".. era um time incrível, do Ziraldo ao Clóvis Bornay, passando por Mara Rúbia, Colé, Júlio Hungria e (principalmente, meu Deus) Elke, aquela mulher lindíssima, fantástica etc. Beijos pra você & pro Tico. Tchau."
George Antheil's Violin Sonata n. 2 (Vahid Khadem-Missagh and Gottlieb Wallisch, 2015,Youtube);
Torquato Neto, Torquatália (Rio de Janeiro: Rocco, 2004).
O (Des)construtor/a/Z [I took this video out of Youtube, because I wanted to change it];
Rubem Valentim, Sem Título, Rio de Janeiro, 1961 (A/Z Instagram post);
Clementina e Albino Pé Grande (Foto original de Ronaldo Theobald/CPDOC Jornal do Brasil);
A Coruja Comeu Meu Curió;
Me Dá Meu Boné;
Na Linha do Mar;
Assim Não Zambi;
Tute de Madama [I took this video out of Youtube, because I wanted to change it];
Boca do Sapo;
Atraca, Atraca;
Yaô;
Fui Pedir às Almas Santas;
Moro na Roça (Aracy Cortes);
Flor do Lodo;
Linda Flor;
Jura;
Sidney Magal (Meu Sangue Ferve Por Você, 1977) [this video was taken out from Youtube];
Robert Johnson: Sweet Home Chicago (Youtube);
Robert Johnson: The Complete Recordings (Evergreen/Youtube);
"Costurou na boca do sapo
um resto de angu
- a sobra do prato que o pato deixou.
Depois deu de rir feito Exu Caveira:
marido infiel vai levar rasteira."
"Quem pede as alma as alma dá..."
"Flor do lodo
Mulher de baixos custumes
Ninguém ouve os meus queixumes
Ninguém vê meu padecer..."
"Quando eu morrer
Vou bater lá na porta do céu
E vou falar pra São Pedro
Que ninguém quer essa vida cruel
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Eu não quero as crianças roubando
A veinha esmolando uma xepa na feira
Eu não quero esse medo estampado
Na cara duns nêgo sem eira nem beira
Asbre as cadeias
Pros inocentes
Dá liberdade pros homens de opinião
Quando um nêgo tá morto de fome
Um outro não tem o que comer
Quando um nêgo tá num pau-de-arara
Tem nego penando num outro sofrer
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Quando eu morrer
Vou bater lá na porta do céu
E vou falar pra São Pedro
Que ninguém quer essa vida cruel
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi
Deus é pai, Deus é filho, Espírito Santo é Zambi
Eu não quero essa vida não Zambi
Clementina é filha de Zambi
Eu não quero essa vida não Zambi
Ninguém quer essa vida assim não Zambi"
"Quelé era mesmo uma biblioteca viva: guardava recordações de setenta anos, incluindo os cantos de trabalho e ritos de escravos, que sua mãe, Amélia, lhe ensinara. Por outro lado, simplesmente não conseguia memorizar uma letra de canção que aprendera havia poucos minutos."
"Sua cidade natal, Valença, foi marcada pela expansão do café no Vale do Paraíba fluminense e o subsequente fluxo escravocrata que ali se formou, fazendo do município um importante polo da cultura afro-brasileira."
"... a reforma urbana de Pereira Passos (conhecida como reforma Pereira Passos ou, ainda Bota-Abaixo), ao mesmo tempo que desenvolveu temas como saneamento, urbanização modernização do tráfego do Rio de Janeiro, também marcou o início de um traumático e excludente processo habitacional, representando o surgimento de muitas favelas cariocas."
"Clementina contou ter participado de uma batalha de confete no boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Foi em uma dessas brincadeiras que ela recordou ter visto o célebre cantor e compositor Noel Rosa... 'Noel tinha um carrinho, a capota arriadinha e a gente do lado de fora cantando com ele'."
"Contam os registros oficiais da Estação Primeira que a turma dos 'arengueiros' fundadores da escola consistia em uma pequena constelação de craques do samba: Cartola, Saturnino Gonçalves..."
"Para se ter uma noção do quão suntuoso era [a igreja do outeiro da Glória no Rio de Janeiro], oito. mil azulejos formando 61 painéis decoravam a sacristia, a nava, o altar-mor e o coro da igreja, em trabalho assinado pelo mestre ceramista Valentim de Almeida."
"Hermínio Bello de Carvalho, que morava ali perto, voltava da praia quando viu Clementina pela primeira vez. Hipnotizado pela voz, queria chegar até a roda de samba e conferir de perto de onde vinha aquele som."
"... na metade popular de O Menestrel, Clementina se apresentaria com o acompanhamento de César Faria no violão. Um dos maiores violonistas da história do choro no Brasil... iniciou sua carreira profissional em 1939. No ano de 1966 entrou para o consagrado conjunto Época de Ouro, de Jacob do Bandolim, no qual se notabilizou... também era acompanhado por seu filho, Paulinho da Viola, em shows e gravações. De acordo com Turíbio Santos, César Faria era a pessoa certa para acompanhar as variações de tom na voz de Clementina, uma cantora sem a rigidez técnica de seus pares."
"'De repente, os jornais começaram a dar alguma coisa de mim. Veja só. Fiquei meio invocada: meu Deus, que negócio é isso? Sabe que, primeiro, eu pensei até que era gozação? É que eu tenho 62 anos'."
"Mesmo com as divergências, Clementina descrevia Araci Cortes com admiração e fazia questão de se lembrar do ensinamento que recebia da experiente artista... 'Clementina, respire bem fundo, hein?' ou então 'entra firme, com força, com pose de artista'."
"Três nomes lideraram a comitiva [para o Primeiro Festival Mundial de Artes Negras, Fesman]: o embaixador do Brasil em Gana... o folclorista, etnólogo e pesquisador de temas afro-brasileiros Eduardo Carneiro e o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da instituição, Waldir Freitas Oliveira."
"Sophia ficou encantada com Clementina e mandou um buquê de flores para ela. Elas iam se entendendo meio em. espanhol, do jeito delas, e começaram a mandar flores uma para a outra. Conta-se que Sophia Loren gostou tanto daquela cantora brasileira que passou a se referir a ela como 'Mama'."
"Quelé era católica e adepta de terços e missas... Mas a marca feita a fogo que Clementina trazia no peito mostrava o envolvimento que teve com as religiões de matriz africana durante sua infância em Jacarepaguá, zona oeste do Rio."
"... o Rosa n. 2 produziria uma contribuição inestimável para a música brasileira ao trazer de volta à cena um dos mais respeitados nomes da música, Pixinguinha. Quase septuagenário e afastado do meio musical há cerca de uma década, ele teve presença garantida no espetáculo com duas composições."
"Em seguida, Quelé 'transportava os ouvintes para um ritmo de macumba, genuinamente africano', na definicão de Edson Carneiro, com as curimas 'Ogum Megê', 'Bendito louvado', 'Ó Ganga', 'Lá no mato tem. Ganga', e 'A Maria começa a beber', interpretadas em sequência no álbum."
"'O carnaval de hoje é muito diferente, só tem pula-pula, ninguém sabe sambas. O partido-alto é pouco divulgado e as escolas de samba só mostram coreografia. É carnaval pra turista.'"
"Clementina reforçava sua fé católica sempre que podia, mas se mostrou interessada em gravar a canção candomblecista de Caymmi desde a primeira vez que ouviu."
"O extravagante multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal também aprontaria das suas no Festival Abertura, abocanhando o prêmio de Melhor Arranjo com 'Porco na Festa'."
"'Eu acho que existe uma coincidência vocal pelo tipo de voz entre ela e o Louis Armstrong, que às vezes canta rouco, vai ao agudo e volta. Ela é o Armstrong do Brasil, de saias' [Turíbio Santos]."
"A africanidade também se via no jongo, dança de umbigada que Clementina ajudou a disseminar. Proveniente da região que atualmente engloba Congo e Angola, o ritmo chegou ao Brasil pelos bantos que se instalaram na região do Vale da Paraíba... Também chamado 'caxambu', foi a influência da etnia banto que mais marcou a cultura brasileira..."
"Em um dado momento ela conta ter ficado obcecada por um cantor romântico que estava em alta naquele ano. 'Sou fanzoca de auditório do Sidney Magal', declarou Quelé."
"'Já teve gente que combinou show comigo, eu fiz e depois eles fingiram que esqueceram e nunca me pagaram... Um dia os alunos de um colégio, o Franco [Liceu Franco-Brasileiro], vieram me convidar pra fazer um show lá. Eu fui e foi o maior sucesso. Depois eles me convidaram para fazer outro mas a diretora do colégio não quis deixar e não fiz mais o show. Eu pensei, a diretora que vá para o inferno e nem me lembrava mais. Um dia, olha que coisa mais bonita, os garotos apareceram aqui na minha casa. Eles se reuniram, arrecadaram dinheiro entre eles e vieram trazer meu dinheiro como se eu tivesse cantado."
"E formou uma memorável parceria com Adoniran Barbosa para alguns shows entre março e maio de 1980."
"Companheiro de Clementina dos tempos da Mangueira, Nelson Cavaquinho foi a atração surpresa do espetáculo."
- Felipe Castro, Janaína Marquesini, Luana Costa, Raquel Munhoz, Quelé, a Voz da Cor. Biografia de Clementina de Jesus (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2017) [a foto no alto da página, de Clementina com Albino Pé Grande (de Ronaldo Theobald do Jornal do Brasil), foi escaneada também desse livro, rico em material visual];
"Contemplando o mapa africano, temos impressão de que esse continente está discretamente ligado ao Velho Mundo pelo isto de Suez, porém já sabemos das relações culturais entre o território africano, a Europa e Ásia..."
"O Reino de Aksum, do século I a X, os Impérios de Gana, século IV a XV, e do Mali, século V a XIV, viveram considerável desenvolvimento, chegando ao seu apogeu antes da expansão islâmica no século VII a XVII."
"Os Impérios de Mali, da Mauritânia e de Gâmbia crescem acentuadamente entre os séculos V e XVI; entre os séculos IX e XIV, o Songai desmembra-se do Mali, ampliando sua extensão do Senegal ao centro do Saara."
"Na região do atual Zimbabwe surge, entre os séculos XII e XV, o importante Reino do Monomopotapa, que se destaca como detentor da metalurgia do ferro, cobre e ouro, mantendo intercâmbio comercial com a Índia no que diz respeito a metais e marfim."
"Segundo Albert N'Goma, existem dois 'Islãos Negros' sendo que um chegou pelo mar, espalhando-se pela Costa Oriental do Continente Africano até as proximidades de Moçambique, e o outro expandidndo-se por terra, partindo de cima do Saara, espalhou-se pelo Bilad-es-Sudan. Este último de interesse imediato para o presente trabalho, visto suas relações com a escravidão no Brasil."
"Ronaldo Garcia afirma que para o Brasil 'de modo geral pode-se dizer que concorreram apenas dois grupos étnicos: o Bantu, com as suas diversas denominações tribais, para o Norte e para o Sul; o 'Joruba' ou Nagô, também içado de designações várias para o Centro..."
"Segundo Renato Mendonça, 'o sertão da África permaneceu até meados do século XIX um enigma geográfico..."
"A partir dos meados do século XVI, a região costeira africana banhada pelo Oceano Atlântico, situada entre Cabo Verde (Senegal) e Luanda (Angola), tornou-se reserva de escravos empregados nas plantações do Novo Mundo, situação esta que não se alterou por cerca de trezentos anos... Da soma de um milhão de africanos aprisionados pelos portugueses no início do século XVII, mais da metade tinha como origem Angola, Congo e Benin..."
"A Conferência de Berlim (1884-1895) estabelece as normas para a partilha do Território Africano, estimulando a ocupação e fixação de países europeus ávidos para o controle das fontes de matéria prima e do mercado... Este tratado estabelece também a divisão do Território Africano entre França, Bélgica, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Espanha e Portugal, que mantêm as possessões da época do descobrimento."
"Inicia-se uma relação de consumo de peças artesanais africanas, tendo os portugueses encomendado, no século XV, aos artesões do Benin, copos, saleiros e pimenteiros confeccionados em marfim..."
"Sempre chamou a atenção dos europeus a exuberante exibição de metais pelos negros africanos, em especial o ouro..."
"Desde antes de 1914, quando colecionadores e pintores modernos já haviam adquirido obras africanas, atribui-se a Mauricio de Valminck o mérito de ser o primeiro a reconhecer valor na arte africana."
"Este trabalho [Negerplastik de Carl Einstein]... aparece em Leipzig em 1915... uma obra de grande importância estética no referente à escultura africana..."
