Sunday, July 05, 2015

Caxias do Sul and Galopolis (Northeast of Rio Grande do Sul, region of Italian immigration)


The pictures were taken mostly around street Sinimbú, near downtown (Caxias do Sul) and in BR116 (Galópolis), by A/Z (for more see here). 
Album de família.
... não sei porque ver essa adaptação do Luchino Visconti do d'Annunzio (L'Innocente, 1976) me leva à casa dos meus avós, lembra especialmente minha avó; nada do luxo aristocrático, mas tudo dessa intensidade contida que é o oposto do suposto espírito "extrovertido" e "bonachão" atribuído aos imigrantes italianos no Brasil (a origem da minha avó eh austríaca, como a de outros que vieram, no geral do norte da Itália); deve ser tbem algo de intriga sórdida silenciosa, subjacente ao adagio do Franco Mannino, pq de noite assistiam a novela das oito da Globo (década de 80, novelas eram interessantes), quando crianças tinham de ir dormir.
Antonio Candido on Sérgio Buarque de Holanda's understanding of migration in Brazil after the end of the 19th century.
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"Meu avô era germânico... sempre me cumprimentava com "wie geht, es Ihnen?" Ele era muito elegante e marcou minha vida, odiava os Beatles porque eram cabeludos e maconheiros..."
Júpiter Maçã
"What of the savage and morose Jesus of the Evangelicals, cut by their petty malice from the gentle Jesus of the Italian children?"
Aleister Crowley, Liber 777
"... all civilizations have rested upon the sacredness of private property... the household realm... harbors the things hidden from human eyes and impenetrable to human knowledge... Eleusinian Mysteries... Law... was quite literally a wall... For the enormous and still proceeding accumulation of wealth in modern society, which was started by expropriation, the expropriation of the peasant classes which in turn was the almost accidental consequence of the expropriation of Church and monastic property after the Reformation, has never shown much consideration for private property but has sacrificed it whenever it came into conflict with the accumulation of wealth. Proudhon's dictum that property is theft has a solid basis of truth in the origins of modern capitalism; it is all the more significant that even Proudhon hesitated to accept the doubtful remedy of general expropriation because he new quite well that the abolition of private property, while it might cure the evil of poverty, was only too likely to invite the greater evil of tyranny... Proudhon presents property in its 'egoist, satanic nature' as the 'most efficient means to resist despotism...'"
Hanna Arendt
"... if he was the principle of chaos, she was the principle of order... James jumped on his father's back and toppled both father and mother over. Mrs Joyce snatched up the youngest children from the mêlée and ran to a neighbor's house. For a moment the family squalor became Dostoevskian." 
Richard Ellmann 
"... un bouffon, plein de charmes inattendus, et de manies malades, mais toujours délicieux, toujours prêt à donner ce qu'il avait... je l'ai dégradé..."
Pierre Angelici
"... the thalamus and the medulla oblongata beneath the cortex are apparently connected with the preservation of memory. They are the center of autonomic nervous systems and are related to various internal organs. Accordingly, if I may venture a bold hypothesis, the preservation of memories may be related to the lungs and the heart."
Yasuo Yuasa 

