Tuesday, April 05, 2011

A vitória de Bellocchio



Dos grandes e velhos diretores italianos — Antonioni, Fellini, Pasolini, Rossellini, Visconti — Marco Bellocchio é o mais intenso e ambiguo. Desde I pugni in tasca (1965), expõe as contradições de toda a suposta boa intenção política, quando passa do discurso à ação. Outro exemplo recente é Buongiorno notte (2003).

Mas Vincere é mais ousado em termos de imagem e som: contrastes de luz e sombra, sussurros e explosões, utilizados para criar uma atmosfera de intimidade, o suspense de antes do sono. Mussolini, fascinante e sedutor, não apenas às mulheres, aos pequenos burgueses e às massas, mas também a artistas e intelectuais (o exemplo mais célebre nesse sentido, além do movimento de vanguarda futurista, é o caso de Ezra Pound).

Em Porto Alegre, numa sala de cinema lotada, foi possível sentir fisicamente o constrangimento do público, quando, no final da sessão, o título “Vincere” era exibido novamente na tela. Ninguém mais é fascista, mas sempre se quer “ganhar” alguma coisa, nem que seja o valor pago pelo ingresso, restituído em alguma forma de mensagem edificante. Projetando no “vincere” a terça maior do “passione” que vêe na TV,  sairam desabalados com o trítono.