"Em 1921, Cendrars publicou uma Antologia Negra consagrada à literatura oral dos negros de diversas regiões da África, com textos mais amplos que os de Frobenius na coleção Der Sihwarze Dekameron, publicada em Berlim antes da guerra."
"Os negros africanos, em sua maioria, manifestam atenção especial ao aparato, ao cerimonial, onde a atividade estética manifesta-se integrada, configurada, em especial, nos festivais onde a exuberância de trajes e complementos evidenciam esse gosto, o que não elimina esta postura no cotidiano, através de cosméticos e adornos, escarificações e etiqueta nas relações humanas... A música, em parceria com a dança, desempenha importante papéis, não somente ritualísticos..."
"Objetos, os mais diversos, de utilização cotidiana ou ritual, estão adornados ou codificados por figuras, insígnias, ou motivos que carregam um sentido mágico-religioso."
"... a associação entre beleza e ritual deve-se ao fato da maior eficiência dos objetos mais belos, o que implicará no pleno agrado dos deuses invocados... o valor funcional dos objetos rituais... está intimamente dependente de uma qualificação estética."
"Essa arte das máscaras, que extrapola a pintura facial, é muito desenvolvida pelos negros localizados na selva, ou na savana..."
"Para execução de determinadas peças são necessários, além do conhecimento técnico, sensibilidade estética e o completo domínio dos procedimentos, que vão de precauções, oferendas, sacrifícios, amuletos, estado de abstinência, a determinadas práticas que inibem prejuízos decorrentes da manipulação inadequada dessas forças..."
"... longe do exercício ritualístico, a máscara deverá ser protegida dos olhos ou contato dos não-iniciados..."
"Outro material expressivo é o couro, em regiões de criação de ovelhas, e peles de animais decorrentes da caça, apresentadas, às vezes, em aplicações decoradas."
"No referente aos fetiches, a sua denominação derivaria da expressão portuguesa 'feitiço', que tomou o significado de encantamento ou sortilégio, amuleto, talismã, mascote... Esta expressão adquiriu um caráter pejorativo, mas sabe-se que é a tradução produzida pelos primeiros viajantes portugueses da palavra congolesa Nkisi."
"As esculturas obtêm o seu poder de força de determinados comportamentos ritualísticos realizados não só pelo executor, como, principalmente, pelo homem encarregado de sacralizá-las... esses objetos são portadores de ambivalência. Essas obras são utilizadas para ações terapêuticas ou pra provocar a doença, detendo desta forma, a enfermidade e a cura, disponível ao manipulador."
"A arte sacra africana é raramente monumental, sendo exceções os postes do Daomé e do Camarão, com dimensões consideráveis para possibilitarem uma visão à distância."
"Os africanos carecem de templos, possuindo satuários, nos quais a força divina ou ancestral é resguardada, preservada aos olhos, aprisionando-se energia mobilizadora de forças benéficas ou maléficas."
"Além da madeira e da argila, utilizadas na produção da estatuária, o artista da África Negra empregava, como material para sua expressão plástica, diversos metais. Dai a importância que dava o homem africano ao aprendizado das técnicas de fundição... O cobre, por exemplo, que é associado a uma determinada divindade... Ògún é ao mesmo tempo Òrìsà dos ferreiros, do ferro, da guerra e dos guerreiros... Entre os fon de Dahomey, é de grande importância Gu, o vudu — deus do ferro, herói civilizador e senhor da forja, patrono do ferro, inventor de todos os ofícios manuais."
"A República Federal da Nigéria, nação mais populosa da África, de religiosidade muçulmana em sua maioria, foi colônia britânica, alcançando sua independência em 1960, tem como língua oficial o inglês, porém conserva, nas relações interpessoais e grupais, outras línguas... entre elas, o Yorùbá."
"Identifica-se como Yorubano o grupo étnico que vive a sudeste da Nigéria e parte do Daomé... 'Egbás ou Yorubanos, nàgô, negros da Nigéria, que implantaram no Brasil prodigiosa influência intelectual, social e religiosa' [Iraey Caribé]..."
"É aí [Ilé Ifé, Nigéria] que reside o Ooní de Ifé, muito conhecido como o pai dos falantes do Yorubá, que emigraram na condição de escravos para Cuba e Brasil, e nestes países elaboraram, simbolicamente, uma expressão religiosa particular, chamada Candomblé."
"Já abordamos convenientemente Olódùmarè, deus supremo Yorùba, entidade que está acima dos Òrìsà, uma divindade inacessível, sem culto específico ou um lugar entre os Òrìsà. Esta qualidade de distanciamento, de inacessibilidade, faz com que o mesmo não possua representação material."
"Exu Elegbará-Èsù ou Elégbára, encabeça a listagem de entidades, ordem, esta, que remete à prática do culto, no qual esse Òrisà é saudado em primeiro lugar, devidamente justificado por razões mitológicas."
"Sangó tem, como símbolo, expressão de arte sacra africana, um machado de duas lâminas..."
"Yánsàn é a divindade dos ventos e das tempestades, patrona do Rio Niger..."
"Ganha destaque, no contexto da religiosidade africana, em especial em Cuba e Brasil, o Òrìsà Yémanjá-Yemoja..."
"Construído em 1452, o Forte de Arguim, na Guiné, garantia as investidas comerciais dos portugueses o Continente Africano..."
"A presença de negros, pardos e mulatos na pintura e na escultura brasileira do séc. XVIII é tratada por José Roberto Teixeira Leite em A mão afro-brasileira..."
"Esse vínculo com a África, através da aquisição de produtos para prática religiosa afro-brasileira, ainda se realiza até hoje, existindo casas comerciais especializadas nessas transações."
"José Flávio P. de Barros em seu trabalho voltado para classificação dos vegetais... procura identificar seus simbolismos e mecanismos rituais no ambiente das três principais casas de culto: Engenho Velho ou Casa Branca, Gantois e Òpó Àfònjá, situadas em Salvador, consideradas participantes do que convencionou-se denominar de Complexo Cultural Jêje Nagô."
"'Cada Ègun possui seus trajes característicos, que sugerem contornos de formas humanas' [Juana Elbein]."
"O Ègun Baba-Alépala, que se destaca no universo dos Baba-Àgbà, é particularmente temido, em razão do seu ilimitado poder..."