“Conde D’Eu, Dona Isabel and Caxias, the first three of seven colonial nuclei included in the Zone, were founded in 1874 and 1875. They were the first colonies established on the uplands of the Paraná Plateau and followed by 50 years the earlier settlement of German immigrants at the base of the scarp on the northern side of the Rio Jacuí” (Stuart Clark Rothwell, The Old Italian Colonial Zone of Rio Grande do Sul, Brazil, p. 13).
“The first Italians to arrive in the zone were recruited in the Po Valley Region. Many came directly from the industrial cities, and others from the agriculturally developed surrounding rural areas. The colonies were thus equiped from the start with a group of artisans, upon whose skills early industrial activity and its later growth were based, and agriculturists who had a knowledge of viniculture... German colonization was initiated in 1824 with a people who did not posses the technical skills associated with the Italian colonists...” (Rothwell, p. 37).
“When the Italian Immigrants entered the Old Italian Colonial Zone, the colonial authorities provided them with the basic tools and seed of the Brazilian variety of land rotation agriculture... Various writers in discussing the colonized parts of Southern Brazil have referred to definite time periods of fallow and use associated with the land rotation agriculture. Weibel determined a period of 15 to 25 years as a maximum time during which this kind of farming yields adequate returns” (Rothwell, p. 47-48).
“Economic isolation from the major market of Porto Alegre was apparent from the first years... The rout followed the steeply sloping border valleys to the Ports of São Sebastião do Caí and Montenegro. It was continued from there by riverboat... the land travel consumed from two to four days... (Rothwell, p. 71).
“Isolation had its early results in a general areal self-sufficiency characterized by the founding of numerous small food processing plants, home industries and artisan shops. All manufacturing activities were closely allied to either the forest resource, the prevailing agriculture or local needs. This tended to maintain artisan skills which were brought to the colonies and, with the later economic growth, were in demand” (Rothwell, p. 73).
“In the years 1929, 1930, and 1931, eleven cooperatives were formed. Ten were grape-wine producer organizations. Since 1929, government agencies have provided various encouragements to the movement in the form of technical assistance and tax relief” (Rothwell, 77).
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"O parcelamento das terras da serra, em lotes de uns vinte hectares, continuava o processo de colonização da encosta inferior da serra, por alemães, iniciado em 1824. A ocupação de terras semidesabitadas por pequenos agricultores constitui um impressionante remodelamento parcial da estrutura fundiária do Brasil meridional, até então dominada pela grande propriedade... Na serra gaúcha a imigração italiana criou uma sociedade singular, em relação à terra de origem e à terra de acolhida do imigrante...
O dinamismo da economia colonial ensejou um significativo processo de acumulação de riquezas. Boa parte desses recursos sustentou o nascimento de uma importante atividade, primeiro artesanal, a seguir, industrial. Hoje, Caxias destaca-se pela produção metal-mecânica, não mais por seus vinhedos" (Mário Maestri, Nós os Ítalo-Gaúchos).
"A Festa da Uva, de uva tem muito pouco, serve mais de vitrina para os produtos industriais que a região produz e quase não tem cara de festa. É comércio, sem celebração. Há, na verdade, muito pouco a celebrar. O fluxo migratório dos operários e colonos de todo o Estado, e até de outros, produz o inchaço das cidades industriais da serra. Caxias do Sul, cidade industrial por excelência, paga caro pelo progresso alcançado.... É uma cidade que se esconde, pois quem entra em Caxias, costeando as cidades vizinhas, pela São Vendelino ou pela BR, não vê a pobreza" (Eduadro Dall'Alba, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"Há que se destacar que esse tipo de imigração foi o único que gerou, de modo generalizado, no Brasil, um segmento social 'médio' (de 'pequenos proprietários'), não apenas enquanto posição social, mas também como valores, estilos de vida e práticas sociais; com exceção dos 'setores médios' gerados pelo neopatrimonialismo brasileiro e a decorrente incorporação de determinadas categorias sociais nas burocracias públicas" (Odaci Luiz Coradini, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"Em nosso Estado, o imigrante italiano tornou-se desde logo, senhor do seu lote, da sua 'colônia', instaurando a pequena propriedade, geradora do progresso e do desenvolvimento econômicos posteriores... Já em São Paulo, o colono ítalo, trabalhando nos cafezais, apenas substitui, durante muito tempo, o braço escravo, reduzido ele próprio, muitas vezes, a essa condição servil, degradante e aviltadora" (Ítalo