Friday, February 01, 2019

Nova Ameaça ao Meio-Ambiente: Novo porto em Torres?! Quem se beneficia? Qual a lógica por trás?



Em reportagem publicada no jornal Zero Hora de 9 de janeiro de 2019, a jornalista Jéssica Rebeca Weber revela que "a idéia é apresentada pelo engenheiro civil Fernando Carrion e pelo senador Luis Carlos Heinze (PP)."

Quem é o senador?

Segundo, por exemplo, reportagem publicada no Yahoo notícias em 23 de outubro de 2018:

'Ligado ao setor rural do Rio Grande do Sul (estado que se destaca por sua produção agropecuária), Heinze trabalha em cima de renegociação de dívida de agricultores e – assim como o presidenciável pelo PSL – é crítico da demarcação de novas áreas indígenas. Em 2014, durante audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara em Vicente Dutra (RS), Heinze declarou que quilombolas, homossexuais e índios “são tudo que não presta”, e sugeriu a contratação de segurança privada pelos produtores rurais para manter a posse da terra. Mais tarde ele ponderou à imprensa que suas declarações (gravadas em vídeo divulgado nas redes sociais) foram feitas no “calor do debate” sobre conflitos entre indígenas e agricultores que haviam ocorrido em novembro do anterior. Também em 2014, votou contra a PEC do Trabalho Escravo, projeto que estipulava a desapropriação de terras de latifundiários que fossem flagrados submetendo seus trabalhadores a um regime análogo à escravidão.'

Heize nasceu em 1950, o engenheiro Fernando Carrion ainda antes da metade do século passado, em 1942 (segundo informações num site da Fundação Getúlio Vargas). 

Apesar de pelo menos um dos seus proponentes, o senador Luis Carlos Heinze do PP, se apresentar como defendendo perspectivas opostas aos anteriores governos do PT, em especial o de Dilma Rousseff, para cujo impeachment contribuiu, é patente a semelhança da lógica de um projeto como esse e aquela que foi vigente nos governos anteriores. Pensa-se o crescimento do país, antes de qualquer coisa, a partir de projetos megalomaníacos (pouco importa se ancorados no Estado ou na iniciativa privada), dependentes de estratégias indiferentes (quando não deletérias) ao meio-ambiente, e dentro de uma matriz ultrapassada de desenvolvimento como a produção extrativista em larga escala e exportação de commodities. 

***De acordo com reportagem do Jornal Nacional de 24 de abril de 2018, o PP, partido do senador, "é um dos partidos com mais investigados na Lava Jato." Outro político do PP diretamente envolvido no projeto do porto é o empresário do setor de construção, Ovídio Deitos, que é presidente desse partido em Caxias do Sul. Outros empresários desta cidade parecem também estar envolvidos. É preciso observar que Caxias do Sul foi de fato uma cidade industrial importante, com grandes fábricas de metalurgia que estão atualmente em declínio. Esses empresários enfrentam muitos problemas para se adaptar à nova economia mundial globalizada. O porto pode oferecer a eles uma pseudo-alternativa de salvação às custas do meio ambiente da região e da população local.

A proposta do "novo" porto não parece senão o velho disfarçado de novo (e ela de fato remonta ao século XIX), que vai, como sempre, beneficiar principalmente senão somente uma burocracia estatal preguiçosa e atrasada e/ou meia dúzia de oligarcas da iniciativa privada. Investimento externo viria de onde? China, máfia napolitana?!

A costa de torres é importante, por exemplo, para lobos marinhos, leões marinhos e baleias francas. Há, na região em que pretendem instalar esse porto, TRÊS reservas ecológicas: o Parque Estadual de Itapeva, o Refúgio da Vida Silvestre Ilha dos Lobos, e o Parque Tupancy

Como sabem os especialistas, no litoral do RS não há os costões graníticos e as baías protegidas do litoral de Santa Catarina. Isso implica uma série de riscos na construção desse tipo de porto, como a erosão. 