"Do ponto de vista da organização religiosa-administrativa, o Egbé [terreiro de candomblé] possui estrutura hierárquica, onde as funções são exercidas, mediante preparação iniciática, por sacerdotes de reconhecida competência, tendo na sua cúpula organizacional a Ìyalôrìsà ou o Babalôrìsà (Mãe-de-Santo e Pai-d-Santo)..."
"... o conteúdo masi importante do 'terreiro'é o Àsé, manifestado enquanto 'força que assegura a dinâmica da vida' [Juana Elbein], que permite o acontecer e o devir..."
"A palavra Àsé ganhou, ultimamente, uma amplitude que extrapola sua significação litúrgica, sendo comum ouvi-la, nos diversos segmentos sociais, enquanto saudação, surgindo até a expressão pitoresca de Axé Music para designar determinado estilo musical baiano."
"O Àsé é contido nas substâncias essenciais de cada um dos seres, animados ou não, simples ou complexos, que compõem o mundo. Os elementos portadores de Àsé podem ser agrupados em três categorias: 'sangue' 'vermelho' [por exemplo, sangue menstrual, azeite de dendê, mel, cobre, bronze], 'sangue' 'branco' [por exemplo, sémen, saliva, seiva, álcool, giz, prata], 'sangue' 'preto' [cinza, índigo]."
"A representação plástica, simbólica, do universo, da unidade entre o Àiyé [universo físico concreto] e o Òrun [espaço sobrenatural], é realizada por uma cabaça... Em decorrência dessa concepção, entenderemos o papel de Olórum, massa infinita de ar transformando-se em massa de água, originando Orìsànlá, o grande Òrìsà — funfun, Òrìsà do branco: o ar e a massa de água moveram-se e parte do seu material transformou-se em lama; dessa lama, forma-se um montículo, um rochedo avermelhado, Olórun sopra-lhe seu hálito divino, dando-lhe vida, sendo essa de existência individual, o proto Èsú... a água e o ar pertencem aos elementos — signos do sangue branco do Àse e a terra é condutora do 'sangue vermelho' e 'preto' do Àse."
"O conteúdo do Ígbá-Odú [cabaça que representa o Àiyé e o Òrun]... é considerado um segredo importantíssimo; revelá-lo poderá significar a morte, como também separar as suas partes significa o aniquilamento. O Igbá-Odú é, além disso, a síntese que contém os elementos-signos dos três 'sanges' do Àse — o branco (Efun ou giz), o vermelho (o Osún ou pó de coloração vermelha) e o preto (carvão vegetal, no caso da madeira, ou carvão mineral). Esses elementos, associados à lama — enquanto matéria-prima, obtida no fundo dos rios — representam os elementos essenciais para a existência individualizada."
"O três se evidencia nas representações geometrizadas produzidas através do desenho, pintura e gravação... Ainda levando em conta a representação simbólica geometrizada, Juana [Elbein] trata da relação entre o Èsù, o cone e o caracol, que simbolizam expansão e crescimento."
"Nàná, Náná Burúkú, Ná Burúkú ou Ná Búku, figura entre os Òrìsà genitores da esquerda, associada à terra, à lama e às águas... Juana [Elbein] lembra sua importância no Daomé, onde a mesma foi considerada como ancestral feminino de todas as divindades do Panteão, e na Bahia, onde, em certos casos, Nàná (Nanã) é colocada na mesma hierarquia que Òsàlá... quando manifesta-se em suas sacerdotisas, dança em movimentos lentos com extrema dignidade..."
"... desprovidos de seus componentes orgânicos, os moluscos, os cauris passam a simbolizar os dobles espirituais e dos ancestrais..."
"Oya está também associada ao ar, ao vento, à tempestade e ao relâmpago... Conhecida como Yánsãn na Bahia, tem poderes que a autorizam a ser a única a enfrentar os mortos."
"Uma outra característica é a comercialização dessas peças que, hoje, encontramos em lojas especializadas, porém sendo ainda encontradas nas feiras, a exemplo de São Joaquim, Sete Portas e Mercado Modelo, em Salvador... Sereias — Oxum, latinizadas, que atestam um certo sincretismo..."
"Obaluaiyé dança empunhando o Sásárá, com o qual simbolicamente varre as mazelas da terra, curando-a. Em outra versão mítica, esse Òrisã coça desesperadamente o seu corpo, contorcendo-se..."
"Òbà lúaiyé significa a putrefação, a transformação da matéria, tendo como símbolo o Sàsàrà..."
"Pierre Verger, baseado em ilustrações de Carybé, apresenta, de forma sintética, algumas características cromáticas e formas dos objetos do culto afro-brasileiro..."
- Jaime Sodré, A influência da religião afro-brasileira na obra escultórica do Mestre Didi (EDUFBA, 2006).
Telma, eu não suguei! (featuring lizard from Dario Argento's Opera, 1987) (Z/A Instagram post);
Pictures also taken from the book Torquatália (Rio de Janeiro: Rocco, 2004);
Nosferato no Brasil (Ivan Cardoso, 1971);
Torquato Astrological Chart made with free software Astrology for Windows;
Cajuíana (Caetano Veloso, A/Z mimesis-interpretation) [I took this video out of Youtube, because I wanted to change it];
"Esses heróis que costumavam ser os ícones da liberdade de expressão agora são, subitamente, os rostos do puritanismo e da censura... Caetano Veloso e Chico Buarque tomaram todos os passos necessários para se assegurar de que suas preciosas vidas permanecerão 'incólumes' e que seus segredinhos sujos não serão revelados. Por favor, notemos que o artista é uma persona PÚBLICA..."
Gerald Thomas, Entre Duas Fileiras
"'A excursão dos Doces Bárbaros já era uma espécie de golpe de estado, no qual os baianos diziam que só eles eram donos do negócio', acredita Alex Antunes. 'Com essa atitude, a música brasileira foi perdendo a variedade de caras que diziam tanto quanto Jards Macalé, Tom Zé, Mutantes, em histórias que muitas vezes esbarraram na tragédia pessoal. Desde então, instituiu-se essa forma de sacrifício, de cortar as beiradas menos funcionais em favor do lobby."
