Saturday, September 15, 2012

Tropicalismo: Brazil by the early 1970's






Back in Bahia (Gilberto Gil);
"You don't know me," Caetano Veloso (Transa, 1972);
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"É claro que amo Caetano Veloso. É claro que
odeio aqueles que o atacam sem razão."
Gerald Thomas, Entre Duas Fileiras

See also the trailer for Tropicalia, an interview with the producer Paula Cosenza and with the director Marcelo Machado.

Back In Bahia/ Gilberto Gil 1972
Lá em Londres, vez em quando me sentia longe daqui
Vez em quando, quando me sentia longe dava por mim
Puxando o cabelo
Nervoso, querendo ouvir Celly Campelo pra não cair
Naquela fossa
Em que vi um camarada meu de
Portobello cair
Naquela falta
De juízo que eu não tinha nem uma razão pra curtir
Naquela ausência
De calor, de cor, de sal, de Sol, de coração pra sentir
Tanta saudade
Preservada num velho baú de prata dentro de mim
Digo num baú de prata porque prata é a luz do luar
Do luar que tanta falta me fazia junto com o mar
Mar da Bahia
Cujo verde vez em quando me fazia bem relembrar
Tão diferente
Do verde também tão lindo dos gramados campos de lá
Ilha do Norte
Onde não sei se por sorte ou por castigo dei de parar
Por algum tempo
Que afinal passou depressa, como tudo tem de passar
Hoje eu me sinto
Como se ter ido fosse necessário para voltar
Tanto mais vivo
De vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá
Rennó, Carlos (Org.), Gilberto Gil: todas as letras (São Paulo: Companhia das Letras, 2003), p. 148.

Gil, Caetano and Chico Buarque:
"A gente trazia um dado... da visão de descontinuidade do processo cultural, uma visão do processo cultural como um processo extensivo, e não centralizado." 
Giberto Gil, in Celso Favaretto, Tropicália, Alegoria, Alegria. Cotia: Ateliê Editorial, 2007, p. 27.
→ Favaretto’s book should be read carefully. Although it presents an interesting interpretation of tropicalism, it has significant shortcomings such as a gross misunderstanding of what "formalism" meant to the the Brazilian concretist poets: "Embora convergindo com os concretos no projeto de modernidade, os tropicalistas deles se distinguiram por não permanecerem na mera atualização exterior das formas [sic]..." (p. 54).
"Já no final de 68, Gil estava com Sandra, a irmã de Dedé com quem ele começava um namoro, numa frisa do Teatro Paramount, onde se realizava uma eliminatória do festival da Record daquele ano. Um grupo de pessoas na plateia recebeu a entrada de Chico no palco aos gritos de 'superado! superado!'. Gil comentou com Sandra que aquilo era inadmissível. Levantou-se e investiu contra os manifestantes. Um jornalista quis ver — e assim publicou depois no seu jornal — que Gil havia liderado uma vaia ao Chico. Não li essa notícia e creio que Gil tampouco a leu. Ouvimos falar no assunto com um certo atraso. Hoje todo o mundo que escreve sobre os acontecimentos de então se compraz em dizer que havia dois lados que se confrontavam nesses festivais: um a nosso favor, outro a favor de Chico..."
Veloso, Caetano. Antropofagia. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 36.

Mutantes and Fernando Pessoa:
"Na verdade essas caras tinham desaparecido quase todas, pois logo que os Mutantes iniciaram a introdução a maioria esmagadora dos assistentes voltou-se de costas para o palco numa demonstração um tanto assustadora (em retrospecto, admirável em seu ineditismo), no que foram prontamente imitados pelos Mutantes, que passaram a tocar de costas para a platéia. Quando, em substituição à declamação do poema de Pessoa, comecei a falar (a urrar, seria mais adequado dizer) de improviso, alguns espectadores, depois praticamente todos, viraram-se de frente para ver o que estava se passando."
Veloso, Caetano. Verdade Tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 296.