Marcon, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"É engraçado, pois a ideia que eu fazia dos italianos, ainda menina, misturava um certo medo do meu avô materno, um patriarca severo, vindo de Trieste menino, todo voltado para a Igreja, azedo de sofrimento gástrico, e uma incomensurável ternura pela minha avó materna, já nascida no Brasil, que era a bondade em pessoa, pela minha mãe e minhas tias, mulheres cheias de escrúpulos, recatadas, todas grandes modistas, que adoravam me fazer vestidos e me mimavam todo o tempo... Meu álbum de família, como podem ver, dá crédito mais à sociedade feminina do que à masculina e acho que isso se deve à divisão que dominou minha infância entre homens irrascíveis, instáveis, meio frágeis e mulheres bravas, de bom coração, capazes de extrair alegria de pedras e cardos...
Não é que, ao me tornar uma jovem adulta, estudante de Letras na UFRGS, topei com Angelo Ricci, um intelectual daqueles que Mussolini levou ao exílio e que a ditadura militar brasileira se encarregou de empurrar para a morte... Quando foi expurgado pelos militares, com a cumplicidade de seus invejosos colegas da UFRGS, fiquei tão indignada que mandei às favas a prudência tão altamente recomendável e, na mesa do bar da Reitoria, ajudei a redigir o manifesto que expurgou da Universidade uns trinta de nós" (Maria da Glória Bordini, Nós os Ítalo-Gaúchos).  
"Vale lembrar os profundos danos causados à identidade cultural das regiões de imigração pela proibição dos dialetos de origem européia no Estado Novo de Vargas, especialmente no decorrer da Segunda Guerra Mundial" (Tânia Maria Zardo Tonet, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"Nessas zonas fronteiriças [da península italiana], como de forma mais limitada, também no Vêneto, os dialetos permaneceram fortes, mesmo no meio das elites, talvez desejosas de manterem a coesão social, a fim de resistir às pressões externas" (Florense Carboni, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"A história linguística da Região Italiana do nordeste do Rio Grande do Sul é densa de significado, apesar de sua vigência em curto espaço de tempo. Ela inicia com a chegada dos imigrantes italianos, oriundos de muitas diferentes províncias do norte da Itália... As comemorações alusivas ao centenário da imigração italiana, em 1975, inauguram o quarto período da história linguística regional. Este período estende-se até os dias atuais e é marcado pela integração da [Região Italiana do Nordeste do Rio Grande do Sul] no contexto brasileiro maior.... Novos modelos culturais são introduzidos, principalmente, através da televisão..." (Vitalina Maria Frosi, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"A região do Brasil destinada à colonização pela imigração italiana tinha uma cobertura vegetal onde era abundante o pinheiro (Pinus brasiliensis), árvore majestosa cuja madeira, por constituir-se de fibras retilíneas, permitia a obtenção de tábuas mesmo com métodos rudimentares, usando-se como instrumentos o machado, o malho e as cunhas" (Paulo Bertussi, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"Uma das particularidades históricas da zona colonial italiana foi a significativa inserção de um movimento político de caráter fascista, a Ação Integralista Brasileira (AIB), ocorrida na década de 1930. Ao contrário de outras regiões do Rio Grande do Sul, onde a aceitabilidade da AIB enfrentou forte rejeição, como na zona da Campanha, a área de colonização italiana representou o maior foco de concentração integralista do Estado, com o melhor desempenho eleitoral no ano de 1935... os integralistas da área urbana caxiense passam a difundir a doutrina nos municípios menores... contavam com um poderoso auxílio prévio, a ampla divulgação já efetuada pelo clero da região, em especial, a Ordem dos Capuchinhos e seu jornal, o Stafetta Riograndense" (Carla Brandalise, Nós os Ítalo-Gaúchos). 
"A acumulação da pequena produção agrícola e os recursos apropriados pelo comércio, deram origem a uma pequena burguesia que se diferencia do grupo social dos primeiros imigrantes e investe seus capitais na industrialização local... Os vínculos políticos da burguesia local explicam sua relação autoritária com as organizações dos trabalhadores, uma vez que, após a derrota da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul (1893), ela é cooptada pelo Partido Republicano. O lema positivista dos Republicanos (Ordem e Progresso) implicava intolerância a qualquer movimento questionador do seu conceito de progresso. Além disso o fascismo encontrou solo fértil na burguesia da Região Colonial Italiana..." (Pepe Vargas, Nós os Ítalo-Gaúchos). 

See also:
- Northeast Region of Rio Grande do Sul;
- Antônio Prado;
- Pier Paolo Pasolini;
- Bellocchio &/or Eye of (Dreadful) Beauty;
- Federico Fellini's Satyricon (Italy, 1969);
- Umberto Eco about Nietzsche & Deconstruction;
And also:
- Conversa de Etiqueta (peça em 1/2 ato, Zuckerberg Intima Teatern);

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