Ricardo Alexandre, Dias de Luta
"O poema começa com uma referência à 'geleia geral', expressão criada por Décio, adotada por Torquato Neto e Gilberto Gil, e generalizada para a glória do anonimato. Surgiu da frase 'No meio da geleia geral brasileira alguém tem de fazer o papel de osso e de medula' com a qual DP redarguiu, bate-pronto, à maldição de Cassiano Ricardo: 'Vocês são muito radicais. O arco não pode ficar tenso todo o tempo. Vocês vão ter de afrouxar'. Depois do troco de Décio, o velho Cassiano pôs o chapéu e se despediu com um 'Adeus'. Nunca mais o vimos. Torquato leu o exemplar da Invenção, que lhe dei, onde a expressão aparecia, e ficou siderado."
Augusto de Campos (Reflashes para Décio)
"The aquisition of my tape recorder really finished whatever emotional life I might have had, but I was glad to see it go. Nothing was ever a problem again, because a problem just meant a good tape, and when a problem transforms itself into a good tape it's not a problem any more. An interesting problem was an interesting tape... once you see emotions from a certain angle you can never think of them as real again... I don't really know if I was ever capable of love, but after the 60s I never thought in terms of 'love' again. However, I became what you might call fascinated by certain people... And the fascination I experienced was probably very close to a certain kind of love."
The Philosophy of Andy Warhol
"This category—test—is neither aesthetic, nor ethical, nor dogmatic; it is completely transcendent..."
The young person in Repetition (translation by M. G. Piety)
Alô!
"Daí, as revistas, os jornais, as TVs e as rádios ajudando a vender produtos de baixa qualidade que, no entanto, foram produzidos e precisam de um mercado para pronta-entrega. Este mercado é forçado através das paradas de sucessos" (Torquatália: Geléia Geral, p. 50).
"Quem leu soube a opinião de Nélson [Motta] e de quase todos os compositores jovens sobre as famosas Sociedades Arrecadadoras aqui deste Brasil subdesenvolvido. É verdade: vivemos ainda numa época em que é fácil, facílimo, que três ou quatro sujeitinhos desonestos possam controlar por completo o direito de arrecadar o dinheiro dos outros — e ficar com ele" (p. 52).
"Mas parece que pouca gente conhece essa cantora que, em minha opinião, é uma das melhores que possuímos. Thelma [Soares], para quem não sabe, foi uma das primeiras a cnatar bossa nova. Praticamente descoberta por Vinícius..." (p. 56).
"A música popular americana é importante, a mais importante deste século e é bom que as pessoas possam conhecê-la bem. Mas, por que ninguém lembrou-se ainda de escrever uma historiazinha do samba?" (p. 62).
"Sidney Miller, 22 anos, é, hoje um dos mais importantes compositores da nova geração de nossa música popular" (p. 64).
"... tenho má vontade, mesmo, com o iê-iê que se faz no Brasil. E tenho porque é de baixa qualidade. Exclui o Roberto Carlos, que é o único que sabe catar e, de vez em quando, aparece com músicas bonitinhas" (p. 67).
"De Chris Montez à imbecilidade de Erasmo Carlos ou à banalidade de um Bobby de Carlo vai outra distância que eu não ando. Impossível aceitar a 'ternurinha' analfabeta de Vanderléia ou de sua congênere subdesenvolvida, Maritza Fabiane. Certo, os cabelos de Ronnie Von são bacaninhas, mas que o rapaz não sabe cantar, não sabe mesmo" (p. 69).
"Paulinho da Viola não se dá por satisfeito com o fato de ter talento e poder improvisar numa roda de partido alto. Por isso, ele é hoje um dos músicos mais completos de sua geração. E violonista confesso e praticante capaz de executar sem problemas um estudo de Villa-Lobos, um choro de Nazaré..." (p. 86).
"Entre 1929 e 1937... Noel Rosa compôs um número superior a duzentas músicas: sambas... e marchas, choros, toadas, valsas, emboladas e paródias. Essa obra é hoje, talvez, o marco mais importante da história de nossa música popular" (p. 88).
"Noel Rosa fez muitas paródias para melodias populares em sua época: a maior parte delas é absolutamente impublicável em jornal" (p. 90).
"... um grande artista não envelhece. Apesar dos anos Grande Otelo ainda é o mesmo moleque Tião, o Claudionor da Estela, o poeta inspirado que o tempo nem a vida difícil conseguiram esconder" (p. 92).
"... eu acho que Norma Bengell é uma das cinco melhores cantoras do Brasil. Está dito" (p. 101).
"... samba e marcha-rancho, baião e samba-canção, samba de roda etc. Gil é um filtro: apreende todas essas formas e as utiliza como quer, porque... pode, tem material humano e musical para fazer este trabalho" (p. 107).
"Já os membros da Comissão de Carnaval da Imperatriz são unânimes em afirmar que as escolas de samba tomaram um caminho erra e que seria impossível voltar atrás" (p. 116).
"... conhecemos a arte extraordinária de Clementina de Jesus e reencontramos a divina Araci Côrtes, senhora rainha de nossa música..." (p. 117).
"... aquele preceito tão saudável da pesquisa como elemento decisivo na evolução de um processo cultural qualquer" (p. 131).
"Quem leu, sabe que o II FIC foi 'doado' à TV Globo de à TV Paulista sem abertura de uma concorrência legal e, portanto, de maneira — no mínimo — escusa" (p. 137).
"Cantando, Caetano Veloso se revela um dos melhores intérpretes de suas músicas. Sua voz pequena e afinada, suas divisões sensíveis, sua intimidade com as notas casam-se na mais perfeita harmonia com o tom das canções que interpreta" (p. 139).
"Elis Regina surgiu num momento crítico de nossa música e... O Fino e Elis foram diretamente responsáveis pela afirmação de vários dos nossos compositores, de Edu Lobo a Gilberto Gil... ao lado de Jair Rodrigues, Elis proporcionou as deixas para que muita gente mais surgisse, entre compositores, cantores e músicos..." (p. 141).
"Não, não pensem que eu esteja sugerindo que Elis é a música brasileira. Não é não: mas é uma de suas maiores representantes. Uma de suas mais importantes personalidades. E se posso falar assim, é ainda hoje uma de suas vigas-mestras" (p. 142).
"Estamos todos, imagino, suficientemente bem informados a respeito do jogo de empurra que se desenrola anualmente no submundo dos programas especializados... onde ganha carnaval quem tem mais dinheiro e menos caráter..." (p. 144).
"... a música de Chico Buarque, fortemente enraizada em nossas tradições mais populares, tem provado que o samba pode ser — e é — também música para consumo do público jovem... Tendo como fonte básica de sua inspiração as mais antigas tradições do samba (leia-se: Música Popular Brasileira), ele, a meu ver, como que o reinventou" (p. 147).