Arnaldo Antunes about Tropicalismo: "É sintomático o fato dessa revolução ter se dado no terreno da música popular, integrando alta voltagem de invenção com a comunicação de massas (em conexão com a moda, o design, as histórias em quadrinhos, a televisão, o rádio, o cinema e a cultura pop de uma maneira geral), em lugar da literatura e das artes plásticas, em torno das quais se articularam outros marcos da nossa modernidade, como a Semana de 22..." (Outros 40, São Paulo: Iluminuras, 2014, p. 143).

Júlio Medaglia about Tropicalismo: "Do arsenal sonoro e literário do Tropicalismo faziam parte a Bossa Nova e a Velha, a guitarra elétrica e o bandolim, a música medieval e a eletrônica, a música fina e a cafona, o portunhol e o latim, a música de vanguarda e a do passado, o baião e o beguine, o berimbau e o teremim, o celestial Debussy e Vicente Celestino, os versos de Cuíca de Santo Amaro e a Poesia Concreta, o som e o ruído, o canto e o grito, indo provocar terremotos, por extensão, no artístico e no cultural, no político e no social" (Música Impopular, São Paulo: Global, 2009, p. 182-83). "Quando Caetano e Gil saíram da prisão, fui visitá-los em Salvador. Num dado momento me relataram uma conversa que tiveram com um general da cúpula daquele sistema. Após mandar cortar seus cabelos, ele lhes disse algo assim: 'Vocês, com essa mania de fazer da realidade uma pasta informe, de demolir sistemas e valores, estão agindo com uma das formas mais modernas de subversão, talvez a única'. Ou seja. Os 'milicos' sabiam que o negócio era deixar a esquerda festiva musical com sua verborragia panfletária à solta e encaçapar aqueles que realmente ameaçavam as estruturas com outras armas, muito mais sutis e eficientes" (p. 183).

Luiz Tatit about Tropicalismo: "O resultado mais expressivo do tropicalismo como movimento musical foi a libertação estética e ideológica dos autores, intérpretes, arranjadores e produtores do universo da canção, o que acabou por influir em quase todas as áreas artísticas brasileiras" (O Século da Canção, Cotia: Ateliê Editorial, 2004, p. 59).

Thursday, July 19, 2012

Spooky Blue







pictures by A/Z
(for more see here)

Jean-Michel Basquiat
To Repeal Ghosts (1986)
Image taken from Leonhard
Emmerling's Basquiat

Edvard Munch
detail from Night in St. Cloud (1890)
Image taken from Ulrich
Bischoff's Munch

Edvard Munch
detail from Moonlight (1895)
Image taken from Ulrich
Bischoff's Munch

Edvard Munch
detail from Moonlight (1893)
Image taken from Ulrich
Bischoff's Munch

Edvard Munch
detail from House in Moonlight (1895)
Image taken from Ulrich
Bischoff's Munch

Edvard Munch
detail from Stormy Night (1893)
Image taken from Ulrich
Bischoff's Munch

Edvard Munch
detail from The Three
Stages of Woman (Sphinx) (1894)
Image taken from Ulrich
Bischoff's Munch

Anselm Kiefer
page from Kyffhäuser (1980)
Image from Daniel Arasse's
Anselm Kiefer

A Lung (The Knife);
Code Morel & One Hundred Forty Nine Inches (montage A/Z, for more see here);
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"A matéria também sonha."
"O escuro aumenta a solidão e torna o espaço infinito."
"... realidade e pesadelo se misturam..."
"Não há mais esquecimento, nem sono."
Iberê Camargo, Gaveta dos Guardados

"É um sonho doce em transição com um pesadelo."
Júpiter Maçã, A Odisséia

"Cela peut se passer pendant le jour, mais cela se passe en préférence en général pendant la nuit..."
Artaud, Van Gogh le suicidé de la société

"The first room is not illuminated. The pale moonlight is thus blended here with the stronger lighting of the inner room... Everything is transformed into a scenic backdrop... a dreamlike dusk..."
Kierkegaard (translation M. G. Piety)

