Saturday, February 24, 2018

Audrey Hempburnt Haunted by A/Z—or how to be "JEU-IR" even if you are not (&/or Verneinung einer leidenschaftlichen Kuss, 5F)


If a person does not have this feminine quality that allows the idea to come into the proper relation to him, which is always to impregnate, then he will not be fit to be an observer, because he who does not discover the whole, really discovers nothing... Despite the fact that you are an imaginary person, you are in no way a multiplicity, but only one, so there is only you and I. 
Constantine Constantius (translation M. G. Piety)

Many a time he has felt himself in the presence of Sidne, the Esquimaux Demeter, he has divined it by the shiver which ran through his veins, by the tingling of his flesh and the bristling of his hair... He sees stars unknown to the profane... At last his own Genius, evoked from the bottomless depths of existence, appears to him... Uniting himself with the Double from beyond the grave, the soul of the angakok flies upon the wings of the wind...

Quand Loki vit cela, cela lui déplut. Il alla trouver Frigg sous les traits d'une femme...
Gylfafinning (traduction Dumézil)

Le président Schreber, qui partage avec Léonard et l'Homme aux loups un fort investissement de l'analité, une passivation féminine et un intérêt plus ou moins exalté pour la religion, retire sa libido des objets pour la placer dans son propre moi...
Le futur sujet se constitue dans une dynamique d'abjection dont la face idéale est la fascination.
... l'apologie de la mère introduit à la reconnaissance des deux parents et fait du couple le foyer hétérogène de l'autonomie bisexuelle du self...
J. Kristeva (Le génie féminin 2)

... il y va de l'histoire de la différence sexuelle... l'Androgyne... elle se donne son propre corps en une seule et unique fois dans un évenement à la fois irremplaçable et sériel, divisé ou multiplié dans l'insistance qu'il met à re-constituer le support en le détruisant.
Jaques Derrida (Artaud le Moma)

... encore qu'il n'y ait point de vertu à laquelle il semble que la bonne naissance contribue tant qu'à celle qui fait qu'on ne s'estime que selon sa juste valeur...
Descartes (Les passions de l'âme)

... only the aristoi... the others, content with whatever pleasures nature will yield them, live and die like animals. This was still the opinion of Heraclitus...
Arendt (The Human Condition)

Power corrupts indeed when the weak band together in order to ruin the strong...
Arendt (The Human Condition)

... le difficile pour toute chose est d'atteindre à son propre simulacre, à son état de signe...
Deleuze (Différence et répétition)

... car comment le pauvre Van Gogh y aurait-il fait pour s'éclairer?
Artaud (Van Gogh le suicidé de la société)

Perhaps your belt is too wide or your shoes are too pointy.
James St. James 

Es una lástima que te hagas una idea tan pacata de la vanidad.
Oliveira/Cortázar

... l'envie... le pire des péchés, puisqu'elle s'oppose à la vie même...
J. Kristeva (Le génie féminin 2)

And to lubricity and indiscretion had been added the graver sin of uppishness.
Huxley (Devils of Loudun)

One day I looked at what I was doing, and I said it's just as interesting as what they are doing.
De Kooning about Léger (quoted in Rosalind Krauss's The Optical Unconscious)























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"La Maga prendió una lámpara y la puso en el suelo, fabricando una especie de Rembrandt..."
(Cortázar)









"Tout en m'inscrivant en porte-à-faux, en créant des décalages, je produis ainsi un sfumato entre présentation et représentation," Orlan.
"Ce qu'il y a d'intéressant dans ce que vient de dire Orlan c'est que ce n'est pas la bio-ingénierie, c'est de l'art et il y a là une grande différence. Industrialiser la vie comme on a industrialisé la mort. Le projet eugénique des camps, ce n'était pas seulement l'élimination des corps, c'était l'industrialisation de la vie. C'était industrialiser la vie, d'où l'intérêt pour les jumeaux," Paul Virilio. 
"Y a-t-il encore une VISAGEITÉ au-delà de la ressemblance habituelle, celle que l'on retrouve? Si je dis transfiguration, c'est parce que, quand le Christ se transfigure, ce n'est pas de l'exhibitionnisme," Paul Virilio.
"... ils sont pires que des Pompiers. Ils sont tellement célébres qu'ils sont morts; ils sont devenus des OBJETS INCASSABLES," Paul Virilio.
"C'est comme si d'autres les avaient cités comme par anticipation," Orlan. 
***Orlan et Paul Virilio, transgression/transfiguration [conversation], La Rochelle: l'une & l'autre, 2009.

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(A/Z, archives)

























images from
Kurt Cobain:
Montage of Heck
(Brett Morgen,
USA 2015)





anonymat pour le secret de la confession:

l'évangile d'après salò:


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Baphomet in 
Raul Ruiz'
(France, 1979)






***See also:
Genug!

And also:

Monday, February 12, 2018

Cristovão Tezza haunted by Barthes—or how not to be a philistine asshole even if you are (&/or Verneinung einer leidenschaftlichen Liebe)


... un dispositif logique dns lequel puisse s'inscrire une 'négation' non pas interne au jugement, mais
économiquement productrice de la position signifiante elle-même. Freud en a posé le mouvement
 translogique et producteur du logique...
Julia Kristeva, La révolution du langage poétique

Dire qu'il n'y a que de la dénégation dasn le bien-mal-faire de cette malfaçon...
ce n'est ni diagnostiquer ni dénigrer, c'est mettre la structure de
 la dénégation en question et en abîme...
Jacques Derrida, Artaud le Moma


"... lembro-me sempre de uma frase avulsa de Roland Barthes que li no início dos anos 1970 e que agora reproduzo de memória — para o escritor, escrever é um verbo intransitivo. É uma bela imagem, ainda que eu tenha absorvido a contragosto. Admirava Barthes como quem admira um número de pretidigitação — são apresentações mágicas, bonitas, surpreendentes, às vezes impressionantes, mas todas parecem reduzir-se a um truque. Que seja, um truque poético. Tire-se a luz, o efeito da sombra, o cenário em negro, o arranjo da sintaxe, o sentido oculto na manga, o silêncio preparatório, e o poeta está nu. No fundo de tudo, grassa uma aposta sutil no irracional, num cansaço blasé das formas que, súbito, descobre a autonomia da linguagem..." (p. 27); 

"Há um momento em que, de fato, como queria Roland Barthes, para quem escreve, escrever se torna um verbo intransitivo, ou pelo menos bastante próximo disso. Mas há um longo caminho até esse ponto de não retorno..." (p. 51);

"Eu continuava imitando não propriamente formas (o que não seria tão mau, como exercício de iniciação), mas objetos. Entrando na vida adulta pela via do trabalho, continuava ainda inteiramente preso à minha infância, movendo-me no imaginário da criança. Sim, talvez aqui 'escrever' fosse de fato um verbo intransitivo, como queria Roland Barthes. Esvaziado de sua produção de sentido, o gesto de escrever seria a produção de um artefato — um realismo sem alma, quem sabe..." (p. 67);

"... a linguagem se vinga friamente do que queremos fazer com ela..." (p. 99); 

"... o escritor vai adiante até sentir e criar a sua escrita, o seu idioleto literário, aquele olhar único que enfrenta singularmente uma cena, uma ideia, uma fala, um conjunto de informações ou tudo ao mesmo tempo na passagem do impulso da mão para a realização do texto literário acabado, que se torna imediatamente outra coisa, um duplo estranho... (104); 

"Antes mesmo de escrever a primeira palavra, o bom narrador de herança realista sabe onde 'colocar a câmera', por assim dizer; sabe estabelecer o olhar que redesenha o mundo para partilhar uma experiência necessariamente ambígua no quadro de uma hipótese literária..." (118); 

"Como num palimpsesto fantasma, as frases parecem agora revelar atrás daquela risada solta um pequeno e insidioso candidato a Dorian Gray. Escritores não são boas pessoas..." (p. 129); 

"Em outras palavras, Borges era a 'decadência', o que eu tentava dizer nos seus próprios termos, assimilando mimeticamente (e bisonhamente) aquela nuvem... havia lá no fundo, respirante, uma 'mensagem' que, de fato, não era minha... Ou era" (p. 143); 

"... a diferença de maturidade técnica entre Gran Crico e Juliano Pavollini é evidente, mas muito mais importante é a existencial, a complexidade de um narrador, ou de uma voz narrativa, que já não escreve em causa própria, ou a serviço de uma pequena tese em que o autor se refugia, e que consegue, de fato, se afastar de si mesma..." (p. 179);

"Imagino que todos os escritores (todas as pessoas) conservam pequenas manias formais, às vezes francamente irracionais, que tocaram na alma em algum momento e lá restaram para sempre..." (p. 184);

"... sinto que a própria linguagem frequentemente encontra soluções como se a mão escrevesse sozinha, um mistério que me parece impossível para quem está começando..." (p. 185);

"... um barco em que, por instinto, jamais entrei, exceto talvez no romance A suavidade do vento..." (206);

"Acho que a criação literária, para se justificar como tal, tem de manter tão radicalmente quanto possível, por escolha, a sua inadequação primeira..." (p. 212);

"... a linguagem, ao contrário do que pensamos em solidão, não tem nenhuma transparência ou clareza intrínsecas — cada palavra que se estabelece entre mim e o mundo, entre mim e os outros, já nasce sobrecarregada de sentidos secretos, duplicidades estranhas, opacidades vazias, intenções estrangeiras..." (p. 214);

"... se a literatura quiser sobreviver como linguagem não oficial, ela terá a necessidade absoluta, intransferível, de significar sempre a criação de um narrado responsável... Relembremos, entretanto, o detalhe importante de que o ato de escrever cria um narrador, com quem eu não posso me confundir... Podemos dizer que a criação de um narrador, ato que é a alma da literatura, é sempre um gesto ético de abandono e generosidade..." (p. 217);

"Permanece sempre entre a voz do narrador e os olhos do leitor a matéria bruta realidade, que jamais falará por si só, mas cuja força... todo narrador cria hipóteses de sobrevivência e de não sobrevivência... Fosse eu um Santo Agostinho, diria agora que, depois de uma vida de dores, percalços, cegueira e pecado, como num clássico (e tranquilo) romance de formação, encontrei a redenção... Mas desgraçadamente não tenho o dom da fé..." (p. 219-21);

Cristovão Tezza, O espírito da prosa: uma autobiografia literária. Rio de Janeiro: Record, 2012.
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See also:
- Augusto Meyer and Machado de Assis;
Eduardo Viveiros de Castro: Brazilian Perspectivism?!
- Structuralism, Poststructuralism: ligne de fuite;
- Audrey Hempburnt;
L'affirmation de l'âne;
Nature's Horror and Grand Style;
A Stragegy for Writting;
El estudiante, political movie;
Sur les premiers chapitres d'Ésthetique théorie du roman;
Concretos &/ou Brazilian Inteligentsia;