"Por essas e por outras é que os compositores estão fugindo do Brasil e fazendo negócios com suas músicas, pessoalmente, com editoras e gravadoras estrangeiras. Edu Lobo, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Marcos e Paulo Valle, Carlos Lyra e muitos outros" (p. 151).
"... afinal, ainda não está claro para ninguém que xingar Roberto Carlos e seu grupo é — no mínimo — uma falta do que fazer? ... 'Frente Única' do samba, se houvesse, não seria brigar com o iê-iê-iê, mas tentar uma união de artistas interessados na sobrevivência de nossa música e dispostos a tomar parte num processo eficaz de massificação desse musical" (p. 155).
"O Bebê de Roseary... o melhor (mais interessante) dos filmes do viúvo de Sharon Tate. Transas de magia negra superbarra-pesada, perigosíssimas; deu no que deu. Mas valeu: o filme é bom. E vou ver de novo" (p. 195).
"Atenção: vai sair, breve, uma edição brasileira da Rolling Stone, a revista underground mais badalada do mundo" (p. 206).
"Contadores de história vão afastando cinema da barra-pesada da realidade, que a meu ver é infinitivamente mais forte e educativo do que qualquer história, bem ou mal contada, dessas antigas" (p. 218).
"A maioria se diz católica. Mas o espiritismo da linha de umbanda é de fato a religião geral do Brasil, terra de Exus" (p. 219).
"... livre do som livre da TV Globo, Ivan [Lins], que é um cara extremamente musical e barra limpa, deve estar preparando um disco da pesada" (p. 230).
"Agora, oficialmente: não estou mais 'pertencendo' a nenhuma sociedade brasileira — nem mesmo à Sicam, que é a mais 'simpática' delas" (p. 235).
"Eis o que eu quero saber: teremos, algum dia, oportunidade de assistir a todos os filmes disponíveis de Zé do Caixão, numa revisão que me parece (e é) da maior urgência no presente momento do cinema brasileiro?" (p. 248).
"O Festival da Canção mais a Sigla da TV Globo querem vender a fina flor da mediocridade nacional e estrangeira para um público que não é exatamente o que vibra com o show do Maracanãzinho. Muita engrupição" (p. 257).
"O texto da contracapa... informa direitinho sobre vários aspectos da carreira (geralmente esnobada pelos idiotas aristocratas daqui) dessa cantora inigualável que é a Angela Maria" (p. 259).
".. dê uma chance ao seu olho, futuque, descubra, transe em superoito. É muito quente e muito frio, só depende mesmo de você" (p. 267).
"Chico tem, pelo menos, cinquenta por cento de sua produção recente interditada; Chico também se recusou a participar do FIC da TV Globo, a festa da mediocridade oficializada (e retardada) desta província... a música de Chico é aberta e portanto está sendo cuidadosamente fechada pelos funcionários e freelancers da coisa (colunistas etc.), num esquema dos mais manjados e repelentes" (p. 268).
"Nada melhor do que Gal: nada mais liberto, mais à vontade, mais maneiro, mais pesado. Essas coisas todas que irritam os bobões..." (p. 274).
"A música popular oficial (a do público, por aqui) não admite experiência e, pelo contrário, veta sistematicamente: basta pintar mais à vontade pra nem ser gravado. Como é o nome disso? Asfixia" (p. 292).
"Depois de One Plus One, Godard e seus amigos (uns & outros) fizeram mais de 10 filme que não passaram, nem passarão na cinemateca do MAM... Do cinema experimental dos americanos piradões (de Warhol a Jack Smith etc.) também não conhecemos nada nem podemos exigir da cinemateca a obrigação de exibi-los" (p. 314).
"O médico pediu: deixa eu ler os teus poemas... O médico achou a linguagem 'totalmente fragmentada' e, para que ele voltasse a escrever como muito antigamente se fazia, mandou interná-lo e impregnou a sua célula nervosa. Crítica literária" (p. 320-21).
"Meu Deus, como Baby Consuelo é tão bonita!" (p. 340).
& até amanhã...
(Socorro! Fim)
*************************************************
"... However, I also felt that adding voodoo to our experimental repertoire would be socio-politically explosive. So we didn't try it again. One can push the envelope only so far in a university setting without causing administrators to faint. I've met a few who were tough and capable of withstanding the heat generated by controversy. But others? Well, let's just say that they tend to spook easily..." Dean Radin, Real Magic (Harmony/Penguin 2018);
Chico Science & Nação Zumbi: Maracatu Atômico; Chico Science & Nação Zumbi: Sangue de Bairro [video taken out from Youtube]; Planet Hemp: Nega do Cabelo Duro; Planet Hemp: Quem Tem Seda [video taken out from Youtube]; Raimundos: Eu Quero Ver o Oco; Raimundos: I saw you saying;
"Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas negras e tão afiadas esqueceu de pôr..."
Nação Zumbi
"Foi a partir da junção do rap com o rock que surgiu o som dos anos 90, Beastie Boys, Faith no More, Chico Science & Nação Zumbi."
"'Por essa época as gravadoras multinacionais abriram seu capital para investimentos na bolsa de valores', lembra André Midani... A partir daí, o retorno imediato passou a ser gerado basicamente, de duas formas: reinvestimento nos mesmos medalhões de sempre, de público fiel e rentabilidade certa, e ações corsárias sobre as ondas do momento."