"... encender una vela, andar com ella por el corredor... nos asomamos a vezes a lo que fuimos antes de ser esto que vaya a saber si somos."
Morelli/Cortázar

"The soul is not confined to the head but extends throughout and the body. It is linked to the ancestors; connected with the life of animals, plants, the earth, and the heavens; it can travel out the body in dreams, in trance, and at death; and it can communicate with a vast realm of spirits—of ancestors, animals, nature spirits, beings such as elves and fairies, elementals, demons, gods and goddesses, angels and saints."
Rupert Sheldrake

"Some of the phenomena studied under rather artificial conditions by parapsychologists show only fairly weak effects, but in the real world telepathy may operate much more reliably. For example, I have done studies on telepathy between mothers and their babies, and the mothers often know quite accurately when their baby needs them even when they are miles away. Similarly, many dogs and cats seem to know when their owners are coming home and wait for them at a door or window in a reliable and repeatable way," (Rupert Sheldrake's interview, TBS);

"Satan is pure spirit. He often appears as something else, to mislead. He appeared to Padre Pio as Jesus, to frighten him. He sometimes appears as a raging animal. The ritual of exorcism is not practiced by an ordinary priest. An exorcist requires specific training and must be thought to have a personal sanctity. He can be exposed to dangerous behavior and personal threat. His prayers often cause a violent response as he attempts to shine a beam of light into the darkness," (Father Amorth, "The Devil and Father Amorth: Witnessing 'the Vatican Exorcist' at Work", William Friedkin/ Vanity Fair);

"Prayer is a form of intentional magic, a mental act intended to affect the world in some way. Wearing a sacred symbol is a form of sympathetic magic, a symbolic correspondence said to trancend time and space..." Dean Radin, Real Magic (Harmony/Penguin 2018, p. 3);

"Spiritualism, as practiced in the form of séances, was a modern form of the ancient magical practice of theurgy" Dean Radin, Real Magic (Harmony/Penguin 2018, p. 60);

"It appears however that, while significant to him from an intellectual point of view, naturalistic interpretations were not adopted consistently, nor did Crowley remain faithful to them in the follow- ing years. We have in fact plenty of instances in Crowley’s magical curriculum where he makes contact with entities that he is far from considering as mere ‘‘portions of his brain’’ or as parts of his unconscious psyche (as his discovery of psychoanalysis may have lead him to believe)," Marco Pasi, "Varieties of Magical Experience" (Magical, Ritual and Witchcraft, Winter 2011)

***See also:
- "Seeing Dead People Not Known to Have Died: Peak in Darien," Bruce Greyson (Anthropology and Humanism, vol. 35, n. 2, 2010, pp. 159-171);
- "Near-death experiences between science and prejudice," Enrico Facco and Christian Agrillo (Frontiers in Human Neuroscience, vol. 6, July 2012);
- "Metaphysics of the Tea Ceremony: a randomized trial investigating the roles of intention and belief on mood while drinking tea," Yung-Jong Shiah and Dean Radin (Explore November/December 2013, vol. 9, n. 6355);
And also:
- Trondheim (Norway);
- Netherlands (Amsterdam, Utrecht);
- Mário Quintana as I see him;
- Noite Morta (Manuel Bandeira);
- ... l'éternel moustache...
- Nature's Horror;