Ainda, a manutenção das infraestruturas já existentes no Brasil, como estradas, tem um enorme déficit. O Rio Grande do Sul, em especial, também há muito que não se destaca mais pela produção agropecuária, tendo perdido terreno para outros estados. É um estado com muitos problemas econômicos. Pretende-se, em meio a esse cenário, construir do zero, um novo porto?! 

Num país em que se tem permitido a ocorrência de desastres da escala daquele ocasionado pela Samarco em Mariana?! E Brumadinho, em menos de três anos?!!

O senador Heine, voltou a falar sobre o porto em entrevista ao jornal Correio do Povo. Pela convicção que ele expressa da execução da obra, ela certamente deve vir sendo planejada na surdina. Segundo o senador, uma das principais atividades do porto será a EXPORTAÇÃO DE GALINHA & SOJA:

Um dia de verão na região:













Como se sabe, Torres é
um município que abarca
diversas praias menores; 
essa se chama Paraíso, 
justamente aquela em que 
se pretende construir o porto.
(Fev 2019)




Outras fotos:



O clima do Rio Grande
do Sul como se sabe
é bastante instável,
modificando-se de forma
brusca ao longo de todo
o ano. Na história muito
recente de Torres, há inclusive
registro de formação de ciclone
com característica de furacão.
(Praia Paraíso/2015)



Mais fotos da mesma praia e região ao redor:

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Notícias Recentes na Imprensa Internacional sobre Brumadinho:
- Dam collapse: the desperate search at Brazil's 'ground zero' (The Guardian);
- 'The river is dying': the vast ecological cost of Brazil's mining disasters (The Guardian);
Dam Bursts at Vale Mine in Brazil (The Wall Street Journal)

Mais Material da Imprensa:
- O Conservador e o Atrasado (Elio Gaspari/Folha de São Paulo);

Postagens Relacionadas neste mesmo blog:
Blue Crab/ Siri Azul (Torres, Brazil, Jan 2019);

Ecoturismo como alternativa pro futuro: 


Qm aceita construir porto pra colocar reserva em risco?!
PARQUE DE ITAPEVA eh patrimônio de todos e o FUTURO da região;
PORTO eh projeto pra salvar meia dúzia de empresários do SÉCULO PASSADO com a corda no pescoço e dar dinheiro pra políticos.
Reportagem da Zero Hora (Aline Custódio, 6 de fevereiro de 2019):
'São mil hectares da única área que conserva o ambiente original do Litoral Norte gaúcho, dentro do bioma Mata Atlântica. As terras ficam no Parque Estadual de Itapeva, criado em 2002 com foco na conservação da fauna e da flora local.'
'... o parque não tem apenas florestas. Boa parte dele também contempla as últimas dunas costeiras do Estado, onde há espécies de animais que só vivem nelas e estão ameaçados, como a lagartixa das dunas e o tuco-tuco.'
'No ano passado, por exemplo, o gestor do parque, o biólogo Paulo Grübler, conta ter recebido turistas da Alemanha, da China, dos Estados Unidos e da Inglaterra.'
'Até 2010, um camping estadual funcionou nas dependências do parque. Com o fechamento dele, passou-se a discutir a elaboração de regras de visitação. Em maio do ano passado, Itapeva se tornou a primeira unidade de conservação do Estado a ter um plano de uso público, exclusivo e detalhado, para atender aos turistas. Orçado em R$ 7 milhões, o projeto prevê a construção de um centro de visitantes, com estacionamento, lanchonete, lojas de artesanato e um mirante de 12 metros de altura, fixado no ponto mais alto.'
'Também deverão ser implementadas atividades para potencializar o ecoturismo, como circuito de ciclismo e passeios de caiaque na Lagoa do Simão,' Parque de Itapeva preserva fauna e flora no último recanto original do Litoral Norte (Zero Hora).

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