A/Z's drawing after a famous photograph of Ademar Manarini, available with other A/Z's drawings and photographs at Fine Art America;
Alfredo Andersen, Brincando no Jardim;
Alfredo Andersen, Retrato de Dirceu Andersen (1930);
Almeida Júnior, Estudo de nú masculino (1873);
Candido Portinari, Menino de Brodowski (1946);
Tomie Ohtake, Sem título (1965);
Geraldo de Barros, Unilabor Chair (1954);
Ademar Manarini, Pavor (1951);
German Lorca, Cavalo Bravo (1970)
Depeche Mode's Enjoy the Silence;
Depeche Mode's Shake the Disease;
New Order's Sub-Culture [the video become unavailable at Youtube];
The Cure's Lullaby;
The Cure's The Forest;
The Cure's The Walk;
The Cure's Charlotte's Sometimes;
Duran Duran's Come Undone;
Duran Duran's Save a Prayer;
Bauhaus's In the Flat Field;
Bauhaus's Bela Lugosi's Dead;
Eurythmics's Sweet Dreams;
Siouxsie & the Banshees' Cities in Dust;
DAF 's Sato Sato;
DAF's Der Räuber und der Prinz;
Japan's Ghosts;
Soft Cell's Tainted Love;
Tubeway Army's Down in the Park [video became unavailable at Youtube];
Sigue Sigue Sputnik's Atari Babby;
Sigue Sigue Sputnik's Love Missile F1-11 [video became unavailable at Youtube];
B-52's Private Idaho;
Public Image Limited's Albatross;
Chrome's All Data Lost;
Chrome's New Age;
Factrix's Anemone Housing;
Tuxedomoon's No Tears;
Tuxedomoon's In Heaven;
The Resident's Burning Love;
Beirut Slump's See Pretty;
Throbbing Gristle's Persuasion ;
Throbbing Gristle's Separated;
Human League's Don't You Want Me;
Cabaret Voltaire's Yashar;
Depeche Mode's Martyr (Paul van Dyk Remix);
Depeche Mode's Only When I lose Myself (Lexicon Avenue Remix);
Radiohead's Down is the New Up;
Anton Corbijn, Control (2007);
"The Woodstock revolution started in 1966, peaked in 1976, and hit the wall with a thud! in 1980 with the election of Nancy Reagan."
"So good-bye to turn on, tune in, drop out... and hello to the motto of the 1980: Hang on. Hang in. Hang over."
"In the 1960's Dylan sang: 'We ain't gonna work on Maggie's farm no more.' Lennon sang: 'Give Peace a Chance.' In the somnambulant 1980s Michael Jackson, Prince, Madonna, George Michael kept us moving in the big auditorium-arenas under the watchful eyes of the security guards, but the lyrics are not high in socially redeeming value, while the anger of young activist musicians is limited to the denigrated punk-club scene."
"What do self-respecting, intelligent, ambitious young Americans do [in the 80s]? They perform. They master a craft. They learn to excel in a personal skill. They become entrepreneurs, i.e., people who organize, operate, and assume risks... They are politically and psychologically independent. They are notoriously nonloyal to institutions... black athletes led this evolution."
Timothy Leary
"Other singer-lyricists—Joy Division's Ian Curtis, Paul Haig of Josef K—were steeped in the shadowy unease and crippling anxiety of Dostoevsky, Kafka, Conrad, and Beckett. Three minute mininovels, their songs grappled with classic existentialist quandaries: the struggle and agony of having a self; love versus isolation..."
"Although Burgess drew specific inspiration from his hometown of Manchester, Clockwork Orange's backdrop was familiar to anyone living in Urban Britain during the 1970s. Tower blocks, skyways, shadowy underpasses: This was the desolate psychogeography of a new England created by town planners and Brutalist architects from the early 1960s onward."
"Influenced by Burroughs and his paradoxically depersonalized yet personified vision of Control, the Cabs developed a worldview in which power figured as a demonic, omnipresent force, a multitentacled yet sourceless network of domination and mind coercion. 'Being in a state of paranoia is a very healthy state to be in,' [Stephen] Mallinder said. 'It gives you a permanently questioning and searching nonacceptance of situations..."
"'I ended up working two years in a university bookshop and I had every science-fiction paperback you could get. I was really into Philip K. Dick and Ballard' [Phil Oakey]."
"Drugs of the socially sanctioned sort flooded Manchester in the Seventies. Numbing and often incapacitating tranquilizers were massively overprescribed to help ordinary people (menopausal housewives, troubled teenagers, wage slaves cracked by stress and boredom) not so much manage their lives as be manageable."
"'The reality of the psychedelic experience isn't love and peace, it's insanity. If you actually took LSD and listened to our records, the trip would get so whacked-out you'd start laughing. Funny-scary, we called it. The bad trip would turn into a good trip, because you'd already been to th emost negative part of the universe' [Helios Creed/Chrome]."
"... underneath the campy surface the B-52's sound was stark and spiky, a tough dance groove midway between James Brown's minimal Afro-funk and the Leeds agit-funk of Gang of Four and Delta 5."
"... the debut Eurythmics album, In the Garden, featured Can's Holger Czukay and DAF's Robert Görl..."
"Whether it was the Human League's celebration of romance or Goth's patchouliscented romanticism, 1982 saw the return of that old (black) magic..."
"... Standard musical fixtures included scything guitar patterns, high-pitched post-Joy Division basslines that usurped the melodic role, beats that were either hypnotically dirgelike or 'tribal'..."
"Any suspect totalitarian leanings were mostly held in check by Goth's opposing attraction to Aleister Crowley's libertine dictum, 'Do what thou wilt shall be the whole of the law.'"
Simon Reynolds (Rip It Up)
"She looked like an ancient vampire countess who was definitely o a mission to capture my soul... Connie might have brought me close to death a lot of times, but in a way, she kept me alive. No one else did."
Dee Dee Ramone (Please Kill Me)
"I was so sick of hippie culture. People were trying to keep up those peace and love ideals, but it was so devalued. That was the era of real hip capitalism too... I found the hippie culture nauseating and prissy and sentimental, and smiley-faced. So Richard Hell just came over and said, 'This is what we are, we're the blank generation. It's over."
Mary Harron (Please Kill Me)
"Remember that season? Fall '86 I think, and all that Soviet madness? We wore Russian logos and listened to Sigue Sigue Sputnik. Oh, and we all quoted Karl Marx and went to those Yakov Smirnoff concerts (or was that just me?). Anyway, Communist chic was all the rage."
James St. James
"Who said that drugs will make you smile?"
Tommy Cash
"Je veux, dans cette dernière partie, définir, et analyser le ravage moral causé par cette dangereuse et délicieuse gymnastique, ravage si grand, danger si profond, que ceux qui ne reviennent du combat que légèrement avariés, m'apparaissent comme des braves échappés de la caverne d'un Protée multiforme, des Orphées vainqueurs de l'Enfer. Qu'on prenne, si l'on veut, cette forme de langage pour une métaphore excessive, j'avouerai que les poisons excitants me semblant non seulement un des plus terribles et des plus sûrs moyens dont dispose l'Esprit des Ténèbres pour enrôler et asservir la déplorable humanité, mais même une de ses incorporations les plus parfaites."
"Il est facile de saisir le rapport qui existe entre les créations sataniques des poëtes et les créatues vivantes qui se sont vouées aux excitants. L'homme a voulu être Dieu, et bientôt le voilà, en vertu d'une loi morale incontrolable, tombé plus bas que sa nature réelle... Il est vraiment superflue d'insister sur le caractère imoral du haschisch... Que je l'assimile à la sorcellerie, à la magie, que veulent, en óperant sur la matière, et par des arcanes dont rien ne prouve la fausseté non plus que l'efficacité, conquérir une domination interdite à l'homem ou permise seulement à celui que en est jugé digne..."
"Elle ne lève jamais les yeux; sa tête, coiffée d'un turban en loques, tombe toujours, et toujours regarde la terre. Elle ne pleure pas, elle ne gémit pas. De temps à autre elle soupire inintelligiblement, Sa soeur, la Madone, est quelquefois tempétueuse et frénétique, délirant contre le ciel et réclamant ses bien-aimés. Mais Notre-Dame des Soupirs ne crie jamais, n'accuse jamais, ne rêve jamais de révolte. Elle est humble jusqu'à l'abjection. Sa douceur est celles des êtres sans espoir..."
"... la plus jeune soeur se meut avec des mouvements impossibles à prévoir; elle bondit; elle a les sauts du tigre. Elle ne porte pas de clef; car, bien qu'elle visite rarement les hommes, quand il lui est permis d'approcher d'une porte, elle s'en empare d'assaut et l'enfonce. Et son nom est Mater Tenebrarum, Notre-Dame des Ténèbres... Telles étaient les Euménides ou Gracieuses Déesses..." Baudelaire/De Quincey (Les Paradis artificiels)
"Killing an Arab was inspired by the novel L'Étranger written by Camus, the protagonist, for reasons he doesn't understand and cannot explain, shoots an Arab on the beach... Although the song is a treatise on existential angst and has nothing to do with racism, it can attract the wrong type of seeker... At Kingston Poly, we got permission to play it after Robert calmly took several of the students aside and explained the song's literary origins... It wasn't just the skinheads who thought the song was racist: so did the college students!"
"We slept in the old Morgan Studio 1 for some sessions, which was kind of creepy, as it used to be a church. Above the new ceiling was an old, stained-glass roof. When the studio was dark it was visible in a ghostly kind of glow. At 4 a.m. it looked almost otherwordly."
"It's obvious to me now that one of the main things I got out of being in The Cure was that emotional release and understanding of where I was spiritually at any particular time. The lyrics have always spoken to me in a very helpful and healing way."
"I was playing the songs with ferocious intensity, madly slashing and berating the God who would let this happen to me when I was so young. I felt cast out of heaven and thrown down to earth like a damaged archangel."
"Robert doesn't play halfheartedly; when he plays his songs he has to inhabit them for them to work. I remember some tours where he would literally collapse after the gig and lie on the floor for thirty minutes to recover from the effort he'd put out."
"Pornography stands the test of time because it's not a slave to whatever the current fashions of the day were. It was born out of our own desperation and peculiar madness."
"My other memory of that session is twofold: one, the view from the upstairs room of the studio looking out over London in the early morning, just as the sun was rising and the mist was still enveloping the treetops. The other was..."
"Depeche Mode and The Cure had a lot in common: we both originated in 'new towns,'us in Crawley and them in Basildon, and both bands still have a large US following, which can't be said for some of our peers... We have also over the years shared several crew members."
Lol Tolhurst (Cured: the tale of two imaginary boys)
Aleister Crowley's The Book of Thoth:
- 18/The Moon [Pisces, the last of the signs, the last stage of the winter, gateway to resurrection, midnight, the sacred Egyptian beetle (which "bears the sun in his silence through the darkness of the night, and the bitterness of the winter"), "sinister and forbidden landscape," waning moon, moon of witchcraft, "the poisoned darkness which is the condition of the rebirth of light," "prejudice, superstition, ancestral loathing," "the howling of wild beasts," the threshold, "the dreadful madness of pernicious drugs," the dark night of the soul ("an horror of great darkness came upon me," said Abraham)] [from Nietzsche's Ecce Homo: "Rechne ich dagegen von jenem Tage an vorwärts, bis zur plötzlichen und unter den unwahrscheinlichsten Verhältnissen eintretenden Niederkunft im Februar 1883 — die Schlußpartie, dieselbe, aus der ich im Vorwort ein paar Sätze citirt habe, wurde genau in der heiligen Stunde fertig gemacht, in der Richard Wagner in Venedig starb — so ergeben sich achtzehn Monate für die Schwangerschaft. Diese Zahl gerade von achtzehn Monaten dürfte den Gedanken nahelegen, unter Buddhisten wenigstens, daß ich im Grunde ein Elephanten-Weibchen bin."];
- 9/The Hermit [the Hand ("tool or instrument par excellence"), the letter Yod (which is "the foundation of all the other letters of the Hebrew alphabet, merely combinations of it in various ways, and also "the first letter of the name Tetragrammaton," symbolizing the Father, "the highest form of Mercury, and the Logos, the Creator of all worlds," "the spermatozoon"), the sign of Virgo, corn, wheat, Persephone (queen of underworld) (concealed within Mercury is a light which pervades all parts of the Universe equally... one of his titles is Psychopompos, the guide of the soul through the lower regions") ("these symbols are indicated by his Serpent Wand, which is actually growing out of the Abyss, and is the spermatozoon developed as a poison, and manifesting the foetus... following him is Cerberus... this trump is shewn the entire mystery of Life in its most secret workings... the method")];
***To raise the dead— &/or evidence for the villainous affair, the tale of family disonour, Romish church's pact with the devil (considered the greatest outrage against sense and decency, to be plagued and pestered, though solemnly ratified, à Dieu rien n'est impossible, menteur avéré, nom d'un chien):
"Although Greek names were sometimes applied to the church modes and the principle of diatonic octave scales is found in both systems, certain significant discrepancies seem to belie any direct historical connection. Most conspicuous is the different meaning attributed to the names of the Greek octave species and of the church modes. Comparing the two systems provides a plausible explanation: medieval theorists apparently assumed wrongly that the Greek octave species were named in ascending rather than descending order. The Greek octave species Dorian (E–E), Phrygian (D–D), Lydian (C–C), and Mixolydian (B–B) thus appeared in the church modes as Dorian (D–D), Phrygian (E–E), Lydian (F–F), and Mixolydian (G–G)," (from "Mode," entry in Brittanica, by Mieczyslaw Kolinski);