Monday, April 23, 2012

Xingu and Rio + 20



"Xingu" by Cao Hamburguer/Brazil, 2012: produced by Meirelles and Globo (among others); it would be fair enough to give it more publicity before an event such as Rio+20, since the actual Brazilian government, in issues concerning growing and development, maintains pretty much the same views as all the previous ones;
Other movies connected with similar issues:
- Los Silencios (Beatriz Seigner, Brasil/França 2018);
- Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (João Salaviza e Renée Nader Messora, Brasil/Portugal 2018);
- Além do Homem (Willy Biondani, 2018);
- Paralelo 10 (Silvio Da-Rin, 2012);
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"During the construction of one Amazon highway in the seventies, the armed forces tried to scare off the Waimiri-Atroari tribe by firing machine guns into the forest, setting off grenades and dynamite. Thirty-three members of the tribe allegedly died when a military aircraft dropped a toxic powder on their village" (Alex Cuadros, Brazillionaires, p. 69).
"Que notícias são estas, as de 70? São as que mostram o processo de demarcação das Reservas Xavante, sua disputa por terras com posseiros e com as grandes empresas agro-pecuárias incentivadas e subdisiadas pela política desenvolvimentista do Estado brasileiro. São notícias que fazem o leitor pensar o Xavante como um índio 'consciente', reivindicandor, sabedor do valor do seu próprio universo cultural e pronto a defendê-lo; um índio não mais enfeitiçado pelo mundo da civilização ocidental e que reage à dependência e à dominação, buscando formas mais justas de relacionamento entre os dois mundos. O exemplo dos Xavante chega, por vezes, a sugerir um padrão alternativo de relacionamento entre comunidades indígenas e o órgão tutelar; sugere novas perspectivas para a própria política indigenista na medida em que prova a possibilidade de uma minoria indígena fazer-se ouvir" (Aracy Lopes da Silva, Nomes e Amigos, p. 30).
"Em termos de orientação e aplicação de recursos em áreas Xavante, a iniciativa mais significativa da FUNAI nos últimos anos foi o "Plano de Desenvolvimento da Nação Xavante" [1974-78]... O projeto parece ter sido encarado pelos Xavante como uma fonte segura de verbas a serem consumidas na aquisição de bens imediatamente necessários (e não investidas em iniciativas que garantissem, de fato sua maior autonomia em relação ao órgão tutelar)... permite duvidar do real interesse do órgão tutelar com relação ao desenvolvimento comunitário efetivo e à criação de condições para retomada da autonomia pelos Xavante. Nunca antes da implantação deste Plano estiveram tantas vezes os Xavante nas cidades, pedindo rifles, máquinas de costuras, roupas e cobertores. Perdeu-se a oportunidade da criação de condições infra-estruturais mínimas para a tão falada auto-suficiência. Por outro lado, conseguiu-se que os Xavante procurassem menos os jornais para reclamar e difamar a imagem do órgão tutelar" (Aracy Lopes da Silva, Nomes e Amigos, p. 52-53).
***See also:

Sunday, April 22, 2012

Inside Job





Finn Wittrock & John Magaro in Adam's Mckay, The Big Short (2015);
What is most brilliant in this movie, no matter its title, is that it actually doesn't have to rely in any kind of conspiracy theory: greed & (academic and professional) stupidity (plus hypocrisy) amounting to what the French call bêtise were (and are still) a yawning crevasse.
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"Dupés par l'effet de réel de l'accélération des profits, les spéculateurs du moment, fascinés par les écrans du stock exchange, ne remarquent pas, semble-t-il, la déformation provoquée par la courbure du miroir des Bourses de l'ère de la globalisation et donc du caractère 'astronomique' de cette soudaine compression temporelle qui leur permet, certes, d'impressionnants profits mais au prix de 'bulles' de plus en plus fragiles qui déboucheront bientôt sur le krach systémique du turbo-capitalisme, mais, surtout, sur le laïcisme des spéculateurs qui ne pourront plus faire confiance à l'avenir de l'illusion progressiste, ni attendre du dernier logiciel les miracles que leur promettait la modélisation mathématique d'un marché soumis aux excès de vitesse du flash trading hyperactif..."
Paul Virilio (Le Grand Accélérateur)
"L'idée même d'un capitalisme hors-sol et hors champ de toute production véritable, fondé sur une spéculation en apesanteur, n'est jamais qu'un leurre du marché, une aberration économique qui conduit tout droit à la crise systémique redoutée, à l'exemple de ces hedge funds dont la comptabilité est aujourd'hui exilée dans des places offshore, des paradis fiscaux, dont le management se résume souvent à une minuscule équipe qui peut travailler dans un appartement, le fonds de spéculation n'ayant pas vraiment de statut juridique..."