, tivemos um monte de shows cancelados, Arnaldo ficou preso por um mês e a banda quase acabou'" (p. 289).
"'Quando tinha 18 anos, fui assistir à peça Dois perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos, no Teatro Castro Alves, em Salvador', recorda o vocalista [Marcelo Nova/Camisa de Vênus]. 'Quando ele começava a gritar vou comer seu cu, filho da puta!, metade da plateia se levantava e ia embora. Vi que Plínio pegava a hipocrisia e virava pelo avesso'" (p. 301).
"O pop brasileiro no fim dos anos 80 foi obscurecido pela sombra da repressão policial — mais ou menos como a que a patrulha direitista tentara imprimir ao pop britânico da década de 60, quando o sargento Norman Pilcher se celebrizou por prender astros do rock como Mick Jagger, Donovan e George Harrison" (p. 328).
"'Estávamos entregando o ouro de volta para o bandido', acrescentou Roger, do Ultraje a Rigor, definindo a aproximação da sua geração dos grande ícones da MPB. 'Claro que o rock sempre foi resistência e, de repente, passamos a ser situação'"  (p. 362).
"O jabá é aquele mecanismo de corrupção com o qual a gravadora garante que seu novo produto vá ser executado em determinada emissora, na esperança de que a massificação gere a familiaridade no ouvinte..." (p. 375).
"Cazuza leu a matéria à beira da piscina de sua casa na cidade serrana de Petrópolis... Quando chegou ao último parágrafo, começou a chorar, compulsivamente" (p. 380).
"Daí surgiu o bumbo-caixa poderoso de 'Lugar nenhum', direto das audições de Led Zeppelin, ou os violões corridos de 'Desordem', inspirados em The Cure" (p. 393).

See also:
Allan Ginsberg, Burroughs & Ney Matogrosso;
- Rock Brazil 90s;
Two invisible phanopoeias & a silence (by Arnaldo Antunes) + Alice Ruiz;

No comments:

Post a Comment

Leave your comments below: