Monday, January 14, 2019

Environmental Issue (Brazil): Novo porto em Torres?! Quem se beneficia? Qual a lógica por trás? (english translation below)

Em reportagem publicada no jornal Zero Hora de 9 de janeiro de 2019, a jornalista Jéssica Rebeca Weber revela que "a idéia é apresentada pelo engenheiro civil Fernando Carrion e pelo senador Luis Carlos Heinze (PP)."

Quem é o senador?
Segundo, por exemplo, reportagem publicada no Yahoo notícias em 23 de outubro de 2018:
'Ligado ao setor rural do Rio Grande do Sul (estado que se destaca por sua produção agropecuária), Heinze trabalha em cima de renegociação de dívida de agricultores e – assim como o presidenciável pelo PSL – é crítico da demarcação de novas áreas indígenas. Em 2014, durante audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara em Vicente Dutra (RS), Heinze declarou que quilombolas, homossexuais e índios “são tudo que não presta”, e sugeriu a contratação de segurança privada pelos produtores rurais para manter a posse da terra. Mais tarde ele ponderou à imprensa que suas declarações (gravadas em vídeo divulgado nas redes sociais) foram feitas no “calor do debate” sobre conflitos entre indígenas e agricultores que haviam ocorrido em novembro do anterior. Também em 2014, votou contra a PEC do Trabalho Escravo, projeto que estipulava a desapropriação de terras de latifundiários que fossem flagrados submetendo seus trabalhadores a um regime análogo à escravidão.'

Heize nasceu em 1950, o engenheiro Fernando Carrion ainda antes da metade do século passado, em 1942 (segundo informações num site da Fundação Getúlio Vargas). 
Apesar de pelo menos um dos seus proponentes, o senador Luis Carlos Heinze do PP, se apresentar como defendendo perspectivas opostas aos anteriores governos do PT, em especial o de Dilma Rousseff, para cujo impeachment contribuiu, é patente a semelhança da lógica de um projeto como esse e aquela que foi vigente nos governos anteriores. Pensa-se o crescimento do país, antes de qualquer coisa, a partir de projetos megalomaníacos (pouco importa se ancorados no Estado ou na iniciativa privada), dependentes de estratégias indiferentes (quando não deletérias) ao meio-ambiente, e dentro de uma matriz ultrapassada de desenvolvimento como a produção extrativista em larga escala e exportação de commodities. 
De acordo com reportagem do Jornal Nacional de 24 de abril de 2018, o PP, partido do senador, "é um dos partidos com mais investigados na Lava Jato."
A proposta do "novo" porto não parece senão o velho disfarçado de novo (e ela de fato remonta ao século XIX), que vai, como sempre, beneficiar uma burocracia estatal preguiçosa e atrasada e/ou meia dúzia de oligarcas da iniciativa privada, a custa dos interesses de todo o restante da população, para não falar nos possíveis danos ambientais. Investimento externo viria de onde? China, máfia napolitana?!
Há, na região em que pretendem instalar esse porto, duas reservas ecológicas: o Parque Estadual de Itapeva e o Refúgio da Vida Silvestre Ilha dos Lobos
Como sabem os especialistas, no litoral do RS não há os costões graníticos e as baías protegidas do litoral de Santa Catarina. Isso implica uma série de riscos na construção desse tipo de porto, como a erosão. 
Como se sabe, a manutenção das infraestruturas já existentes no Brasil, como estradas, tem um enorme déficit. Pretende-se, em meio a esse cenário, construir do zero, um novo porto?!
Num país em que se tem permitido a ocorrência de desastres da escala daquele ocasionado pela Samarco em Mariana?!
=========================================

A new harbour in Torres (RS, Brazil)?! Who benefits? What is the logic behind it?


According to a report published last January 9 (2019), in the newspaper Zero Hora the idea was proposed by the civil engineer Fernando Carrion and senator Luis Carlos Heinze, of the political party PP (not to be confused with PT).

Who is the senator? 
According, for instance, another report recently published in Yahoo News (October 23, 2018), here are the senator's credentials:
'Linked to the rural sector of Rio Grande do Sul (a state that stands out for its agricultural production) [actually, Rio Grande do Sul is nowadays an indebted state having problems to pay even its public employees, which was, but this a very long time ago, a state that stood out for its agricultural production], Heinze works on renegotiating [big] farmers' debt and is [as much as Jair Bolsonaro] critical of the demarcation of new indigenous areas. In 2014, during a public hearing in Vicente Dutra [a small town of Rio Grande do Sul], Heinze declared that quilombolas [in Brazilian hinterland, traditional communities of African people founded originally by escaped slaves during the shameful period of Brazilian legal slavery], homosexuals and Indians were "people of the worst kind, worth of nothing," and suggested the recruitment of private security by the rural producers to maintain the possession of their lands. He later told the press that his statements (videotaped on social networks) were made in the middle of a heated debate concerning the conflicts between indigenous people and farmers... Also in 2014, Heinze voted against a Constitutional Amendment that stipulated the expropriation of lands from landowners who were caught submitting their workers to a regime analogous to slavery...'

Heize was born in 1950, the engineer Fernando Carrion in 1942 (according to information on a website of the Getúlio Vargas Foundation).
Although Senator Luis Carlos Heinze usually presents himself as defending perspectives opposed to the previous PT (Worker's Party) governments—especially that of Dilma Rousseff, to the impeachment of whom he contributed—the affinity between the logic behind the harbour's project and the logic behind the macroeconomic actions of the previous governments is conspicuous.
The growth of the country is thought, above all, in terms of megalomaniac projects, very much dependent on strategies totally indifferent (if not deleterious) to the natural environment, and within a completely outdated 19th century matrix of economical development based almost exclusively in large-scale extractive production and the exportation of commodities. 
***According to a report in the Jornal Nacional (April 24, 2018), Luis Carlos Heinze's party (the PP) "is one of the most investigated parties in Car-Wash scandal."
The proposal for the "new" harbours (which in fact remounts to the 19th century) looks pretty much like the old disguised as the new, which will, as always, benefit a lazy, backward state bureaucracy and half a dozen oligarchs from the private sector, at the expense of the rest of the population (not to speak about other animal species and the environment). Foreign investment would come from where? China, Napolis ?!
There are, in the region where they intend to install this port, two protected areas that could be endangered: Parque Estadual de Itapeva and Refúgio da Vida Silvestre Ilha dos Lobos
As specialists know, on the coast of Rio Grande do Sul there are not the granitic shores and protected bays of the coast of Santa Catarina (the next Brazilian state up to the North). This implies a series of risks, such as erosion, in the construction of this type of port in Rio Grande do Sul.
Moreover, as it is well-known, in Brazil, the maintenance of already existing and basic infrastructure, such as roads, has a huge deficit. In the midst of this scenario, what could be the point of building an entire new port from scratch?! And this in a country that was incapable of preventing the occurrence of a disaster in the scale and magnitude of the one occasioned by Samarco in Mariana?!


See also: 


























pictures by A/Z,
for more see here: